sexta-feira, 2 de junho de 2017

Como saber se um professor é ruim?


O vínculo positivo com o aprendizado é cultivado principalmente pela relação entre o aluno e o professor, desde os primeiros anos de escola. Porém, no dia a dia, essa ligação pode ser abalada por algumas atitudes que ficam, na maioria das vezes, na conta do educador.
Mas é importante não tachar simplesmente um professor de “ruim” quando ele perde a mão em algum ponto. Sob pressão, salários baixos e acúmulo de tarefas burocráticas, a profissão é repleta de estigmas. “E, contraditoriamente, exige profissionais pacientes, inteligentes e que tenham respostas para tudo”, observa Thalita Tomé, coordenadora pedagógica do programa Ensina Mais Turma da Mônica.
Além disso, a constante inquietação e autocrítica são características importantes para todo bom professor, que vai se preocupar diariamente com a melhor forma de ensinar. Algumas escorregadas comportamentais, porém, podem atrapalhar essa dinâmica. E todos saem perdendo.
“O objetivo do professor é mais do que ensinar bem, é ensinar o estudante a aprender. Atitudes contrárias, que não facilitam a relação com o aluno e o conhecimento, vou ter problemas com a aprendizagem. É preciso cuidar muito dessa relação vincular”, afirma Evelise Portilho, especialista em psicologia da educação e professora de Pedagogia da PUCPR.
Veja abaixo alguns sinais de que o professor precisa rever suas práticas (o interessante é que alguns valem também para o aluno que anda merecendo nota baixa).

1) Questões burocráticas vêm antes do conteúdo das aulas 
Neste item, o sistema é determinante, já que costuma envolver o educador em inúmeras tarefas burocráticas. Além das pilhas de provas e trabalhos por corrigir, muitas aulas em diferentes escolas para completar o orçamento, o professor precisa preencher documentos que tomam um tempo precioso que poderia ser aplicado em preparar as aulas com mais calma ou em formação. Planejamento cuidadoso pode ajudar a equacionar o problema de falta de tempo. “Quando a turma não está correspondendo às expectativas, vale pensar: será que é o conteúdo ou é a forma com que eu estou passando para os alunos?”, sugere Cíntia Cargnin Cavalheiro Ribas, coordenadora do curso de pedagogia da Opet.

2) Falta de planejamento 
O professor se perde na falta de planejamento e chega para as aulas sem muito repertório. Não leu o conteúdo a fundo, não preparou a aula e vai tentar improvisar em cima da hora. As atividades também brotam na pressão da necessidade de avaliar o aluno, mas sem método ou propósito claros. Segundo Evelise Portilho, indícios de que o professor está um tanto perdido podem ser percebidos por material enviado por ele para casa. “As instituições que formam o corpo docente no Brasil não trabalham organização e planejamento. É preciso que o professor busque essas ferramentas para conseguir ter uma rotina mais tranquila”, avalia Thalita.

 3) Diálogo dificultado com alunos e pais 
Comunicação entre o educador e a família de seus estudantes é primordial. Se o educador coloca muitas barreiras para esse diálogo, mau sinal. Quando, além disso, a comunicação também for truncada, ou pior, desestimulada durante as aulas, o ambiente de aprendizado também fica comprometido. Que aluno vai se sentir confortável para sanar dúvidas ou pedir referências a respeito de um assunto pelo qual se interessa? A recomendação é insistir no contato e se, mesmo assim, o professor for avesso ao diálogo, pedir que a direção ou coordenação pedagógica faça esta mediação. Ficar atento à política da escola antes da matrícula também é indicado. “Há instituições mais fechadas, em que os professores são proibidos de conversar na porta da escola, por exemplo. Às vezes o problema é da instituição”, diz Cíntia.

4) Conteúdo desatualizado 
Por mais jovens que os alunos sejam, eles conseguem perceber, nos gestos do professor, seu domínio (ou falta de) sobre o conteúdo que está ensinando. “As emoções são expressas no físico e as crianças conseguem dizer quando um professor não está bem ou está pouco à vontade. Isso interfere bastante na disposição deles”, diz a professora da PUCPR.

