segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Gestão escolar: checklist para a reta final de 2021

No fechamento do ano letivo, coordenadores e diretores apontam as tarefas e demandas que devem estar no radar da equipe




Avaliações, reuniões com os responsáveis, conselhos de classe, planejamento e muitas outras demandas surgem no final do ano nas escolas. Após um período atípico como o de 2021, a essas tarefas se juntam uma série de novos desafios. Em alguns casos, essas demandas se entrelaçaram com o retorno presencial, deixando o cenário ainda mais complexo. 

Foi esse o caso da Escola Estadual Doutor Pompílio Guimarães, em Leopoldina (MG). “O fim do ano já é muito tenso sem pandemia, porque é o fechamento de uma série de coisas. Além dessa rotina, temos de lidar com a obrigatoriedade do retorno [presencial] no último mês do ano", explica o diretor João Paulo Pereira de Araújo. 

Assim como a escola mineira, muitas outras também viveram, no segundo semestre deste ano, o tão aguardado retorno presencial, integralmente ou no formato híbrido. Com isso, foi possível começar a ver resultados das ações pedagógicas e dar início ao processo de recuperação das aprendizagens. No entanto, com o fim do ano letivo, é preciso pausar esse trabalho para avaliar o que foi realizado e planejar o que ficará para 2022. “Estamos interrompendo um ciclo. Ainda não conseguimos nos habituar ao retorno. É um fechamento diferente de outros anos”, aponta João Paulo. 

Nesse contexto, conversamos com sete gestores de escolas públicas para pensar nas demandas que surgem no final do ano. Reunimos tarefas que estão mapeadas pelos educadores e os caminhos para cumprir as entregas que são de responsabilidade da coordenação, da direção e, ainda, as que são compartilhadas. 

PARA OS COORDENADORES

Formação de professores

Monica Bordon, coordenadora na Escola Municipal Jardim Lúcia, em Sumaré (SP), diz que os coordenadores não devem terminar o ano sem verificar se foram cumpridas todas as formações que estavam previstas. Eles também podem começar a planejar as primeiras formações de 2022. 

Na Escola de Ensino Fundamental Infante Dom Henrique, em São Paulo (SP), esse trabalho já está sendo feito. Para o começo do próximo ano, Fabiana Raposo, coordenadora na instituição, prevê que a equipe discuta como usar recursos digitais a favor da aprendizagem. “Foi [um aspecto] desafiador neste ano, mas já está sendo planejado para o próximo. Vamos pensar em projetos relacionados a tecnologia". 

É importante também garantir os registros e a documentação do conhecimento que foi construído durante as formações na escola. Murilo Cassimiro, coordenador na Escola em Tempo Integral Prefeito João Lyra Filho, em Caruaru (PE), conta que gostaria de montar um material com as ideias e sugestões que surgiram durante uma formação sobre como avaliar os alunos. Esse documento servirá de apoio para os professores novos e de consulta para quem já estava na escola.

Avaliações internas e externas

Murilo também diz que tem sido muito difícil avaliar. “Não é justo medir [o desempenho dos alunos] de apenas um jeito, porque cada um viveu a pandemia de uma maneira. Por isso, precisamos repensar a forma de avaliar”, ressalta.

Além de apoiar os professores na decisão de como fazer essa verificação, os coordenadores também têm as demandas das avaliações externas, como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) ou aquelas que vêm das secretarias. Por isso, é necessário garantir um plano para a preparação dos alunos para essas provas. Na Escola Municipal Prof. Waldir Garcia, em Manaus (AM), esse aspecto já está bem planejado. “Todo o grupo está focado no Saeb para preparar as crianças e mostrar [a elas] a importância [da avaliação]. Não mudou muito de como fazíamos antes”, pontua a coordenadora Amanda Freitas. 

O trabalho posterior às avaliações também é central. “É papel da coordenação analisar os resultados para planejar com os professores as estratégias de recuperação”, completa Fabiana. 

Autoavaliação dos docentes

Neste fim de ano, outro ponto de atenção da coordenação é o desenvolvimento da sua equipe docente. Ter um momento de reflexão sobre a prática docente e garantir que cada professor possa fazer uma avaliação do seu trabalho durante o ano — compartilhando pontos positivos com os colegas e identificando aqueles que podem ser melhorados — trazem insumos para planejar o próprio trabalho do gestor em 2022. “Com a autoavaliação, o coordenador consegue identificar [por exemplo] o que pode ser reforçado nas formações”, exemplifica Amanda. 

Planejamento de 2022

Com base nas experiências de 2021, nas avaliações e no parecer de professores, alunos e famílias, a coordenação deve começar a pensar no planejamento pedagógico para o próximo ano letivo. Especialmente, em relação a como organizar o trabalho de recuperação das aprendizagens que ficaram para trás ao longo da pandemia. 

“Temos mapeado as dificuldades e defasagens, mas não conseguimos suprir essa demanda este ano. [No entanto] vamos deixar tudo encaminhado para iniciar o próximo ano sabendo quais alunos precisam de um cuidado maior”, conta o coordenador Murilo. “Ao começar o ano, parece que iniciamos do zero, perde-se muita informação. A ideia é deixar isso mais organizado para começar focado nas dificuldades e no que cada um precisa”, complementa.

Validação de documentos

Para fazer o fechamento do ano, a coordenação também precisa validar alguns documentos. No caso de Monica, de Sumaré (SP), ela tem de validar e garantir que os diários de classe de cada turma estejam em dia. Além desses diários que vão para a Secretaria, há materiais que ficam na escola, como os registros das atividades que foram realizadas durante 2021 e os pareceres dos professores sobre o desenvolvimento de cada aluno, que devem estar atualizados e organizados. “Os professores registram em um caderno físico e [também sobem no] drive da escola”, explica a coordenadora. Dessa forma, fica um material para consulta de outras pessoas da equipe.

