quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Apesar da tecnologia, o papel não vai deixar a sala de aula tão cedo

Com maior oferta de dispositivos digitais e uma geração nascida em meio à tecnologia, o papel e caneta não são mais as únicas opções para a sala de aula. Mas, apesar do aumento da presença de novas tecnologias, estudos mostram que livros impressos e anotações em papel ainda são preferidos pelos estudantes  e trazem mais benefícios para a aprendizagem. 
Pesquisa realizada pela organização Paper and Packaging Board, nos Estados Unidos, indica que as mídias impressas ainda são o meio preferido para a aprendizagem: de acordo com o estudo, 96% dos pais acreditam que o papel é essencial para as crianças alcançarem seus objetivos de aprendizagem. 


Essa percepção é compartilhada pelos estudantes: 70% dos alunos de ensino médio estudam para provas com anotações em papel, enquanto 81% dos estudantes universitários afirmaram usar anotações e livros físicos para se preparar para provas. 
A preferência dos universitários pelas mídias de papel é confirmada por uma pesquisa de Naomi Baron, professora de linguística da American University, em Washington DC, Estados Unidos. Segundo ela, 92% dos estudantes universitários preferem livros impressos para leituras sérias, que exigem maior concentração e retenção de conteúdo. 
No estudo publicado no livro “Words Onscreen: the Fate of Reading in a Digital World” (“Palavras na tela: o destino da leitura no mundo digital”, em tradução livre), Baron entrevistou 300 estudantes universitários de países como EUA, Japão, Alemanha e Eslováquia, e a maioria relatou dificuldades de concentração e cansaço físico ao ler livros digitais. 
“Há dois grandes problemas”, disse Baron, em entrevista à New Republic. “O primeiro é que eles dizem se distrair, se afastar para outras coisas. O segundo tem a ver com o cansaço nos olhos, dores de cabeça e desconforto físico.” 
Benefícios 
 
A preferência pelo papel traz benefícios para os estudantes, sobretudo quando precisam fazer anotações, além da leitura. 
Ao fazer anotações em papel, o estudante precisa processar as informações, selecionar os pontos mais relevantes e sintetizar de modo coerente para ele – esse processo impulsiona a aprendizagem e auxilia a retenção de informações, em comparação com estudantes que fazem anotações em computadores, segundo pesquisa desenvolvida pela Universidade da Califórnia em Los Angeles.  
As diferenças cognitivas entre os dois tipos de mídias são percebidas pelos estudantes. De acordo com o estudo da Paper and Packaging Board, 92% dos universitários preferem ler livros impressos – para eles, os livros de papel facilitam a concentração e facilitam o processo de se transportar para dentro da história. 
Já a dificuldade de concentração na leitura em mídias digitais é explicada pelas possibilidades de distrações dentro do próprio texto, como links e botões nas páginas web. 
“Mesmo se o leitor decidir conscientemente não clicar nos links, a distração de ver textos coloridos que podem ser clicados é suficiente para inibir a compreensão”, diz Julee Tanner, da Universidade Estadual de San Jose, nos Estados Unidos. “A distração cognitiva apresentada por textos clicáveis pode, sem dúvidas, ser confirmada por qualquer um que tenha passado tempo divagando em uma sequência de artigos da Wikipédia.” 
A preferência por livros físicos também é destacada na pesquisa de Tanner: os leitores escolhem livros digitais apenas quando a portabilidade e a conveniência são prioridades, mas preferem os livros de papel para melhor compreensão e empatia com o universo retratado no livro. 
Apesar de parecerem ligados mais diretamente ao entretenimento, esses aspectos da leitura em livro de papel devem ser levados em consideração na aprendizagem, de acordo com Baron. 
“É necessário se perguntar: o que queremos mensurar? A compreensão do texto? Esse é um modo muito simples e elementar de discutir o significado da leitura. Há certas conexões que fazemos que vão além da decodificação de palavras”, conclui Baron.  