5) Atitude combativa com os alunos 
O professor tem uma atitude mais agressiva e não abre espaço para interrupções ou dúvidas. O que ele expõe é lei e o aluno fica acuado diante da postura enérgica do mestre. “Ansiedade, em alguma medida, é interessante para o aprendizado porque obriga a ser proativo. Mas quando o medo é muito grande, paralisa”, avalia Evelise. De acordo com a professora, ao contrário do que se acredita, estudos têm mostrado que professores jovens tendem a ser mais autoritários do que os mais experientes. “Quando há uma insegurança no manejo da profissão, essa postura arredia busca evitar a exposição de eventuais falhas”, afirma.

 6) Jogar a responsabilidade da aprendizagem para a família 
Os pais devem observar as devolutivas do professor para avaliar se ele não está colocando nas mãos da família a responsabilidade da aprendizagem da criança. “Há casos em que o profissional relata dificuldade do aluno. Mas, após testes, fica provado que, na verdade, não houve adequação metodológica em sala de aula”, exemplifica Cíntia.

7) Não levar em conta diferentes tipos de aprendizagem 
Ter em mente as particularidades de cada aluno é praxe do professor e é preciso buscar estratégias metodológicas que atendam a essa diversidade dentro de uma sala de aula. “É preciso estar aberto a mudanças e isso só se consegue com atualização. Como professora, percebo que preciso disso quando minhas expectativas não estão sendo atingidas. Os alunos estão agitados demais e eu não consigo fazer o meu trabalho ”, afirma Cíntia.

FONTE:http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/como-saber-se-um-professor-e-ruim-eb3a6iy9lfdnthtvwt4qvn05g


De que maneira os professores podem ensinar melhor?

Erros e acertos em sala de aula não precisam ser guardados a sete chaves. Expor a própria aula para a avaliação de colegas e, em alguns casos, da família dos alunos, pode ser a solução para melhorar a performance como educador. O sistema de mentoria, pelo qual o desempenho dos professores é acompanhada de perto pelas instituições, não é realidade para a ampla maioria da rede de ensino no Brasil (veja exemplos abaixo ), mas pode ser uma etapa valiosa para a formação continuada dos mestres.
A figura do pedagogo, que, no dia a dia das escolas é disputadíssima, seria responsável, a princípio, por orientar os professores. Na realidade do ensino municipal de Curitiba, por exemplo, os professores têm 1/3 de sua carga horária semanal reservada para planejamento de aulas. “Mas eles acabam não tendo essa prática de de discutir com os colegas, com um planejamento coletivo, em que se falasse de soluções comuns”, afirma Verônica Branco, professora de prática de ensino do setor de Educação da UFPR. 
Nesse contexto, até mesmo a participação dos pais nas aulas não seria descartada. “Isso teria que ser planejado com a pedagoga da escola, mas é possível. Se o professor é bom, tem um planejamento que não vai ser atrapalhado pelo acesso da família”, diz Verônica Branco. 
Coordenador do GEPEC (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada) da Unicamp, o professor Guilherme do Val Toledo Prado acredita que a abordagem é válida, mas reforça que é preciso haver uma preparação para esse acompanhamento sistemático do trabalho do professor. “Quem tem que dar o tom dessa parceria são os interessados no processo, que são os professores e os alunos. Um médico não seria acompanhado pela família em uma cirurgia se não fosse avisado e preparado para isso”, compara. “Essa participação tem que ser construída sem penalização, sem um clima de fiscalização. Mas pode ser uma boa abordagem. Um pai dentro da escola vai ver, por exemplo, que o professor trabalha com 40 alunos, dos quais quatro têm necessidades especiais. E talvez conclua que esse educador precisa de ajuda em sala de aula”, diz. 
Na opinião de Ricardo Antunes de Sá, professor do setor de Educação da UFPR, esse “acompanhamento” de colegas ou comunidade só deveria ser feito a pedido do educador. “Eu acho que na instituição privada o professor poderia se submeter a uma ‘mentoria’. Na escola pública isso seria muito mais difícil e enfrentaria profunda resistência. Para mim, o caminho ou a estratégia de formação continuada do professor precisa ter uma dimensão institucional”, acredita. 