PARA OS DIRETORES

Prestação de contas

Não é possível pensar no trabalho pedagógico sem um orçamento para viabilizá-lo, o que inclui desde a aquisição de materiais até a garantia da merenda. Cada rede tem um cronograma de entrega do orçamento para 2022. Enquanto algumas já terminam o ano com a previsão e o planejamento dos gastos para os próximos 12 meses, outras fazem a reprogramação de verbas que não foram utilizadas em 2021, mas que serão usadas no ano seguinte, ou apenas o balanço financeiro e a comprovação de gastos.

Por isso, é fundamental estar atento às datas da sua rede para garantir os prazos e não ter nenhum problema no próximo ano. “Imagina ter o caixa escolar bloqueado no início do ano e não ter merenda? Imagina o caos”, alerta o diretor João Paulo, de Leopoldina (MG).

Inventário e planejamento dos espaços para 2022

O orçamento para o ano seguinte deve envolver também a organização e o planejamento dos espaços escolares. Para levantar as melhorias necessárias ou mesmo a compra de materiais — especialmente em um contexto em que ainda será essencial adotar medidas de segurança contra a covid-19 —, é preciso repensar cada espaço, desde o refeitório e o pátio da escola até o laboratório. 

Também é comum que no final do ano seja realizado o inventário [relação dos bens] da escola —  trabalho que também passa pela validação do diretor. 

Atribuição das salas e organização dos horários

Não é possível pensar no planejamento de 2022 sem considerar a composição da equipe escolar, fazer a atribuição de turmas e definir os horários dos professores. Para Rubia Dias, diretora na Escola de Ensino Fundamental Suzete Cuendet, em Vitória (ES), também é importante se preparar para a recepção dos novos professores que chegarão no próximo ano letivo. “Eu gosto de sentar com eles para explicar a rotina escolar”, conta. 

PARA FAZER EM PARCERIA

Na prática, há muitas tarefas da gestão que são compartilhadas entre coordenação e direção ou realizadas com o apoio dos professores, funcionários da escola, famílias e alunos. Por isso, os educadores também destacaram essas tarefas que demandam o olhar de toda a equipe escolar. 

Conselho de classe

Para Murilo, de Caruaru (PE), a gestão deve garantir que o conselho de classe seja mais significativo e não um lugar para aprovar [os estudantes] ou não. “É importante que seja um momento para trazer as dificuldades e potencialidades [dos alunos e do trabalho docente]”, explica. 

Para tal, a gestão deve apoiar e orientar os educadores para que se preparem para o conselho, garantir a participação — ou colher previamente os pareceres — de alunos e responsáveis e organizar um momento para o grupo refletir e fazer um balanço de 2021. 

Revisão dos documentos da escola

O planejamento de 2022 também é o momento de revisar o projeto político-pedagógico (PPP) da escola. Na instituição onde João Paulo atua, a revisão do documento acontece três vezes ao ano. O momento do fechamento é a hora de rever o que está proposto, estabelecer metas para 2022, verificar o que já foi possível atingir e o que mudou. “Já pegamos o PPP e começamos a pesquisar com os alunos para [colher contribuições]”, comenta o diretor. Nos últimos três dias de trabalho, professores, equipe gestora e funcionários se reúnem para olhar para o PPP, fazer a autoavaliação e começar o planejamento das ações — trabalho que será concluído no início do ano seguinte.

Esse também pode ser um bom momento para olhar para o plano institucional, documento que estabelece objetivos, prazos e tarefas para melhorar ou resolver uma questão da escola. Esse plano de ação orientará o trabalho da gestão, em parceria com a comunidade, no próximo ano 

Outro documento que deve ser revisitado é o regimento escolar, que traz as regras de funcionamento da escola. A gestão deve pensar em mudanças ou pontos que devem ser acrescidos ou retirados desse manual. No início do ano, é possível consolidar essas alterações, apresentar o documento para a comunidade e discuti-lo. 

Avaliação institucional

Em algumas escolas, como na instituição onde a coordenadora Monica trabalha, é comum que, no final do ano, seja realizada uma avaliação institucional, em que todos os educadores e funcionários avaliam o que foi alcançado e o que pode ser melhorado. Essa avaliação também serve para mapear novas demandas. Nesse momento, a equipe de professores faz uma verificação da experiência em quatro frentes: relacionamento com as famílias, com os alunos e com a gestão escolar, além de uma autoavaliação de sua prática docente. 

Busca ativa

No contexto da pandemia, a busca ativa foi uma prática muito importante e, no fechamento do ano, não se pode descuidar das ações para atrair os alunos para a escola e garantir o retorno deles no período seguinte. “Continuamos fazendo visitas às casas desses estudantes para tentar ajudá-los e fazer com que retornem. O objetivo é entender a situação e trazê-los de volta. Temos de pensar em estratégias para mantê-los na escola e continuar a recuperação das aprendizagens”, diz Fabiana, de São Paulo (SP). Essa também é uma meta de Murilo: “Quero recuperar os alunos que ainda não retornaram. Não depende só da escola, [mas desejo] continuar fazendo o melhor”. 

Atendimento às famílias

Apesar das muitas dificuldades desse período, a aproximação entre famílias e escola e a construção de uma nova relação é um legado que não pode ser perdido. Por isso, é importante que a gestão pense em formas de levar essa parceria para o próximo ano. “Tem um trabalho que foi feito ao longo da pandemia e que podemos dar continuidade. [Por exemplo,] manter os grupos de WhatsApp como uma comunicação direta [das famílias] com a gestão escolar”, sugere João Paulo. 

