sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Internet e TV levam escola a 38 mil alunos no Amazonas

Secretaria de Estado estima que ainda faltam 8 mil professores para suprir plenamente a rede de ensino convencional


Divulgação/Seduc
Estúdio de gravação do Centro de Mídias

A falta de infraestrutura aliada a peculiaridades geográficas tem motivado a implantação de inovações tecnológicas na educação do Amazonas, nos últimos sete anos. No Estado mais extenso do país, com os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo em quantidade de ilhas (Mariuá e Anavilhanas) e com 25% da população morando em comunidades isoladas, o acesso ao ensino médio é prejudicado pela falta de transporte e pelo fornecimento irregular de energia elétrica. Além disso, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) estima que ainda faltam 8 mil professores para suprir plenamente a rede de ensino convencional.

Para lidar com essa realidade, o Centro de Mídias de Educação do Amazonas surgiu com a proposta de levar escola aos alunos através de satélites e videoaulas. Atualmente, o projeto, que já ganhou 12 prêmios nacionais e internacionais, mobiliza 3 mil professores para atender pouco mais de 38 mil alunos por ano, divididos e 2.280 turmas, em todos os 62 municípios do Estado.
“Há dez anos tomamos a decisão de mudar a educação local, mas a implantação do projeto aconteceu em 2007. A gente precisa usar tecnologia para levar atendimento aos estudantes onde quer que eles estejam. Ainda assim, só atendemos 50% das quase mil comunidades isoladas pelo estado, ainda tem bastante público para ser atendido”, explica José Augusto de Melo Neto, secretário executivo da Seduc e diretor do Centro de Mídias desde sua concepção até este ano.
Apesar do conteúdo à distância, o Centro de Mídias tem a preocupação em desenvolver uma metodologia presencial. Dos estúdios localizados em Manaus, professores especialistas em suas disciplinas ministram as aulas sempre ao vivo e com um sistema de interatividade IPTV (internet por televisão). Do outro lado, em sala de aula, um professor presencial desenvolve as atividades propostas e complementa a formação.
“O professor presencial tem uma função pedagógica mais ativa que a de um tutor. Ele precisa atuar como professor para o projeto dar certo, é o elemento chave desse processo. Ele precisa motivar a participação dos alunos, é um meio termo entre a Educação à Distância (EAD) e presencial. Cada vez mais o caminho é a descentralização: o professor tem que ter autonomia. Ele precisa ter responsabilidade nas notas dos alunos”, diz Neto.
As dúvidas dos alunos podem ser sanadas diretamente em sala de aula ou indiretamente, através de uma assessoria pedagógica online com chat e email. As aulas também ficam gravadas no portal do programa em casos de revisão e reposição. O conteúdo segue orientação do Ministério da Educação (MEC) e cumpre as 800 horas/aula por ano, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
De acordo com a Seduc, metade dos alunos do projeto submetidos a avaliações nacionais como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tiveram média superior à estadual. A taxa de evasão coincide com a de reprovação e varia entre 5% a 10% no ano, abaixo da média nacional, 24,3% em 2012, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Piso do professor vai a R$ 1.918; valor é 34,4% menor que 'mínimo necessário'

Criada em 2008, lei institui salário mínimo para professor de escola pública e 1/3 da jornada de trabalho para planejamento