Aprender a ensinar 

Com a absorção das teorias construtivistas no sistema de ensino, o papel do professor como principal figura do cenário do aprendizado foi revisto. A ‘habilidade’ do educador deixou de ser o único fator para explicar uma experiência bem-sucedida dentro da sala de aula e a figura do estudante é, neste contexto, bem menos passiva na construção do próprio conhecimento. Mesmo assim, ainda que para os recém-formados,  a antiga mentalidade ainda permeia essa formação. 
“Aprender a ensinar” passa também por uma intensa busca por aperfeiçoamento. Ricardo Antunes de Sá, professor do setor de Educação da UFPR, não acredita que ser ‘observado’ pelos colegas seja necessário para isso, mas o estudo coletivo precisa ser estimulado. “As escolas devem ter um programa de formação e qualificação profissional permanente. Sem dúvida que o professor precisa de suporte, de apoio e de incentivo permanente por parte das mantenedoras (públicas e privadas). Isso deveria ser uma ‘lei’ para todas as instituições de ensino”, afirma. 

Experiências 

O sistema de mentoria já é aplicado no Colégio Sesi desde 2005. O professor que entra na rede passa por uma formação sobre a metodologia e também por uma prova que avalia a força dos conteúdos que vai ensinar. Caso seja detectada alguma fragilidade, o professor passa por um treinamento que vai reforçar os currículos que vão garantir que ele tenha o domínio do conteúdo. 
Em sala de aula, uma pedagoga vai acompanhar esse desempenho semestralmente. “Há um checklist que vai verificar o domínio do professor, a relação dele com os alunos, o trabalho dele nas equipes, a condução de plano de aula dele. Ao final, o professor terá uma nota e um feedback sobre os pontos fortes e o que precisa ser aperfeiçoado”, diz Lilian Luitz, gerente de educação básica e continuada do Sesi no Paraná. 
Os professores também são avaliados pelos alunos da rede (que atende ensino fundamental e médio), que vão atribuir notas que serão confrontadas com a do pedagogo. Somadas as notas, o Sesi saberá em que pontos precisa apoiar e fortalecer o educador. A hora permanência, em que é feito o planejamento, tem momentos de estudo em grupo e individual, com o pedagogo. Palestras e formações pontuais, como recentemente foram feitas sobre o jogo Baleia Azul, bullying e depressão também fazem parte desse apoio. 
De acordo com Luitz, isso já se tornou uma cultura na rede. “A entrada do pedagogo em sala é uma prática, ele acaba se habituando e a abordagem é muito construtivista”, afirma a gerente. 

Outro exemplo de acompanhamento é o feito pelo Colégio Militar de Curitiba (CMC), que conta com corpo docente composto por 46% de professores militares. Em nota, o CMC explicou que a coordenação pedagógica assiste às aulas e preenche uma ficha que avalia a prática do professor. “Os pontos fortes são enaltecidos e as oportunidades de melhoria são discutidas, a fim de aprimorar sua prática”.

Dormir bem para aprender: pesquisa mostra que sono ruim atrapalha aprendizado


Não é de hoje que educadores e neurocientistas têm batido nessa tecla: dormir bem é imprescindível para um bom desempenho escolar. Horas reduzidas de sono não só afetam a capacidade de concentração, influenciam o humor e alteram a disposição: elas também prejudicam a consolidação do que é aprendido em sala de aula. Um novo estudo da Universidade de Zurique, na Suíça, traz mais detalhes sobre essa relação.
Em parceria com Nicole Wenderoth, docente do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, o professor Reto Huber conduziu um experimento que manipulou o sono de seis mulheres e sete homens. "Desenvolvemos um método que nos permite reduzir a profundidade do sono em uma determinada parte do cérebro e, portanto, provar a conexão causal entre sono profundo e eficiência de aprendizagem", afirma Huber em artigo publicado pela revista Science no último dia 23. 
No estudo, as cobaias tiveram que aprender três tarefas motoras diferentes ao longo de alguns dias. A atividade cerebral foi monitorada por eletroencefalograma durante o sono. No primeiro dia, todos dormiram sem interrupções. No dia seguinte, sem que os participantes do experimento soubessem, houve estimulação sonora direcionada para o córtex motor, responsável pelo aprendizado das tarefas ensinadas na experiência.