Além disso, cabe à equipe pedagógica organizar o atendimento das famílias, garantir as devolutivas do conselho escolar, apresentar o plano de ação para os alunos e tirar as dúvidas que aparecerem. Também podem surgir questionamentos sobre o funcionamento da escola no próximo ano. Por isso, é fundamental ter um olhar cuidadoso e um tempo na agenda para as reuniões com os responsáveis. 

Foco no acolhimento e no bem-estar da comunidade

O fechamento de um ano atípico com tantas perdas e desafios deve incluir um cuidado especial com o aspecto socioemocional de toda a comunidade escolar. “Já tínhamos antes uma preocupação com o emocional, agora triplicamos o olhar acolhedor [para os estudantes e suas famílias]. Temos que reconhecer cada um com suas histórias, deixar de lado a questão da nota, da burocracia. Sabemos que temos de entregar [as demandas burocráticas e administrativas], mas hoje não é mais importante”, destaca a coordenadora Amanda, de Manaus (AM). 

João Paulo salienta a relevância de cuidar da saúde mental e física de professores e funcionários. “[Temos de garantir] que o fechamento da escola no final do ano não vai nos enfraquecer, mas sim potencializar as energias que precisamos para começar um 2022 com as escolas abertas e fazendo o trabalho que temos de fazer: transformar vidas [com a Educação]”, finaliza o diretor.

FONTE:https://novaescola.org.br/conteudo/20769/especial-como-planejar-o-fechamento-do-ano-checklist-gestores



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Retomada presencial: 8 cursos para se preparar para o ensino híbrido

 

Saiba como adaptar as metodologias ativas às aulas presenciais e remotas, e conheça ferramentas digitais que otimizam as atividades.

Há nove meses sem aulas presenciais, professores pelo Brasil acompanham as discussões sobre a retomada presencial. Junto a essa expectativa está a preocupação em como se preparar para esse momento, já que as aulas remotas vão continuar acontecendo. A recepção das turmas, abordagens pedagógicas adaptadas ao ensino híbrido, ferramentas digitais são alguns dos aspectos que precisam ser levados em conta nesse novo cenário.




A NOVA ESCOLA possui diversos cursos gratuitos e com preços promocionais que podem ajudar com os desafios deste momento. Pensando nisso, reunimos formações que se aprofundam sobre a aplicação de metodologias ativas, como utilizá-las sem tecnologias e como trabalhar o ensino híbrido e a aprendizagem baseada em projetos. Você vai encontrar, ainda, algumas formações focadas em ferramentas digitais como Google Drive, Hangouts, FlipGrid. Veja a seguir:

1. A escola após a pandemia: como conduzir o retorno às aulas

De um dia para o outro a escola precisou se adequar ao modelo remoto com a suspensão das aulas. Agora, nove meses depois, intensificam-se as preocupações para o retorno. Gratuito, o curso traz informações para ajudar os professores a se organizarem. Saiba como priorizar as propostas didáticas, adaptadas a esse contexto, levando em conta a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Outro ponto importante abordado pelo curso é o acolhimento dos estudantes nesse momento e como envolver famílias e o grupo de professores para fortalecer a escola.

2. Metodologias Ativas: Ensino Híbrido e Aprendizagem Baseada em Projetos
Esse curso se aprofunda Ensino Híbrido e a Aprendizagem Baseada em Projetos, metodologias ativas que promovem o protagonismo dos estudantes no processo de ensino. A partir do estudo de casos reais, Lilian Bacich, formadora de professores, apresenta estratégias como sala de aula invertida e rotação por estação de aprendizagem, que promovem mais engajamento na turma e estimulam uma participação ativa dos estudantes. Além disso, você vai entender como essas estratégias se relacionam com a BNCC.

3. Metodologias Ativas - Como inovar sem tecnologia
O curso é dividido em duas partes: a primeira traz reflexões sobre o uso do trabalho em grupo e a aprendizagem de projeto. Esta última é uma estratégia para engajar os alunos em desafios vivenciados por eles em sua vida cotidiana ou no entorno da escola. A segunda parte apresenta a trajetória de Harley Sato, professor de Física e Ciências da Natureza, que utiliza a técnica dos Incidentes Críticos na sala de aula. 

4. Metodologias Ativas: trabalhando com projetos durante a quarentena
Este curso traz reflexões sobre a prática docente e o uso de metodologias ativas. Você vai conhecer os elementos que ajudam os estudantes a construir a própria autonomia e como estabelecer um percurso de aprendizagem mais significativo. As discussões dessa formação serão focadas nas estratégias da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP).

5. Metodologias ativas para aulas a distância: como usar o FlipGrid
Estudantes que vão atrás dos conteúdos, constroem conhecimentos a partir da interação com colegas, diálogo aberto entre docente e turma são ações promovidas pelas metodologias ativas. Para garantir que essa experiência seja feita de forma dinâmica e facilitada, ferramentas digitais como o FlipGrid podem ajudar. Com ele, é possível dialogar com escolas e famílias, criar tópicos de discussão e dar feedbacks aos alunos. A plataforma pode ser uma aliada nesse período de ensino híbrido.