Aula do ensino médio em escola pública de São Paulo

O Ministério da Educação anunciou nesta terça-feira (6) o aumento do piso nacional do professor para R$ 1.917,78. O valor inicial para professores que trabalham 40 horas semanais e são formados no ensino médio é 34,4% menor que o salário mínimo necessário, equivalente a R$ 2.923,22, segundo o Dieese.
O reajuste significa um aumento de 13,01% em relação a 2014 e é mais que o dobro do primeiro piso instituído em 2008 (R$ 950).
Apesar da valorização do mínimo nos últimos anos, o salário médio do professor ainda  é muito menor do que o de profissionais de mesma formação. Dados da Pnad 2012, presentes no Relatório de Observação sobre as Desigualdades na Escolarização do Brasil, apontam que em média o docente de educação básica ganha o equivalente a 51% dos salários de outros profissionais. 
Uma das metas previstas no Plano Nacional de Educação, assinado em 2014, estabelece prazo de seis anos para equiparação do salário dos professores ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente.
"A lei teve um impacto bastante positivo de instituir um valor mínimo nacional. Mas, ainda que com todos os reajustes, ele ainda não é um valor expressivo para tornar a carreira do magistério atraente", indica a professora Maria Dilnéia Espíndola Fernandes, pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. 
Tempo para planejar aula
Além do valor ser considerado baixo, muitas redes municipais e estaduais ainda não cumprem a lei, que indica o vencimento mínimo sem benefícios e um terço da jornada fora de sala de aula, afirma Roberto Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
De acordo com levantamento da CNTE feito em maio de 2014, em ao menos oito das 27 redes estaduais os professores não tinham um terço do seu tempo dedicado apenas a planejamento.
"Uma questão tão importante quanto o piso é a hora-atividade, um terço do tempo do professor deve ser para preparar aula, estudar, ter contato com a comunidade. Se a rede paga o piso e não dá esse tempo para o professor, está pagando menos do que isso. Força os professores a trabalhar em outros horários sem receber por isso", comenta Juca Gil, pesquisador da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Redes pedem ajuda da União para pagar piso
Desde 2008, redes municipais e estaduais pedem mudança da regra de reajuste e contribuição da União para pagar o piso dos professores.
Em 2009, os governadores de Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina entraram com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei do Piso, que foi negada pelo Supremo Tribunal Federal. 
Municípios e Estados que não cumprem o piso, como o Rio Grande do Sul, pedem complementação da União para alcançarem o valor do pagamento mínimo dos docentes. 
Em nota ao iG, Vieira da Cunha, secretário da Educação do Rio Grande do Sul, reivindica recursos da União. "Todos nós queremos e gostaríamos de dar um reajuste como este, mas, infelizmente, a situação que encontramos nos cofres públicos não nos permite fazê-lo com recursos próprios."
De acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, o novo piso significará, no total, um aumento de cerca de R$ 7 bilhões nos gastos dos municípios. 
"Com certeza, teremos municípios e estados com dificuldade", disse Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). "Precisaremos da regulamentação dos royalties do petróleo e do PNE em funcionamento para garantir novos recusos. A arrecadação dos Estados e municípios foi menor que a esperada", acrescentou. 
Segundo Cleuza, a entidade voltará a se reunir com o ministro até o fim do mês para cobrar maior participação da União nos gastos dos entes federativos com educação. Também pedirá a retomada do grupo de trabalho para revisão do reajuste do piso.
* Com informações da Agência Brasil

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Brasil desperdiça um dia de aula por semana

Alunos brasileiros perdem em média um dia de aula por semana por conta de desperdício de tempo em sala de aula, gasto com atrasos, excesso de tarefas burocráticas (fazer chamada, limpar a lousa e distribuir trabalhos) e em aulas mal preparadas pelo professor - tempo este que deixa de ser gasto com o ensino de conteúdo.