A pesquisa suíça conseguiu demonstrar os efeitos de um sono de má qualidade: a manipulação do sono teve como consequência o aumento dos erros nas tarefas propostas e o enfraquecimento da aprendizagem. "Na região fortemente estimulada do cérebro, a eficiência de aprendizagem estava saturada e não podia mais ser alterada, o que inibiu a aprendizagem de habilidades motoras", detalha Nicole Wenderoth. Com o método, os pesquisadores pretendem avançar também em outros estudos, como o da epilepsia.
A falta de sono compromete o desempenho escolar, entre tantas atividades, porque não dá chance para um “relaxamento” para as sinapses – ligações entre os neurônios – que são estimuladas intensamente enquanto estamos acordados. Grosso modo, precisamos de uma fase de recuperação, em repouso completo, para que novas informações sejam fixadas pelo cérebro. “É importante dormir bem antes de aprender para estarmos de prontidão a novos estímulos. Mas também é pelo sono que consolidamos a memória recente, daí a importância do sono profundo após uma aula”, diz o neurocientista Fernando Louzada, professor do Departamento de Fisiologia da UFPR.

Sem bocejo 
Não é lenda: as necessidades de sono variam de idade para idade, de pessoa para pessoa. “Por isso passamos a falar em uma faixa desejada de horas de sono e não uma duração específica”, explica Fernando Louzada (veja abaixo o número recomendado de acordo com a fase da vida).
 Na adolescência, adormecer cedo e assim evitar o cansaço extremo na manhã seguinte fica mesmo mais difícil – e não é apenas questão de se privar voluntariamente do sono por atividades excessivas ou pelas muitas horas dispensadas a aparelhos eletrônicos. “As mudanças no organismo durante a puberdade tornam o sono mais complicado. O adolescente não consegue antecipar a hora de deitar”, conta o professor da UFPR.

Adaptações nas escolas propostas pela neurociência 
Sesta para crianças 
Algumas crianças não precisam de sono diurno, enquanto outras sim. Por isso, é recomendado que se insira dois espaços dentro da escola: um para cochilo depois do almoço e outro para atividades lúdicas ou de leitura para quem não sentir sono.

Reconhecer ritmo dos adolescentes 
Paradoxalmente, enquanto os adolescentes naturalmente passem a atrasar o sono, muitos começam a estudar de manhã e saem da cama antes de cumprir suas necessidades de sono. É fortemente recomendado que as escolas mudem o horário de início das aulas para mais tarde para essa faixa etária.

Horários flexíveis 
Para atender matutinos e vespertinos, aulas começariam e acabariam duas horas mais cedo para um grupo de alunos. Por exemplo, considerando-se uma carga horária de cinco horas (corresponde à realidade brasileira), aqueles com tendências matutinas iriam à escola das 7h às 12h; vespertinos, das 9h às 15h. A proposta é baseada em uma década de estudos do Laboratório de Cronobiologia Humana da UFPR.

Tempo de sono por idade 

Até 3 meses
RECOMENDADO: 14 a 17 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 10 horas

4 a 11 meses 
RECOMENDADO: 12 a 15 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 9 horas

1 a 2 anos 
RECOMENDADO: 11 a 14 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 8 horas

3 a 5 anos 
RECOMENDADO: 10 a 13 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 7 horas

6 a 13 anos 
RECOMENDADO: 9 a 11 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 6 horas

14 a 17 anos 
RECOMENDADO: 8 a 10 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 6 horas

18 a 25 anos
RECOMENDADO: 7 a 9 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 5 horas

26 a 64 anos
RECOMENDADO: 7 a 9 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 5 horas