6. Google drive: como usar os slides e o formulário de perguntas?
Uma conta Gmail dá acesso a diversas funções que ajudam a otimizar o dia a dia escolar em tempos de ensino híbrido. No Google Drive é possível criar pastas específicas para turmas ou atividades, compartilhar documentos e aulas com alunos e familiares. Você consegue, também, criar apresentações de slides e editá-las de forma colaborativa. Aprenda neste curso a se organizar com essas ferramentas e favoreça o trabalho realizado com a gestão escolar e com os colegas nesses tempos de aulas remotas e presenciais.

7. Google drive: como usar o Hangouts e o Docs?
A tecnologia se confirmou como uma forte aliada nesses tempos de ensino remoto. Ferramentas que facilitam a comunicação, troca de documentos e organização de arquivo ajudaram muito no dia a dia. Em um cenário de ensino híbrido isso não mudar. Esse curso apresenta os recursos disponíveis no Google Drive: planilhas, formulários, apresentações e textos, Meets, Docs, Hangout, tudo o que pode ser usado ao seu favor. Você vai conhecer também a experiência de uma professora que realiza, junto com a equipe da escola, planejamentos de forma colaborativa no Docs e reuniões a distância usando os recursos do Google Meet.

8. Leitura e alfabetização: estratégias e ferramentas para o ensino remoto
A nova rotina imposta pela necessidade de aulas a distância desafiou, e muito, quem trabalha com turmas da etapa de alfabetização. A presença física é fundamental, já que são necessárias intervenções e trabalhos em grupo para o processo de aprendizagem da escrita e leitura. O curso tem duas partes: a primeira vai compartilhar reflexões sobre a alfabetização no contexto de aulas remotas e presenciais, e sobre a importância do vínculo entre escola e família nesse momento. Na segunda, serão apresentadas propostas para aulas a distância, com passo a passo para realização de atividades em casa.

O curso tem a participação especial de Magda Soares, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fundadora do Centro de Alfabetização Leitura e Escrita (Ceale) na mesma instituição e uma das maiores especialistas em alfabetização e letramento do Brasil. 

FONTE:https://novaescola.org.br/conteudo/19914/retomada-presencial-8-cursos-para-se-preparar-para-o-ensino-hibrido

O que é e como funciona o ensino híbrido

  A modalidade de ensino ganhou força em função da pandemia e do distanciamento social

Com as mudanças causadas pela necessidade do isolamento social, novas formas de ensino começaram a ser implantadas. A principal delas é o chamado ensino híbrido. Nesse conteúdo , saiba mais sobre essa modalidade de ensino e seu funcionamento.



O que é o ensino híbrido


O formato híbrido de ensino tem como principal premissa a união entre atividades presenciais e atividades não-presenciais, ou remotas.

Esta hibridização é possível graças à internet e pode se dar por intermediação das plataformas, aplicativos e computadores. 

Ensino híbrido ou EAD?


É importante distinguir que o ensino híbrido, que é recomendado para etapas como o ensino fundamental e médio, não é o mesmo que o ensino à distância (EAD).

O EAD tem como característica o funcionamento totalmente virtual, ou não-presencial. Desta forma, todo o curso acontece via ambiente virtual, sem uma interação direta e sem encontros presenciais.

Como funciona na prática?


A ideia do ensino híbrido é aproveitar-se das tecnologias digitais que permeiam o ensino para oferecer soluções e experiências inovadoras de aprendizado.

Dessa forma, a combinação entre o online e o presencial não tem uma regra explícita, que defina como 50% de cada. A proposta é oferecer mais possibilidades de contato entre estudantes e outros estudantes e entre estudantes e professores, fazendo com que as aulas possam ir além do tradicional.

Todo o plano de ensino é repensado a partir do momento que o ensino híbrido é implantado. Isso se dá porque a modalidade necessita de capacitação dos professores, mais infraestrutura e métodos de avaliação compatíveis com o processo de ensino.

Além disso, a plataforma virtual na qual as aulas serão ministradas de forma remota deve ser de domínio dos pais e estudantes. Da mesma forma, as regras para as aulas presenciais – como o distanciamento e rodízio – necessitam ser previamente estabelecidas.

Assim, o ensino híbrido pode atingir um enorme potencial, sendo útil para o atual momento do mundo, e principalmente vantajoso para ampliar e potencializar as formas de ensinar e aprender.

Agora que você sabe mais sobre o ensino híbrido, aproveite para conversar com seus filhos e familiares para mostrar as vantagens dessa modalidade de ensino.


FONTE: https://www.colegioestillo.com.br/o-que-e-e-como-funciona-o-ensino-hibrido/

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Sindicato das escolas apoia retorno; o dos professores é contrário...

 A ideia de exigir a volta de alunos e professores não é bem-vista pelo sindicato dos professores, mas agrada a especialistas e às escolas particulares. O presidente da Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), Artur Fonseca, afirma que a ciência e a saúde devem dizer como voltar às aulas com segurança, mas jamais discutir se devemos retornar. 


"Apenas durante o impedimento nós poderíamos pensar em educação não presencial. Para as crianças menores e especialmente para as pessoas mais vulneráveis a escola é um instrumento de avanço social. Todos os mais vulneráveis dependem da educação presencial. 

O secretário não está inventando nada. Estamos repetindo aquilo que aconteceu em todo o mundo civilizado", defende. 

A professora Nina Ranieri, coordenadora da Cátedra Unesco de direito à educação da USP, destaca que a decisão se faz em benefício do melhor interesse da criança e do adolescente, direitos previstos por documentos internacionais e artigos da Constituição.

 "A essa altura da pandemia já temos mais informações sobre transmissão, tratamento e o que devemos fazer. Está mais do que comprovado que a volta às aulas é melhor do que o isolamento", diz.