DESPERDÍCIO

Essa foi uma das principais conclusões de um estudo recém-lançado pelo Banco Mundial que analisou o trabalho de professores na América Latina e seu impacto sobre a qualidade do aprendizado, a formação dos alunos e o desempenho desses países em rankings internacionais de educação.
A pesquisadora Barbara Bruns, uma das autoras do estudo, lembra que o tempo de interação entre aluno e professor é o momento para qual se destinam, em última instância, todos os investimentos em educação. "Nada desse investimento terá impacto na melhoria do aprendizado, a não ser que impacte sobre o que ocorre na sala de aula", diz ela.
O Banco Mundial avaliou 15,6 mil salas de aula, mais da metade delas no Brasil (classes dos ensinos fundamental e médio em MG, PE e RJ), e calcula que, em média, apenas 64% do tempo da classe seja usado para transmissão de conteúdo, 20 pontos percentuais abaixo de padrões internacionais. Confira a entrevista que Bruns, estudiosa da educação brasileira há 20 anos, concedeu por telefone à BBC Brasil:
BBC Brasil - O fato de um tempo tão significativo de aula ser perdido ajuda a explicar o desempenho abaixo da média dos países latino-americanos em avaliações internacionais?
Barbara Bruns - Sim, definitivamente é um fator. Em escolas no leste da Ásia, Japão, Cingapura, Finlândia e Alemanha, você não vê professores chegarem à sala de aula sem um material pronto, sem essa percepção de que o tempo precisa ser usado para ensinar e manter os alunos engajados, algo crucial para o aprendizado. E com frequência nas salas de aula da América Latina parece haver uma falta de organização por parte do professor.
Não parece haver a percepção da limitação do tempo e do que economistas chamam de custo de oportunidade de não usar esse tempo para o ensino. E o tempo entre alunos e professores na sala de aula é o ponto em que culminam todos os investimentos em educação: gastos com salários dos professores, com a formulação do currículo escolar, infraestrutura, material, gerenciamento. Nada desse investimento terá impacto na melhoria do aprendizado, a não ser que impacte no que ocorre na sala de aula. Vemos que na América Latina muitos países gastam uma proporção alta de seu PIB na educação, e não estão obtendo resultados porque esses investimentos não estão sendo usados (para aprimorar) o momento que os professores têm com os alunos.
Se professores estão perdendo 20% do tempo de instrução com os estudantes, é como dizer que estão sendo perdidos 20% dos investimentos em educação, porque não estão sendo usados para o ensino.

BBC Brasil - Como resolver isso?