Acima de 65 anos 
RECOMENDADO: 7 a 9 horas
PREJUDICIAL: abaixo de 4 horas

Fonte: Fernando Louzada, professor do Departamento de Fisiologia da UFPR.
FONTE:http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/dormir-bem-para-aprender-pesquisa-mostra-que-sono-ruim-atrapalha-aprendizado-6cv0m31txcm9io46ugg4pclgj

sexta-feira, 24 de março de 2017

Primeiros passos na escolha da profissão


Como se não bastasse toda a tensão envolvida na formatura e nos estudos para o ENEM e os vestibulares, os adolescentes e jovens passam por uma fase difícil quando concluem o ensino médio: a escolha de um curso de graduação e uma profissão que poderá definir o resto de suas vidas.
Como fazer essa escolha quando não se sabe nem por onde começar?
A escolha da profissão sempre deve começar com autoconhecimento. Conhecer os valores que são importantes para você, suas habilidades, seus dons, suas paixões, tudo isso faz parte do primeiro passo na escolha da profissão.
Um exercício interessante que você pode fazer é o seguinte:
1.Faça uma lista de 9 valores que são importantes para você (por exemplo: “ter liberdade”, “ficar perto da família” ou “ser independente”).
2. Dentre esses 9 valores, escolha os 3 principais, aqueles que você não está disposto a abrir mão de jeito nenhum.
3. Deixe a sua lista de valores de lado por um momento, e faça uma outra lista com as profissões ou funções que gostaria de exercer (pode ser qualquer coisa que você se imagina fazendo e que poderia te fazer feliz)
4. O próximo passo é riscar da sua lista de profissões aquelas que não permitem que você mantenha os seus 3 valores principais (por exemplo: se “ficar perto da família” é um dos seus valores principais, um trabalho que exija mudança ou viagens frequentes, pode ser descartado).
5. Por último, tente reduzir a sua lista de profissões a 3 ou 4, assim ficará mais fácil seguir com os próximos passos.
Depois de fazer esse exercício, pesquise sobre as profissões que selecionou. Consulte nos sites de algumas Faculdades ou Universidades qual é a Matriz Curricular dos cursos, ou seja, quais são as disciplinas que você irá estudar. Procure saber o que faz um profissional formado nessa área, como é o seu dia-a-dia de trabalho? Essa informação você pode conseguir nas próprias Faculdades, em Conselhos Regionais da Profissão, visitando o local de trabalho de algum profissional da área, ou ainda participando de Mostras ou Feiras de Profissões da sua cidade que falem sobre o tema.
É importante também que você faça uma lista das Faculdades e Universidades que oferecem esses cursos, qual o turno em que os cursos são oferecidos, e qual o conceito dos cursos em cada uma das instituições. Para isso você poderá fazer uma pesquisa no site do Mistério da Educação .(http://emec.mec.gov.br/)

Após esses exercícios e pesquisas, com certeza você estará mais preparado para fazer uma escolha mais consciente e com menor probabilidade de erro. Se, mesmo assim, você começar uma graduação e perceber que não era o que esperava, não tenha medo de recomeçar a busca. E se sentir que não consegue chegar a uma decisão sozinho, existem hoje no mercado os Coaches Vocacionais, que podem ajudar muito nessa importante fase.
 *Artigo escrito por Sheyla Mara Coraiola e Angela Mara Coraiola da Vanguarda – Curso Preparatório para ENEM, insituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