Crítica 

"É muito irresponsável a volta às aulas presenciais, sobretudo no contexto da escola pública. Não temos uma estrutura nas escolas. Não podemos fazer o distanciamento, em muitos locais as salas foram improvisadas. Temos até bibliotecas que viraram salas de aula. Não tem arejamento, claridade, não temos sequer espaços abertos para dar aula ao ar livre", explica Maria Izabel, presidente da Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual.

Ela diz não entender o posicionamento do secretário, que chegou a falar sobre a possibilidade de responsabilizar o pai que não levar o filho para a escola. "Se a ciência já desenvolveu uma resposta com vacinas, por qual motivo ele não coloca os professores na primeira fase do plano de vacinação?", indaga Maria Izabel. "A escola é um ambiente de aglomeração. Agora seria a oportunidade do secretário dizer que está em defesa da vida dos professores, funcionários e toda a equipe de educação. Isso não chega a 400 mil. Esse número não vai interferir em nada. A nossa situação é preocupante e eu estou defendendo categoria essencial."

De acordo com Rossieli, "precisamos entender que há uma hierarquia na necessidade da vacina porque temos poucas". Na sua opinião, o ideal é começar a proteger os idosos. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FONTE:https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2020/12/22/sindicato-das-escolas-apoia-retorno-o-dos-professores-e-contrario.htm



Em cidade castigada por pandemia, escola acha novas formas de alfabetizar...

 Quando o coronavírus se alastrou com virulência por Manaus, colapsando os sistemas de saúde e funerário logo nos primeiros meses da pandemia, as famílias de Maricleia Silva e Ketia Fontaine Romain não ficaram ilesas. Maricleia, que cozinha marmitas para vender na vizinhança, viu sua rotina virar quando a filha Alice não pôde mais frequentar a escola, onde ficava em tempo integral. 


A família ainda sofreu uma perda difícil: pouco depois de a mãe de Maricleia se recuperar de uma internação por covid-19, o pai dela morreu em decorrência da doença. "A cada dia, a gente tinha medo de receber uma notícia ruim", lembra Maricleia. Ketia, uma imigrante venezuelana há quatro anos no Brasil, conta, com alívio, que ninguém na família adoeceu pelo novo coronavírus. Mas recorda também a insegurança quando precisou recorrer a doações de cestas básicas e ao auxílio emergencial do governo para fechar as contas e alimentar os quatro filhos. Mesmo com as turbulências, Maricleia e Ketia comemoram uma conquista não trivial em 2020: suas filhas Alice e Andrea, ambas de 7 anos, concluíram o primeiro ano de ensino básico plenamente alfabetizadas - conseguem ler e escrever mesmo tendo tido apenas um mês de aulas presenciais, entre fevereiro e março.

Quem garantiu esse aprendizado em um ano tão desafiador foi uma escola também abalada por suas próprias dores em meio à pandemia. "Tivemos muitas perdas de vidas (por covid-19) nas famílias dos funcionários e das crianças. Só a nossa pedagoga perdeu quatro pessoas próximas. 

Foi um momento de medo, ansiedade e desespero", conta Lúcia Santos, diretora da escola municipal Waldir Garcia, que abriga 227 crianças no ensino fundamental 1 (1ª à 5ª série) na capital amazonense. E, a despeito disso, Santos afirma que 2020 foi "tudo menos um ano perdido" para a escola. "Pelo contrário, estamos mais próximos das famílias. Tivemos muitos ganhos."

Em meio a tanta desolação e incerteza rondando a educação, a Waldir Garcia é um retrato do empenho de tantas escolas pelo Brasil em manter seus estudantes engajados e aprendendo, mesmo com os enormes obstáculos do ensino à distância e dos problemas de conectividade e desigualdade. 

'A gente achava que conhecia nossos alunos' 

Os primeiros meses do novo coronavírus deixaram marcas profundas em Manaus. Em abril, a capital amazonense chegou a registrar mais de cem enterros por dia. 

Em todo o Amazonas, a taxa de letalidade pela doença passava dos 8% - em comparação, a média geral no Brasil é hoje de cerca de 2,6%.

Logo no início, a suspensão das aulas presenciais foi amenizada quando as redes municipal de Manaus e estadual do Amazonas passaram a transmitir aulas pela TV aberta. 

Mas foi nesse momento que a equipe da Waldir Garcia descobriu que a vulnerabilidade social de parte de suas crianças era maior do que se imaginava.

 "Nas casas de 27 alunos não havia nem televisão, nem celular nem internet, e eles estavam passando fome", conta Santos.

"Algo que era invisível se tornou visível. Até então, a gente achava que conhecia os alunos. Eles faziam três refeições por dia na nossa escola. (Com a pandemia), muitos pais ficaram sem emprego, sem ter o que comer e sem ter onde deixar os filhos. (...) Vimos que o mais importante naquele momento não era o conteúdo, mas saciar a fome e manter o vínculo com a escola." 

Por intermédio de uma plataforma de financiamento coletivo, a escola conseguiu arrecadar mais de R$ 8 mil para financiar cestas básicas às famílias que precisavam.

A de Ketia foi uma das beneficiadas. "Foi difícil, porque em casa o único que trabalha é meu marido. A cesta chegou quando não havia nada em casa. Com isso, graças a Deus não nos faltou (comida)." 

Outras famílias também receberam doações de aparelhos de TV e celulares para acompanhar as aulas. 

"Em maio, quando conseguimos ter todas as crianças conectadas, começamos nosso trabalho de ensino", conta a diretora Lúcia Santos.