Bruns - Primeiro, mudar a forma como o professor é preparado antes de entrar ao sistema de ensino. Na América Latina, há muito pouca ênfase (nos cursos preparatórios) sobre como gerenciar uma sala de aula, como ser um professor eficiente. Ouço com frequência de ministros e autoridades: as faculdades de pedagogia falam muito de filosofia, história da educação, das disciplinas (do currículo), mas muito pouco sobre a prática do ensino. Fazendo uma analogia com a medicina, ninguém ia querer um médico que fosse treinado apenas em história da medicina e em questões teóricas. Médicos passam vários anos aprendendo como lidar com pacientes reais. Os professores precisam dessa mesma oportunidade de praticar.
E o que vemos em sistemas educacionais de alta performance, desde Cuba – que tem boa tradição de treinamento de professores – ao leste da Ásia e ao norte da Europa, é que professores em treinamento passam muito tempo observando outros professores e sendo orientados. Isso quase não ocorre na América Latina.
Outra coisa que precisa mudar é o apoio a professores que já estão em sala de aula. Eles precisam receber "feedback" sobre sua performance, ver bons exemplos e ser estimulados a compartilhar conhecimento. O Rio está fazendo isso no Ginásio Experimental Carioca (projeto que traz mudanças em gestão e currículo escolar nos anos finais do ensino fundamental da cidade), mudando o calendário escolar para criar momentos em que os professores se reúnem para trabalhar juntos; ou colocando professores novos para observar os melhores e mais experientes. Uma das descobertas mais importantes e surpreendentes de nossa pesquisa é que, dentro de uma mesma escola, há grande variação na forma como os professores ensinam – desde o professor excelente até o que é muito pouco eficiente. Por isso, é preciso encontrar formas de estimular os professores a trabalhar juntos na escola, como fazem no Japão e na Finlândia.
O Banco Mundial tem um projeto com a Secretaria de Educação do Ceará para criar uma comunidade de aprendizado dentro de cada escola. Daqui a um ano saberemos que tipo de impacto isso terá (no ensino) de 350 escolas.
BBC Brasil - A preparação de professores é um dos maiores desafios educacionais da América Latina?
Bruns - Uma das estratégias mais importantes de curto prazo na região deve ser o treinamento de professores para que eles usem o tempo de aula de forma mais eficiente e, além disso, mantenham os estudantes engajados. Ao observar as salas de aula, descobrimos que, mesmo enquanto os professores estão ensinando, metade do tempo eles não conseguem manter os alunos focados no conteúdo. Víamos os estudantes dormindo, digitando no celular, conversando entre si, olhando pela janela.
E isso jamais seria permitido pelos professores do leste asiático, por exemplo – eles estariam dando um jeito de fazer com que todos estivessem engajados. Sabemos que, para aprender, os estudantes têm de estar engajados. No longo prazo, porém, o desafio é atrair um novo tipo de profissional à carreira de professor: fazer com que ela seja uma carreira atraente para os formandos de melhor performance (acadêmica), como acontece na Finlândia e Cingapura. Daí ficará muito mais fácil obter professores excelentes. Já na América Latina e nos EUA, a profissão ficou tão degradada que os professores acabam sendo recrutados entre estudantes de pior performance. Ou seja, é necessário criar incentivos para que pessoas com bom desempenho escolham a carreira.
E também acho que, quanto aos aumentos salariais – e há muitas evidências de que os salários dos professores precisam aumentar para atrair pessoas competentes -, eles devem ocorrer de forma diferenciada (de acordo com o desempenho). Não pode ser que professores bons e professores ruins ganhem a mesma coisa. É preciso criar incentivos para que as pessoas trabalhem melhor e para que os mais inteligentes entrem na profissão. Na América Latina, a maioria das promoções de carreira é com base em tempo de casa, em vez de desempenho. Então em alguns casos, dois professores ganham o mesmo salário, mas um faz um trabalho excelente e outro não faz nada.
A cidade de Washington fez uma grande reforma educacional, estabelecendo claros parâmetros para a excelência de professores e avaliando professores segundo esses parâmetros. Os que não os cumprissem eram demitidos ou tinham um ano para melhorar seu desempenho. Já os excelentes tiveram seus salários dobrados.
Passados quatro anos, mesmo em meio a polêmicas, os professores gostaram (do projeto), e o desempenho dos alunos de Washington passou a estar entre os melhores do país. Mas é bom acrescentar que o Brasil vive um momento empolgante: muitos secretários de educação e prefeitos querem fazer mudanças. Vemos diversas experimentações e inovações promissoras pelo país. Se conseguirmos medir esses experimentos, teremos (armas) poderosas. Nos 20 anos que estudo o Brasil, pude ver muitos avanços. Mas obviamente há muito a melhorar.

85% dos brasileiros acham que professores são pouco valorizados, diz pesquisa

Para entrevistados, valorização do professor e segurança são os fatores mais importantes para a qualidade de ensino









O professor brasileiro é menos valorizado pelo governo do que deveria para 85% dos brasileiros. Para 76%, a profissão também é menos valorizada do que deveria pela população. Os dados são da pesquisa "A Educação e os Profissionais da Educação", feita pelo Data Popular e divulgada neste sábado (22). 
O levantamento, feito a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE), entrevistou 3.000 pessoas de todo o País. 
As escolas públicas do país estão longe de ter uma educação de qualidade, segundo a opinião de 59% dos entrevistados. Apenas 6% consideraram a educação da rede pública boa. Outros 33% acham que as escolas estão perto de oferecer uma boa educação. 
Falta de segurança é grande problema da escola
Perguntados qual era o principal problema da educação pública no País, 28% citou a falta de segurança. A presença de alunos desrespeitosos apareceu em 15% das entrevistas. Para 9% da população, professores motivados e baixos salários dos docentes são o grande problema educacional.
Na pesquisa, a segurança e a valorização profissional apareceram como os fatores mais importantes para que uma escola tenha o ensino de qualidade.