Professores brasileiros têm salário adequado e benefícios acima da média, diz Banco Mundial

As queixas sobre a falta da qualidade da educação no Brasil costumam incluir uma premissa inquestionável: a de que os professores de escolas públicas são mal pagos e que essa é uma das principais razões para os maus resultados do ensino. 
Mas um novo estudo do Banco Mundial sustenta que essa premissa está errada. 
O relatório, divulgado nesta terça-feira, aponta outras causas para a péssima relação entre o gasto público e os resultados das escolas: o desperdício, a ineficiência e a falta de incentivos para os docentes. 
Eis o que diz o documento sobre os salários dos professores:
O piso salarial dos professores brasileiros está em linha com o que é pago em outros países com renda per capita similar. No entanto, os salários dos professores no Brasil aumentam rapidamente após o início da carreira. Devido às promoções automáticas baseadas nos anos de serviço e da participação em programas de formação, em 15 anos de carreira os salários se tornam duas a três vezes superiores ao salário inicial, em termos reais. Essa evolução supera significativamente a maioria dos países no mundo.
Um segundo aspecto destacado no relatório são as vantagems oferecidas aos professores dentro do sistema de previdência.
Além disso, vale destacar que os professores brasileiros têm direito a planos previdenciários relativamente generosos quando comparado a outros países da OCDE (ver o capítulo sobre a previdência). Essa generosidade dos benefícios previdenciários é muito superior aos padrões internacionais.
De acordo com o relatório, seria possível aumentar a qualidade do ensino fundamental em 40% e a do ensino médio em 18% sem aumentar as despesas com educação. Bastaria aumentar a eficiência na aplicação dos recursos e acabar com o desperdício.
Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília, concorda com as linhas gerais do estudo: “Existe um problema de gestão gigantesco. Não é pequeno, é gigantesco. Sem resolver isso, nem vale a pena botar mais recurso, porque existe a chance de ele ser mal aplicado”, avalia. 
Para o especialista, há ainda outros tabus que precisam ser enfrentados no universo educacional no Brasil, que passam pela questão pedagógica. Entre eles, o tamanho das salas de aula. “Na Ásia, você tem turmas grandes com resultados muito bons”, pondera. “Isso tudo são propostas. Se você leva isso para uma escola, te acusam de fascista”, diz. 
Já Gilmar Bornatto, professor da PUCPR questiona a metodologia usada pelo estudo do Banco Mundial e diz que a condição salarial no Brasil é, sim, um fato importante para a melhoria do magistério.“Os talentos acabam fugindo do magistério e a qualidade acaba caindo”, afirma.  
“Esse jovem que tem uma formação boa no ensino médio acaba procurando outra profissão. O que acaba vindo para o magistério vem de uma escola deficitária, da periferia, já trabalha, estuda à noite. E aí gera um professor que tem que correr atrás”, diz Bornatto. 
O documento do Banco Mundial também afirma que a profissão é desprestigiada, mas aponta outras explicações para o problema: a pouca seletividade na contratação desses profissionais e a falta de uma relação entre o salário e o nível de desempenho do professor.
O texto aponta alguns exemplos já aplicados e que mostram ser possíve, melhorar a educação com recursos limitados. 
O governo do Ceará, por exemplo, distribui os recursos do ICMS para os municípios de acordo com o índice de qualidade da educação de cada um.
No Amazonas, os professores passam por uma avaliação de desempenho no início da carreira e podem ser desligados se não cumprirem os requisitos. Os estados do Rio de Janeiro e de Pernambuco já adotam um bônus financeiro por desempenho para os professores.
“Todas essas experiências se mostraram custoefetivas, não somente melhorando o desempenho dos alunos, mas também aumentando a eficiência do gasto público em educação”, afirma o documento.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O que MASSACRES em escolas têm em comum?

O ataque que deixou dois alunos mortos em um colégio de Goiânia, aumentou a lista de ataques em massa em escolas brasileiras.