Brasileiros, venezuelanos e haitianos 


A Waldir Garcia já era tida como escola de referência no Amazonas. Localizada em uma área vulnerável de Manaus, abriga crianças de diferentes classes sociais e origens, incluindo 50 estrangeiras, em sua maioria filhas de imigrantes venezuelanos e haitianos - as professoras, inclusive, estudam espanhol para se comunicar melhor com elas.

A escola também é parte do programa Escolas Transformadoras, que promove competências como empatia, trabalho em equipe e criatividade em comunidades escolares de 25 países. Neste ano, Lúcia Santos havia sido uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10, em reconhecimento pelos projetos de protagonismo juvenil adotados em sala de aula. 

E dados do exame oficial Prova Brasil 2017 apontam resultados acima da média nacional: 85% dos alunos da Waldir Garcia concluíram o quinto ano com conhecimentos adequados em português (contra 56% no Brasil) e 85% em matemática (no Brasil, esse índice é de 44%).

Mesmo assim, o ensino remoto durante a pandemia foi desafiador para educadores, pais e crianças. 

Como manter a aprendizagem viva à distância, em um momento tão crítico como o da alfabetização, em que a proximidade entre alunos e professores é tão importante? Como manter o vínculo das crianças com a escola? 

"A gente (educadores) antes tinha dificuldade até para usar email", conta Santos. "Mas aprendemos a usar tecnologias das quais agora não vamos mais abrir mão. As professoras criaram um podcast com contação de história para as crianças, descobriram como usar o Google Classroom e fizeram curso para aprender a usar padlet", em referência à ferramenta que permite criar um quadro de  atividades entre muitos participantes. 

Armadas de máscaras e equipamentos de proteção individual, algumas professoras foram de casa em casa dos alunos para entregar materiais escolares e kits para que as crianças pudessem criar suas próprias hortas em casa - aumentando a oferta de alimentos e de chances de aprendizado.

"A gente aprendeu com eles também: foi bonito ver as famílias plantando, colhendo, se engajando. (Com as visitas e aulas online), conseguimos conhecer a casa de todas as crianças, suas dificuldades, e passamos a respeitar o tempo de cada uma".

 Alfabetização 

Na outra ponta desse processo estavam os pais - como Maricleia, que se desdobrou para ser ao mesmo tempo "cozinheira, professora e a mãe que leva para brincar".

"Não foi fácil. Às vezes eu pedia socorro. Minha filha se distrai fácil. Acho que toda mãe pensou como é difícil ser professora e cuidar de 22, 23 crianças ao mesmo tempo", conta. 

Alice, então com seis anos, já havia tido noções de alfabetização na etapa final da educação infantil, mas, como a maioria das crianças da sua idade, ainda fazia mais rabiscos do que escrita.

Todos os dias, Maricleia recebia por WhatsApp as atividades da escola. Na casa das professoras, cartazes à mão colados na parede apresentavam quais as palavras e sílabas seriam estudadas em cada semana. As mesmas palavras eram usadas pelos professores de artes e esportes em suas atividades.

Os vídeos mostravam às crianças como fazer os movimentos das letras e como os pais poderiam encorajar a leitura. 

"Hoje a gente viu o trava-línguas do 'rato roeu a roupa do rei de Roma. Então agora a tia vai mostrar para vocês como é o movimento do 'r' minúsculo, ele começa bem aqui em cima (no papel)", diz a professora em um dos vídeos.

Maricleia respondia com gravações de Alice lendo e escrevendo as primeiras palavras.

 "Os pais eram nossos mediadores", prossegue Lúcia Santos. "A gente sabe o quanto foi importante as famílias estarem acompanhando o ensino de perto."

A mesma dinâmica se repetia na casa de Ketia, que, mesmo sem falar português fluente, ajudava nos estudos dos filhos e no processo de alfabetização de Andrea.

 "Meus filhos é que me ensinaram português nessas aulas", conta. 

Das 40 crianças de primeira série da Waldir Garcia em 2020, Lúcia Santos diz que 37 estão concluindo o ano letivo sabendo ler e escrever, apesar dos percalços.

Em anos normais, Lúcia Santos diz que esse índice seria de 100%. Mas os três alunos que tiveram dificuldades (bem como crianças de outras séries com dificuldades no conteúdo) receberam reforço presencial, com horário marcado, na própria escola, com a ajuda de professores voluntários. 

Um estudante novo da quarta série também precisou de ajuda individualizada: "ele era novo na escola e chegou sem saber ler ou mesmo escrever o próprio nome", explica a diretora.

"Conseguimos um aparelho de telefone para mantermos contato direto com ele. Com essa atenção personalizada, essa dedicação exclusiva a ele, vimos que ele não tinha nenhum problema cognitivo ou deficiência. 

Ele aprendeu a ler e a escrever." Para ajudar as crianças e famílias a lidar com o isolamento e as perdas, as turmas da quarta série fizeram seu próprio diário da pandemia, inspirado na leitura de "O Diário de Anne Frank", da jovem holandesa que ficou escondida em um sótão para tentar escapar do nazismo.

"Apesar de tudo, tivemos ganhos neste ano", afirma Santos. "A equipe da escola se uniu e isso nos motivou a continuar (o processo de ensino). Tivemos muitas perdas, que não vão ter volta. Agora, temos de nos ajudar a superar. Nisso, aprendemos a ser mais flexíveis e fazer da escola um espaço humanizador: desburocratizar as relações e olhar para aluno, pai e professor como indivíduos que comem, sofrem, sentem."