Escola tem de mudar para reduzir desigualdades sociais, indica Unesco

Ensino de competências deve substituir foco do professor em conteúdo. Tecnologias em sala de aula precisam ser usadas para desafiar estudantes a criar seu método de aprendizado

"Se a escola não mudar, vamos colaborar para o aumento das desigualdades sociais", afirmou Francesc Pedró, chefe da Divisão de Políticas Educacionais da Unesco, durante a apresentação do estudo "Tecnologias para a Transformação da Educação" em São Paulo na última terça-feira (25).
O estudo, que reúne estratégias para o uso da tecnologia, aponta a qualidade da educação com equidade como o desafio dos países da América Latina para os próximos anos.
"Nos últimos 15 anos, tentamos garantir o acesso à educação. Agora precisamos pensar em como garantir o acesso com qualidade e equidade, para que a educação possa precisamente ajudar os estudantes a superar barreiras sociais", afirma Pedró. "Vemos a tecnologia como uma janela de oportunidade."
Entre os 65 países avaliados no último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os estudantes de países da América Latina apareceram nas últimas posições. O Brasil ficou em 55° lugar no ranking de leitura, 58° no de matemática e 59° no de ciências. O Pisa mostrou ainda que 15,7% da variação de performance entre estudantes brasileiros se deve a diferenças socioeconômicas.








Currículos devem focar em habilidades e não em conteúdos
Para melhorar a qualidade da educação, alguns são os eixos apontados pelo documento para transformar os projetos educacionais. Pedró destaca que há um consenso sobre a importância do desenvolvimento de habilidades e não mais do ensino de conteúdos.
"O professor deve deixar de ser aquela figura que passa conhecimentos para ser aquele que desperta curiosidades e dá problemas para que o aluno encontre soluções de maneira ativa e cooperativa”, indica.
Assim, as tecnologias devem ser usadas para a criação de um ambiente de aprendizagem que fomente o desenvolvimento de habilidades, com o acesso à internet, o uso de câmeras, telefones e outros dispositivos tecnológicos como ferramentas para a pesquisa e para a criação de produtos educacionais.
O representante da Unesco destaca que esses aparelhos e tecnologias já são usados por grande parte dos estudantes e professores da América Latina, no entanto eles ainda não foram integrados ao sistema de ensino.
"Com as tecnologias de comunicação, os estudantes resolvem exercícios de maneira cooperativa mesmo quando o professor pensou a tarefa de forma individual", comenta Pedró, ressaltando a necessidade de mudança na forma como são dadas aulas e tarefas escolares.
Troca de experiências de professores é essencial
“A OCDE vê a inovação com um enfoque sistêmico, além da tecnologia, que passa pela inovação na gestão da escola, no modo de dar aulas, na cooperação dos professores, na pesquisa em educação, entre outras coisas”, aponta Carlos González-Sancho, analista da direção de educação da OCDE.
O analista destaca que, apesar de diversas experiências novas serem adotadas por professores de todo o mundo, há poucos dados sobre práticas inovadoras na educação, o que dificulta sua avaliação e sua multiplicação. González-Sancho afirma ainda que o trabalho cooperativo e a troca de experiências entre professores é essencial para a melhora em escala dos resultados educacionais.
“A inovação quando acontece ilhada é pouco efetiva. Para que a inovação possa se disseminar é importante criar estruturas de redes que fomentem a partilha e a troca entre professores. Colocar em contato desde logo os docentes que estão fazendo projetos inovadores é um componente essencial para dar um salto em escala.”
    FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2014-11-27/escola-tem-de-mudar-para-reduzir-desigualdades-sociais-indica-unesco.html
    Texto