Igualdade de gênero: Repensando a educação dos meninos


Ilustração do Guia "Adolescentes, jovens e educação em sexualidade"Ilustração do Guia “Adolescentes, jovens e educação em sexualidade”
No mês do Dia Internacional da Mulher, é inevitável (e desejável, inclusive) que sejam retomadas reflexões e diálogos sobre as desigualdades de gênero. Dentre os desafios que pipocaram em conversas e leituras nessa primeira quinzena está o de educar meninos para que eles não reproduzam violências simbólicas, verbais, psicológicas, sexuais e físicas contra meninas e mulheres.
A importância de discutir gênero com esse público é inegável: se meninos e homens são parte do problema, também têm um papel importante na solução. Uma primeira barreira que precisa ser quebrada é a interpretação de que a violência de gênero se restringe só à violência física ou ao desrespeito/confrontação direta de uma pessoa para com a outra (“Eu, reproduzindo violência contra a mulher? Imagina, eu jamais encostaria um dedo na minha namorada!”). Da mesma forma como as pessoas de pele branca, por exemplo, têm dificuldade em perceber o caráter institucional do racismo, achando-o reduzido ao preconceito racial.
As violências de gênero estão no que ensinamos aos meninos sobre como se relacionarem com as meninas e quais expectativas terem dessas relações (É normal querer que a namorada só saia para se divertir comigo, porque “tenho ciúmes”? É aceitável que eu interfira nas roupas que ela usa? E ter acesso à conta dela no Facebook, mensagens de Whatsapp…?). Está no que ensinamos sobre sexualidade (Que sinais devem ser entendidos como os de alguém que está interessada em mim? Antes de beijar uma garota, devo perguntar se posso? Falar que essa é a minha intenção?). E no uso que fazemos da tecnologia (Se um amigo me manda uma foto da ex-namorada sem roupa, o que eu faço? E se essa garota começar a ser assediada na escola porque a mesma foto foi enviada para outras pessoas também?).
Existem materiais disponíveis na web que sugerem formas de começar a trabalhar essas e outras questões, como o Plano de aula da iniciativa “O Valente não é Violento”, coordenada pela ONU Mulheres; o guia “Adolescentes, Jovens e Educação em Sexualidade” do Instituto Promundo; e a cartilha LIVERESPECT (“Viva o respeito”, ou “Viva, respeite”, em tradução livre), da organização norte-americana A Call to Men (“Um chamado para os homens”). Esta última está disponível somente em inglês, mas o cofundador da ACTM Tony Porter aparece em um vídeo do evento TED Women em 2010 que possui legendas em português no site do TED Talks.
Além de incitar a reflexão sobre comportamentos dos estudantes, é vital olhar também para o papel e as atitudes dos educadores no ambiente formal de ensino: Como a escola responde a situações de violência de gênero que acontecem dentro e fora de seus muros? Existe consenso entre o corpo docente sobre como agir nos casos de assédio dentro da escola? E quando o problema está dentro de casa e afeta o desempenho escolar do ou da estudante?
Fácil seria interpretar que a escola não tem nada a ver com o tema: sua missão é alfabetizar, ensinar matemática, física, geografia… e não interferir nas relações entre os educandos, isso é educação que vem de casa! Em Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire fala sobre a impossibilidade de a educação ser neutra diante daquilo que acontece no mundo e sobre o seu caráter técnico, do ponto de vista do ensino de conteúdos, mas também ético, que implica em fazer escolhas e intervir diariamente sobre a realidade. “Para que a educação fosse neutra era preciso que não houvesse discordância nenhuma entre as pessoas com relação aos modos de vida individual e social, com relação ao estilo político a ser posto em prática, aos valores a ser encarnados”, explica o educador.
Por essa mesma razão é que se faz necessário o processo de desconstrução daquilo que foi aprendido, mas nunca dialogado. Porque sem a consciência de como nossas atitudes nos afetam e afetam aos outros (e principalmente estes), tomaremos sempre decisões de maneira inconsciente, “automática”, já que nunca fomos incitados a cavar mais fundo para descobrir o que está debaixo da superfície.
* Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no Blog Educação e Mídia.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Pelo bem de nossas articulações (ósseas e sociais)!


Muitas crianças estão viciadas em celulares e tablets. A farta e encantadora oferta de jogos e vídeos online cai como uma luva na rotina de algumas famílias. É que, além de gerar entretenimento, esses atrativos mantém os filhos quietos por longos períodos, sem bagunçar a casa, ou protegidos dos perigos de se machucar brincando. Junta-se aí a fome com a vontade de comer. A internet, os vídeos e os games são uma espécie de “sossega leão”. Assim, os produtos da indústria do entretenimento virtual infantil não servem apenas às crianças. Servem também aos pais que, de acordo com suas conveniências, deixam as novidades tecnológicas ocuparem um espaço fundamental na formação de seus filhos.
Arquivo
O preço dessa solução é em geral desmedido. Os prejuízos são herdados pelas crianças. Problemas posturais como cifose, escoliose e outras perturbações de ordem física são uma das faces negativas dessa relação. Pouca gente está atenta a isso, afinal é muito difícil identificar o avanço dessas doenças a curto prazo. Pesquisas no campo da ortopedia nos alertam que estamos diante de uma pandemia mundial de doenças cervicais na infância causadas pelo excesso de uso de smartphones. Essa dura realidade faz parte do pacote oculto oferecido por esse novo modelo de entretenimento, que é capaz de concentrar em uma única tela uma gama infinita de possibilidades de diversão. Um mundo encantador, de desafios, lutas, disputas e conquistas, está ao alcance dos dedos das crianças. Não é preciso mais levantar do sofá, dar voltas na casa, subir no muro, construir castelos e quartéis generais para conquistar ou salvar o mundo.