Movientação na frente de escola após crime
No Brasil, o último caso ocorrera há menos de um mês, em Janaúba (MG), quando um ex-funcionário invadiu uma sala de aula de educação infantil e ateou fogo, matando nove crianças e a professora. Nos Estados Unidos, situações como essas são recorrentes e apontam para uma epidemia de massacres cometidos dentro das dependências da escola. 
Um levantamento dos tiroteios em escolas e universidades americanas ocorridos entre 2012 e 2014, apontou que 70% dos atiradores eram menores de idade e em 36% dos casos pelo menos uma pessoa foi atingida. 
Em quase todos os casos, o perfil dos atiradores é de garotos adolescentes: desde 1974, em mais de 100 massacres ocorridos no mundo, apenas 4 foram feitos por mulheres.
Perfil
A ocorrência desse tipo de massacre pode estar ligada ao perfil dos jovens e à publicidade dos casos. “Pesquisas mostram que se tornar famoso é um dos objetivos mais importantes para essa geração”, diz Adam Lankford, professor de justiça criminal na Universidade do Alabama. “Não há dúvida de que existe uma associação entre a cobertura da mídia recebida por esses atiradores e a probabilidade de eles agirem”, diz ele.
De acordo com relato do delegado Luis Gonzaga Júnior, que investiga o caso, o tiroteio ocorrido em Goiânia foi inspirado pelo caso de Columbine e pelo Massacre do Realengo, em 2011. “Segundo informação do próprio adolescente, ele se inspirou em duas tragédias. E dessa inspiração fez nascer a ideia de matar alguém”, disse Gonzaga. 
O caso do Realengo foi o primeiro no Brasil com projeção mundial. Na ocasião, Wellington Menezes de Oliveira entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira identificando-se como um palestrante e disparou mais de 100 tiros contra os alunos, matando doze pessoas. Dos doze mortos, dez eram do sexo feminino. 
Inspirações
O Massacre de Columbine, em 1999, causou um aumento em número e frequência de tiroteios em escolas -  cometido pelos adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold deixou nove feridos e quinze mortos, incluindo os dois autores. 
Na ocasião, Harris e Klebold usaram espingardas para o tiroteio e planejaram uma ação terrorista com 99 explosivos escondidos na escola. A tragédia ganhou destaque mundial e inspirou atos similares em todo o mundo, em um fenômeno que especialistas chamam de Efeito Columbine: nos oito anos seguintes , 67% dos casos registrados nos EUA atribuíram inspiração no Massacre de Columbine.
Já o caso de Sandy Hook, ocorrido em 2012 também nos EUA, foi um dos maiores nos últimos anos: Adam Lanza, 20, matou a sua mãe, dirigiu até uma escola primária e atirou contra os presentes, assassinando 28 pessoas, incluindo 20 crianças. Nos três anos seguintes ao massacre, o número de tiroteios em massa aumentou no país – foram 944 tiroteios entre 2012 e 2015, sendo quase 300 no último ano do período. 