    terça-feira, 28 de outubro de 2014

    A escola e o uso de drogas

    Papel do professor e da escola
    O objetivo da escola não se resume ao ensino dos conteúdos das matérias. Sua função alcança o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes nas diferentes dimensões da vida.
    Neste contexto, o professor tem uma multiplicidade de funções. Ao selecionar os conteúdos do ensino e ao fornecer ou construir conhecimentos, ele o faz de determinadas formas e isso já caracteriza o tipo de percepção que os alunos terão de si mesmos, da vida e dos valores.
    Não é possível negar o papel do educador no desenvolvimento de posturas e comportamentos sobre os mais diferentes assuntos: vida social e familiar, cultura de paz ou de violência, cidadania, ética, relacionamento sexual, uso de drogas, saúde em geral, vida profissional e projeto de vida.
    Refletir e posicionar-se sobre a questão do uso de drogas é parte integrante desse processo e é preciso que os professores se preparem para esta tarefa.
    Entre as instituições que têm, entre suas funções, prevenir o uso indevido de drogas (ver Prevenção), a escola ocupa um lugar privilegiado. Em primeiro lugar porque todas as crianças e adolescentes, por princípio, frequentam a escola e o fazem por um grande número de horas semanais, durante vários anos. É comprovada a influência que a escola exerce na formação das pessoas (só superada pela da família).
    Fundamentos da prevenção na escola
    A prevenção deve ser um grande processo de reflexão sobre a vida, os valores, os comportamentos e os projetos dos alunos e não simples aulas sobre os efeitos das drogas.
    O objetivo da prevenção é auxiliar as pessoas a, bem formadas e informadas, desenvolverem a sua capacidade de decisão para fazerem escolhas que, incluindo ou não o uso de alguma droga, favoreçam a sua saúde e segurança ao longo da vida.
    Com base neste objetivo, três eixos orientam o trabalho de prevenção do uso indevido de drogas na escola:
    1. A estrutura da escola
    2. Ações implícitas
    3. Ações explícitas
    1- Estrutura da escola
    Uma escola que cumpre seu papel de oferecer uma educação de qualidade, proporcionando um ensino competente e dá oportunidades de escolhas e participação aos alunos, valoriza seus valores e sua cultura estará sendo, por sua postura e organização, uma instituição preventiva.
    Entre as características dessa escola estão:
    • Oferecer um clima acolhedor e afetivo
    • Apresentar altas expectativas para os alunos
    • Ter parâmetros de comportamento claros e consistentes
    • Favorecer a participação, envolvimento e responsabilidade das crianças e dos jovens nas tarefas e decisões da escola
    • Desenvolver um ensino e de uma educação de qualidade
    2- Ações implícitas
    São as ações dos educadores na escola que contribuem para o desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais dos alunos. Não se está, neste momento, falando sobre drogas ou sobre seus usos, mas favorecendo que os alunos tenham consciência sobre seus comportamentos e saibam como atuar para fazer escolhas saudáveis, em qualquer dimensão da vida.
    Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão:
    • Capacidade de tomar decisões
    • Fortalecimento da autoestima
    • Habilidade para resolver problemas
    • Desenvolvimento da capacidade de reflexão
    • Estabelecimento e manutenção de vínculos interpessoais
    • Capacidade de manejar emoções próprias
    • Construção de um projeto de vida
    3- Ações explícitas
    Além de constituir-se como uma entidade preventiva por sua própria estrutura e forma coletiva de se organizar e pelo desenvolvimento de habilidades, para que a prevenção seja efetiva é necessário complementar o trabalho com referências e informações explícitas sobre as drogas, suas características, efeitos, riscos e usos.
    Ações explícitas incluem abordar com os alunos temas como:
    • Conhecimento sobre os tipos de drogas e seus efeitos
    • Reflexão sobre as diferentes relações com as drogas.
    • Informação e reflexão sobre os padrões de consumo
    • Reflexão sobre formas de reduzir riscos e danos associados ao consumo de drogas
    • Conhecimento da legislação e das políticas
    • Reflexão sobre as relações entre a sexualidade e o uso de drogas