FONTE:https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2020/12/23/em-cidade-castigada-por-pandemia-escola-acha-novas-formas-de-alfabetizar.htm



terça-feira, 27 de outubro de 2020

Paraná terá 215 colégios cívico-militares, maior programa do Brasil

 O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou nesta segunda-feira (26), no Palácio Iguaçu, que o programa de colégios cívico-militares será implementado em 215 colégios estaduais de 117 municípios de todas as regiões do Estado a partir de 2021. O investimento direcionado a cerca de 129 mil alunos será de cerca de R$ 80 milhões. É o maior projeto do País nessa área.

“Esse programa será transformador para o Paraná. Para entregar a melhor educação do Brasil precisamos ampliar os projetos e trazer novas ideias”, afirmou Ratinho Junior. Ele destacou que a média das escolas cívico-militares no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é 20% maior do que na educação tradicional. “Esse é um modelo vencedor. Se é vencedor, queremos ofertar essa modalidade. A implantação será feita de forma democrática”.

A nova modalidade de ensino funcionará com gestão compartilhada entre militares e civis em escolas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. As aulas continuarão sendo ministradas por professores da rede estadual, enquanto os militares serão responsáveis pela infraestrutura, patrimônio, finanças, segurança, disciplina e atividades cívico-militares. Haverá um diretor-geral e um diretor-auxiliar civis, além de um diretor cívico-militar e de dois a quatro monitores militares, conforme o tamanho da escola.

Os colégios foram selecionados pela Secretaria de Educação e do Esporte e haverá uma consulta à comunidade escolar a partir desta terça-feira (27) para oficializar a indicação. Um dos diferenciais é o aumento da carga horária curricular, com aulas extras de português, matemática e valores éticos e constitucionais. A lei foi aprovada neste ano pela Assembleia Legislativa do Estado, mas o programa está sendo planejado desde o ano passado.

INOVAÇÕES – O governador Ratinho Junior disse que o programa está dentro do contexto do avanço dos índices do Ideb, como o salto para terceiro lugar no Ensino Médio. A rede estadual teve pontuação acima das escolas particulares nos anos iniciais do Ensino Fundamental e houve avanço qualitativo na Capital e no Interior.

Ele também destacou projetos pedagógicos de educação financeira (que será implementado em 2021) e aulas de programação (já disponibilizadas a 10 mil alunos). Citou, ainda, o Prova Paraná, com ampliação da etapa de treinamento e reavaliação dos conteúdos ensinados, e o Presente na Escola, de monitoramento e controle da evasão escolar, com resgate de mais de 60 mil estudantes.

“Não era razoável o Paraná estar em sétimo lugar no Ideb. Esses mecanismos inovadores fizeram com que o Estado conseguisse essa mudança no eixo de evolução. Agora estamos trazendo uma nova modelagem para a população escolher. A ideia é fazer com que os nossos alunos tenham dedicação, disciplina, respeito aos professores e colegas. Queremos um ambiente cada vez mais saudável nas nossas escolas”, acrescentou Ratinho Junior.

UNIDADES – As unidades do programa de colégios cívico-militares foram selecionadas em municípios dos 32 Núcleos Regionais de Educação (NREs) com mais de dez mil habitantes e que tenham ao menos duas escolas estaduais na área urbana, além das seguintes características: alto índice de vulnerabilidade social, baixos índices de fluxo e rendimento escolar e que não ofertem ensino noturno. Esses critérios foram delimitados na lei estadual para que pais e mães possam escolher o modelo educacional que deseja para o filho.

“Teremos aulas adicionais de português, matemática e civismo, para estudar leis, Constituição Federal, papel dos três Poderes, ética, respeito e cidadania. Os alunos vão estudar mais. E no Ensino Médio a principal mudança é a implementação da educação financeira”, afirmou o secretário estadual de Educação e do Esporte, Renato Feder. “A educação está se transformando no Paraná. É um modelo que acreditamos para o futuro”.

Segundo Feder, a seleção priorizou cidades de médio porte e regiões mais vulneráveis do Estado. A lista de municípios e colégios contemplados poderá sofrer alterações, conforme avaliação feita pela Secretaria de Educação a partir das consultas nas comunidades escolares.

OBJETIVOS – Os objetivos detalhados do novo programa passam pela garantia do cumprimento das diretrizes e metas do Plano Estadual de Educação. Entre eles estão atuação contra a violência; promoção da cultura da paz no ambiente escolar; criação de novas possibilidades de integração da comunidade escolar; garantia da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; e auxílio no enfrentamento das causas de repetência e abandono escolar.

As instituições de ensino selecionadas funcionarão em regime de cooperação, por meio de termo entre a Secretaria da Educação e do Esporte e a Secretaria da Segurança Pública do Paraná. O programa será avaliado continuamente a partir da implementação, como forma de aferição da melhoria e do alcance das metas do modelo proposto. Não haverá seleção de alunos.

A Secretaria da Educação e do Esporte vai editar os atos normativos necessários à operacionalização, à gestão e à implantação do programa; apoio técnico e financeiro às instituições; formação continuada aos profissionais da educação e da segurança pública que atuarão nos colégios cívico-militares; e elaboração da proposta pedagógica e dos regimentos internos.

O diretor cívico-militar será indicado pela Secretaria da Educação, responsável pela seleção por meio de entrevista e avaliação. Os militares da reserva podem ser voluntários. Eles serão remunerados por meio de diárias criadas por lei em 2017, cujo valor variará conforme a atribuição desempenhada na instituição de ensino.

“A Polícia Militar foi chamada para participar com policiais aposentados, auxiliando com 200 anos de experiência acumulada. Eles passarão por uma formação na Academia e serão colocados à disposição das comunidades escolares. Eles auxiliarão na administração e na estética militar. Queremos fornecer ambientes calmos e propícios para o aprendizado. A disciplina e o respeito são fundamentais para esse ambiente”, afirmou o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Péricles de Matos.