Levantamento realizado pelo FBI em 2013, contabilizando dados desde 2000, indicou um aumento no número de casos depois do Massacre de Columbine, com um crescimento ainda mais acentuado nos últimos anos. Segundo a pesquisa, o número de casos aumentou de 6,4 até 2006, para 16,4 entre 2007 e 2013. A maioria deles foram rápidos e mortais: 57% terminaram antes mesmo de a polícia chegar ao local e 40% deles tiveram pelo menos três mortes, sem contar o atirador – o total de mortos no período foi de 1.043 pessoas.
Massacres ocorridos em instituições de ensino, segundo dados do FBI, somaram 39 casos que resultaram em 117 mortos e 120 feridos. O maior deles aconteceu no Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia, em 2007 (32 mortos e 17 feridos), seguido do já citado massacre na escola primária de Sandy Hook, em 2012 (27 mortos e três feridos). Dos 14 tiroteios em escolas de ensino médio, 12 foram feitos por alunos da instituição.
Epidemia 
A motivação por meio de informações sobre outros massacres é parte do ciclo desses casos. De acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, os massacres se espalham de modo “contagioso”, como uma epidemia.  
“E se um modo de explicar a epidemia de massacres em escolas é pensá-las como uma manifestação lenta e crescente, em que cada nova ação dos participantes faz sentido em reação e combinação com aquelas que vieram antes dela?”, teoriza Malcolm Gladwell, em análise publicada na revista The New Yorker. 
O ponto em comum para grande parte dos massacres em escolas ao redor do mundo  é o bullying; levantamento feito pelo psiquiatra Timothy Brewerton com dados dos 66 ataques em escolas que ocorreram entre 1966 a 2011 indica que 87% dos atiradores sofriam bullying e foram motivados por desejo de vingança. 
“Para quem trabalha em escola, é relativamente simples perceber quando existe um tipo de agressão que leva ao sofrimento; você percebe pela reação do estudante que é humilhado. Então é necessária uma ação mais direta”, diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio. 
Para ela é importante ressaltar que bullying não é uma causa isolada: “A pessoa não mata alguém por sofrer bullying; ele é um desencadeador; a partir dele, distúrbios podem ser acentuados, levando a essas reações.” 
Ambiente
Pesquisadores apontam que esses massacres adquirem ainda mais dimensão por violarem um ambiente-chave para a construção da cidadania “[A escola] deveria garantir a segurança de centenas de crianças e jovens que ficam sob sua tutela”, aponta a antropóloga Gilda de Castro Rodrigues, em artigo sobre a relação entre bullying e massacres em instituições de ensino. 
Segundo Gilda, a negligência da comunidade escolar ao lidar com bullying e a falta de difusão de informações sobre saúde mental podem ser culpados pelos casos que culminam em massacres. “Para que não haja outros massacres em escolas, é indispensável que os alunos sejam receptivos ao diferente e os professores atentos à intimidação de colegas”.

Nas escolas públicas, 54,7% têm nível inadequado de alfabetização

Um levantamento do Ministério da Educação mostra que, nas escolas públicas, 54,7% das crianças do 3º ano do Ensino Fundamental têm um nível inadequado de alfabetização. 
Os dados fazem parte da ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização), feita pelo Inep (órgão do ministério) . 
A ANA consiste na aplicação de 20 questões objetivos de leitura, 3 de resposta discursiva e 20 objetivas de matemática. Cerca de 2,2 milhões de estudantes de 48 mil escolas foram avaliados em novembro de 2016.
Apesar do resultado ruim, houve uma evolução na comparação com 2014, quando o levantamento mostrou 56,2% dos alunos com nível inadequado de leitura. 
A avaliação de leitura tem os níveis 1 (elementar) 2 (básico) 3 (adequado) e 4 (desejável).  Apenas 13% dos estudantes foram classificados no nível desejado de leitura. Em 2014, eram 11,2%. 
A região Norte teve os piores resultados: lá, 73% dos estudantes estão nos níveis 1 ou 2.  No Nordeste, foram 69,1%. Depois, aparecem o Centro-Oeste (51,2%), o Sul (45,95% e o Sudste (43,9%). 
Dentre os estados, Minas Gerais, Santa Catarina e Ceará ficaram com os três primeiros lugares. Minas, o melhor da lista, tem 37,6% dos alunos abaixo do nível adequado. 