Mas há algo ainda mais complicado aí. Ficar no computador, tablet ou celular por horas a fio pode significar uma redução drástica das possibilidades de interação social. Ainda que existam propostas de jogos em rede, ou plataformas que permitem interação virtual, como os sites em que as crianças criam seus perfis, formam clãs e se comunicam frequentemente, ainda assim o convívio social e a experiência cultural estarão sempre restritos às condições e limites de cada dispositivo ou aplicativo. Não haveria mal nenhum nisso não fosse a quantidade de horas que essas atividades ocupam. Os jogos eletrônicos e vídeos são produtos culturais fabulosos e é inegável que há neles contribuições importantes para o desenvolvimento das crianças. Mas há que se ter equilíbrio. Há que se mover. É preciso cair e se levantar. É fundamental machucar-se e aprender a lidar com a dor.
A pergunta que podemos fazer em nossa relação com filhos, ou com alunos, é a seguinte: que oportunidades a criança está tendo de criar sua própria atividade, de frustrar-se com seus erros e tentar novamente, de empreender fantasias brincando, de explorar materiais diversos e de estabelecer novos vínculos sociais e amizades?
O brincar à moda antiga é um contraponto interessante que pode ajudar a equilibrar essa equação. Brincadeiras tradicionais carregam referências culturais importantes e também são fonte de conhecimento para as crianças. Refiro-me às variações de pega-pega, esconde-esconde, jogo com bola, corda e elástico, quebra-cabeça, jogo de mãos, bater cartinhas, subir em árvore, brincar de casinha e carrinho, envolver-se na representação de papéis etc. Esse brincar à moda antiga pode ser orientado por adultos em alguns momentos, mas é fundamental que a criança encontre tempo e espaço para descobrir o que fazer durante a brincadeira. É preciso sentir tédio para que algo novo venha à mente e a criatividade aflore. Fornecer entretenimento o tempo todo à criança é decretar morte à criatividade. Além disso, ao empreender por conta própria a sua atividade, a criança acessa referenciais importantes da vida em sociedade.
Por exemplo, ao brincar de ser mãe ou pai com seus colegas, cuidando de bonecos e bonecas, arrumando a casa, a criança apreende e exercita regras dos comportamentos maternal e paternal. É que essas regras sociais, com as quais ela própria interage em seu cotidiano, migram para a brincadeira e são de algum modo redistribuídas pela criança de acordo com suas necessidades. Questões da ordem do dia, da memória afetiva, aparecem na “cena” que a criança inventa, são selecionadas e misturadas de acordo com os seus interesses, compondo uma nova realidade. Na hora de montar a brincadeira, a criança precisa pensar nas escolhas que fará. Pensando em ser pai ou mãe, ela se depara com os significados e atribuições destes papéis e opera interpretações sobre eles. A “cena” criada pela criança é fruto de sua imaginação. Mas o que ela vive na brincadeira é real, pois seus sentimentos e suas ideias estão sujeitos à coerção e ao constrangimento alheio que surge da experiência com os outros.
Pais e educadores podem estimular a prática de brincadeiras tradicionais, brincando junto com as crianças e definindo limites de tempo para a criança estar diante de uma tela. Há que se ter alguns dias sem tela. Em minha casa instituímos, como costume, uma semana sem tela por mês. Funciona muito bem. É uma semana inteira na qual, nem as crianças, nem o casal, liga telas. Isso tem gerado descobertas incríveis. Quando a semana sem tela sem aproxima, já vem aquela expectativa de que faremos coisas diferentes. A gente volta a conversar com mais intensidade. Cantamos. Saímos para pequenos passeios pelo bairro no início da noite. Jantamos ouvindo música. Jogamos xadrez e lemos. Uma semana sem tela por mês em casa é suficiente para nos lembrar o quão maravilhoso é estar sem a internet ao nosso dispor o tempo todo.
Tenho acompanhado, nos cursos que realizo pela Parabolé Educação e Cultura, que há um desejo crescente, entre pais e educadores, de conter o avanço desta dependência lúdica que está se formando diante das telas. Muitas escolas e Secretarias Municipais de Educação nos procuram solicitando assessoramento nessa área, pois identificam que o vício nas telas está comprometendo os processos de aprendizagem convencionais e afetando as dinâmicas de convívio de crianças entre si.  Há pais que nos escrevem para falar sobre isso. Eles reconhecem a dificuldade de estabelecer limites para o uso dos tablets e celulares. Alguns de nossos livros e DVD’s são por eles utilizados como fonte de pesquisas de brincadeiras tradicionais, porque o brincar à moda antiga está atrelado à sua memória afetiva e ganha um significado especial se revivido pela nova geração.
Não se trata, portanto, de demonizar as novidades tecnológicas. Pelo contrário, o que está em jogo é compreendê-las em todas as suas dimensões para que, dentro de limites razoáveis, possam ser cada vez melhor aproveitadas. Acredito que as novas formas de entretenimento podem conviver com as velhas. O fato de termos brincado de esconde-esconde ou de pega-pega durante milênios sem cessar, faz crer que algo de substancial há nestas antigas práticas. Pular, cair, levantar, balançar, montar, quebrar, correr, fugir e pegar foram, ainda são e sempre serão práticas com as quais teremos que conviver para o bem de nossas articulações ósseas e sociais!
 *Artigo escrito por Nélio Spréa. Doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná. Graduado em música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná. Palestrante, escritor e diretor da Parabolé Educação e Cultura.