EXPERIÊNCIA – Segundo o secretário de Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, que tem experiência de dez anos como professor do Colégio Militar de Curitiba, o projeto integrado tem como objetivo ampliar esse modelo para outros locais do Estado. “Um aluno com essa formação sai muito focado para o seu objetivo, seja na formação acadêmia, na formação militar, na plataforma para empreender. Vamos montar um currículo voltado para esse novo conceito, que pede mais formação”, afirmou. “Ajudaremos a implantar esse programa com muita energia”.

Débora Queiroz, diretora do Colégio Estadual da Guarda Mirim do Paraná e pedagoga da rede estadual de ensino, disse que o modelo vem ao encontro da melhoria da qualidade da educação pública. “O novo nos deixa inquietos, mas precisamos acreditar. Acreditamos nessa filosofia. Queremos formar cidadãos críticos, responsáveis e sujeitos da sua própria história. É um alicerce para os professores porque eles se sentem valorizados pelos estudantes”, disse.

CIDADES – Os projetos serão implementados em Almirante Tamandaré, Ampére, Antonina, Apucarana, Arapongas, Arapoti, Araucária, Assis Chateaubriand, Astorga, Bandeirantes, Bela Vista do Paraíso, Bituruna, Cambará, Cambé, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Campo Mourão, Carambeí, Carlópolis, Cascavel, Castro, Catanduvas, Chopinzinho, Cianorte, Clevelândia, Colombo, Colorado, Cornélio Procópio, Coronel Vivida, Curitiba, Curiúva, Dois Vizinhos, Faxinal, Fazenda Rio Grande, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Goioerê, Guaíra, Guarapuava, Guaratuba, Ibaiti, Ibiporã, Imbituva, Inácio Martins, Irati, Ivaiporã, Jacarezinho, Jaguariaíva, Jandaia do Sul, Jataizinho, Lapa, Laranjeiras do Sul, Lindoeste, Loanda, Londrina, Mallet, Mamborê, Mandaguari, Mandirituba, Marechal Cândido Rondon, Marialva, Maringá, Matinhos, Medianeira, Nova Londrina, Paiçandu, Palmas, Palmeira, Palmital, Palotina, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Peabiru, Pinhais, Pinhão, Piraí do Sul, Piraquara, Pitanga, Ponta Grossa, Pontal do Paraná, Porto Amazonas, Prudentópolis, Quatro Barras, Quedas do Iguaçu, Quitandinha, Realeza, Rebouças, Reserva, Reserva do Iguaçu, Ribeirão Claro, Ribeirão do Pinhal, Rio Azul, Rio Branco do Sul, Rio Negro, Rolândia, Santa Isabel do Ivaí, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, Santo Antônio da Platina, Santo Antônio do Sudoeste, São Jerônimo da Serra, São José dos Pinhais, São Miguel do Iguaçu, São Sebastião da Amoreira, Sarandi, Sertanópolis, Siqueira Campos, Telêmaco Borba, Tibagi, Toledo, Turvo, Ubiratã, Umuarama, União da Vitória e Uraí.

PRESENÇAS – Participaram do evento o vice-governador Darci Piana; os secretários Guto Silva (Casa Civil), Marcel Micheletto (Administração e Previdência), Márcio Nunes (Desenvolvimento Sustentável e Turismo) e João Debiasi (Comunicação e Cultura); o diretor-geral da Secretaria de Educação, Gláucio Dias; o chefe da Casa Militar, tenente-coronel Welby Pereira Sales; o comandante da Defesa Civil do Paraná, tenente-coronel Fernando Schunig; os deputados federais Aline Sleutjes, Toninho Wandscheer, Schiavinato, Vermelho, Sargento Fahrur e Luizão; os deputados estaduais Ademar Traiano, presidente da Assembleia Legislativa, Hussein Braki, líder do Governo, Alexandre Curi, Luiz Claudio Romanelli, Galo, Do Carmo, Nelson Justus, Alexandre Amaro, Coronel Lee, Artagão Júnior, Soldado Adriano José, Nelson Luersen, Emerson Bacil, Gilson de Souza e Gugu Bueno; e o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Darlan Scalco.

Entenda como funcionarão as consultas públicas

As consultas públicas acontecerão nas escolas indicadas para o programa nesta terça-feira (27) e na quarta-feira (28), das 8 horas às 20 horas. Estarão sob consulta da comunidade colégios em regiões com alto índice de vulnerabilidade social, baixos índices de fluxo e rendimento escolar e sem oferta de ensino noturno, conforme a legislação aprovada pela Assembleia Legislativa. A consulta será em formato de referendo, cabendo à população dizer sim ou não ao modelo na escola em questão.

Fazem parte da comunidade escolar professores, funcionários e pais de alunos matriculados na instituição. Caso o estudante seja maior de idade (18 anos), o próprio participa da consulta. É preciso levar um documento pessoal para votar e pais ou responsáveis votam de acordo com o número de matriculados sob sua tutela na escola, ou seja, uma mãe com três filhos pode votar até três vezes. É recomendável que cada pessoa leve sua própria caneta para registrar sua assinatura.

Para ter validade, mais de 50% das pessoas aptas devem participar da consulta. Se uma comunidade escolar for formada por 500 pessoas, é necessário um quórum de pelos menos 251 pessoas. Para migrar ao modelo cívico-militar basta a aceitação de maioria simples dos votantes da escola, ou seja, 50% e mais um voto do total. O resultado de todas as consultas deve sair até quinta-feira (29).

FONTE: http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=109364