Os três últimos são Maranháo, Amapá e Sergipe - que obteve os piores índices, com 80,2% dos alunos em um nível inadequado de leitura. 
Escrita 
Na classificação de escrita, o índice vai de 1 a 5; os três primeiros são considerados inadequados.  Nesse quesito, o resultado foi melhor:a maioria dos alunos (66,1%) obteve nota 4 ou 5. 
Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais tiveram os melhores resultados. Na outra ponta, estão Amapá, Pará e Maranhão.
Matemática 
O levantamento também mostrou uma ligeira melhora no despenho de Matemática: 45,5% dos estudantes estão no nível adequado, ante 42,9% em 2014. Novamente, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo ocuparam os três primeiros lugares. Maranhão, Sergipe e Amapá ficaram no fim da lista.
Programa
O Ministério da Educação também lançou nesta quarta-feira a Política Nacional de Alfabetização. Ministra em exercício, Maria Helena Guimarães explicou qual será o núcleo do programa: “A principal iniciativa da Política Nacional de Alfabetização é um programa de apoio aos estados e municípios, às turmas do primeiro e segundo anos, com materiais didáticos de apoio, de acordo com a escolha dos estados e municípios, com apoio para o professor assistente e formação continuada”, disse.
A pasta também pretende criar o Mais Alfabetização, um projeto para financiar assistentes de alfabetização que trabalharão em conjunto com os professores dentro da sala de aula no primeiro e segundo anos do ensino fundamental. A ideia é atingir 4,6 milhões de alunos.



Estudante brasileira “dança” tese de doutorado e concorre a prêmio internacional


A pesquisadora e doutora pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Natalia Oliveira, está promovendo sua tese de doutorado de modo inusitado. Ela gravou, junto com o grupo de dança Vogue 4 Recife, uma performance para participação na competição mundial “Dance Your PhD”, promovida pela revista americana Science. O vídeo, publicado na página da UFPE no Facebook, é baseado em um tema árido: o “Desenvolvimento de Biossensores para as Ciências Forenses”. 
Na performance, Natalia dança pelas ruas de Recife e pelos laboratórios do Laboratório de Imunopatologia da UFPE, juntamente com o grupo de dançarinos. Os conceitos chaves da tese são apresentados com inspiração na série de TV “CSI”, acompanhado de trilha sonora e coreografias.
O concurso, que já está na 10ª edição, tem o objetivo de incentivar a divulgação de trabalhos científicos de modo acessível e interessante para o público geral. Promovida também pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), a competição desafia cientistas a explicarem as suas pesquisas de doutorado por meio de dança interpretativa. 
Neste ano, 53 pesquisadores enviaram vídeos e 12 foram selecionados para a etapa final da disputa. Natalia, única brasileira finalista, explica seu trabalho e como chegou ao concurso em entrevista à Gazeta do Povo. 
Do que trata sua tese de doutorado? 

Ela se baseou em desenvolver tecnologias que fossem aplicadas na ciência forense. Desenvolvi um aparelho semelhante ao que diabéticos usam para medir o nível de glicose no sangue, só que um modelo para detectar amostras biológicas que são encontradas em cenas de crime, como sangue, sêmen e saliva. Mas mesmo depois que o criminoso lava as amostras com álcool ou detergente, meu método ainda consegue detectá-las. 
De que forma você acredita que um concurso como esse ajudará a disseminar o trabalho científico? 
Quando usamos a arte e elementos da cultura pop em conjunto com a ciência, acabamos com a ideia de que ciência é algo inacessível, difícil de compreender. O que o concurso propõe é essa ideia de uma ciência mais acessível, para que todos entendam e possam colaborar. Com iniciativas como essa, saímos daquele pedestal de cientista intocável e tentamos trazer a população para junto da ciência, para que ela possa contribuir também para o desenvolvimento tecnológico do Brasil. 
A universidade apoiou sua participação no concurso? 
Até esse ano, não tinha conhecimento do concurso. Foi quando um pesquisador da UFPE me enviou um link, porque sabia que eu já trabalhava com teatro e tinha acabado de defender minha tese. Conversei com meu orientador e ele foi super favorável, além de nos autorizar a gravar no próprio laboratório. Não houve nenhuma resistência da universidade para a divulgação do vídeo. 
Você já tinha alguma relação anterior com a dança? 
Tenho uma pequena experiência; comecei em 2013. Em 2016 voltei aulas e desde o ano passado treino regularmente. Quando surgiu a oportunidade, levei a ideia para os meninos, eles toparam e criamos toda a coreografia em conjunto.