A necessidade contemporânea de múltiplos adultos para educar.

Nossa sociedade mudou e a forma das famílias educarem as crianças também. Se por milhares de anos esses cuidados eram delegados quase integralmente às mães, hoje a tarefa comumente está dividida com mais pessoas, sejam familiares ou profissionais, como educadores e babás. A qualidade dos cuidados desse time será decisiva para o desenvolvimento dos potenciais do indivíduo, assim como suas falhas poderão deixar marcas nessa pessoa em desenvolvimento.
Há poucas décadas as mulheres ampliaram seus horizontes e passaram, seja por desejo ou por necessidade, a buscar espaços além de cuidar do lar e da família, como predominantemente fizeram por milênios. Junto com os novos desafios do mundo do trabalho, muitas continuaram como a principal responsável pelo cuidado da casa e das crianças, gerando um acumulo de papéis.
Para a maioria dos homens ainda levará um tempo para atingir seu pleno potencial nesse desafio de dividir os cuidados, que por gerações não lhe foram atribuídos. Há uma significativa alienação dos pais que, mesmo estando por perto, muitas vezes não assumem suas responsabilidades. Não é raro que pais tenham pouco ou nenhum contato com os seus próprios filhos.
Diante desse contexto, novos arranjos são necessários para cuidar das necessidades das crianças, que independente de toda reestruturação da sociedade, continuam precisando de adultos para sua sobrevivência e desenvolvimento saudável. Avós, tios, irmãos mais velhos e outros parentes são chamados para apoiar nessa missão, que também precisa de profissionais, sejam os centros de educação infantil, escolas, atividades complementares ou, nas classes mais favorecidas, as babás.
Como será o desenvolvimento da criança com esses arranjos dependerá da qualidade com que esse grupo atuará. Como em toda crise, oportunidades e ameaças surgem.
Se a orquestra que tocar a música do cuidado dessas crianças não estiver comprometida, atrasarem suas participações, confundirem a criança tocando canções antagônicas e ruidosas, ou preferirem mudar de plateia e delegarem sua missão para as cantigas da Galinha Pintadinha, acontecerão riscos nesse desenvolvimento humano.
Se os músicos estiverem afinados, com objetivos claros e alinhados, com amor e competência, com talentos para tocar diferentes instrumentos, com um ou mais maestros que assumam a liderança quando preciso, pode se criar uma canção com a riqueza de variados sons, elevando o potencial de desenvolvimento desse indivíduo.
*Artigo escrito por Luciano Diniz, Coordenador da Pós-graduação em Educação Integral Transformadora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve programas de educação integral transformadora para adolescentes, professores e famílias. O profissional é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.