    • Descoberta de recursos da comunidade para atendimento a usuários e dependentes
    • Informações sobre como agir nas emergências
    Princípios de prevenção na escola*
    1. Integração no currículo da escola – a prevenção deve ser realizada, prioritariamente, pelos próprios educadores da escola, dentro do seu trabalho.
    2. Desenvolvimento ao longo da escolaridade – a prevenção não deve ser algo pontual, desenvolvido quando surge um problema, mas em longo prazo, em todas as séries.
    3. Trabalho coletivo – o trabalho preventivo não é de uma ou duas pessoas, mas do conjunto dos professores, coordenadores, diretores, funcionários, cada um contribuindo com sua especialidade e na sua função.
    4. Envolvimento de toda a comunidade – as ações devem ter como objetivo, além dos alunos, os pais e os participantes da comunidade interna e externa da escola.
    5. Diminuir fatores de risco e aumentar os de proteção – as bases da prevenção devem levar em conta as características próprias daquela realidade.
    6. Ênfase nas drogas de maior risco de consumo na comunidade – devem ser discutidas tanto as drogas lícitas como as ilícitas, principalmente as mais consumidas na realidade próxima (álcool, cigarro, inalantes e outras).
    7. Métodos interativos – a prevenção deve incorporar atividades diversificadas e dar prioridade à participação dos alunos.
    8. Desenvolvimento de habilidades – entre as metas deve estar o desenvolvimento da capacidade de enfrentar e resolver problemas, de tomar decisões, assertividade e outras habilidades sociais.
    Algumas orientações práticas para fazer um trabalho de prevenção*
    » Disponha os alunos em círculos para fazer discussões abertas. Evite sermões, palestras e discursos. Ouça suas opiniões, avalie suas ideias e reoriente o que estiver distorcido.
    » Peça opiniões anônimas por escrito, por exemplo, em tirinhas de papel, sobre as razões para o uso de drogas e as razões para não usá-las e depois discuta-as no grupo.
    » Traga (ou levante com os alunos) situações-problema sobre o abuso de álcool ou outras drogas e promova dramatizações, discussões e análises dos comportamentos e de suas consequências.
    » Organize atividades em que os alunos possam desenvolver as habilidades de tomar decisões, posicionar-se, resolver problemas, como por exemplo “saber recusar um cigarro quando não quer fumar” ou “limitar o número de doses de bebida numa festa”.
    » Promova jogos e dinâmicas nas quais os alunos possam testar seus conhecimentos sobre o assunto e incorporar novas informações corretas.
    » Desenvolva a motivação para que os alunos construam seus conhecimentos e façam pesquisas de aspectos do assunto de seu maior interesse.
    » Estimule a reflexão sobre os comportamentos dos alunos, relacionados com a saúde (e o uso de drogas), pontuando com informações e orientações.
    » Estabeleça trocas entre os alunos, permitindo a aprendizagem por meio de comunicações entre os iguais.
    » Procure integrar as discussões sobre o uso de drogas com os conhecimentos e atividades de diferentes disciplinas do currículo, por exemplo, um livro de literatura, uma aula de educação física, um conteúdo de história ou ciências, alguns cálculos ou problemas de matemática.
    » Associe as atividades de prevenção do uso indevido de drogas com outros comportamentos de promoção à saúde, como os relacionados à alimentação, à sexualidade, ao meio ambiente, às relações humanas, ao enfrentamento do stress, aos cuidados com o corpo, entre outros.
    » Dê prioridade à discussão sobre as drogas mais comuns de uso entre adolescente: álcool, tabaco, inalantes e maconha.
    » Realize atividades que mostrem a necessidade de retardar o máximo possível o uso das drogas lícitas, ressaltando a legislação que proíbe a venda de bebidas e cigarros aos adolescentes e as possibilidades de, ao beber, fazê-lo moderadamente, evitando riscos.
    » Enriqueça as aulas com a discussão de filmes, vídeos, visitas a sites, leituras de textos e livros.
    » Utilize notícias da mídia para ilustrar os temas desenvolvidos, tendo o cuidado para fazer uma crítica às distorções que muitas vezes estão presentes, especialmente o preconceito com os usuários, a demonização das drogas, o “esquecimento” das drogas mais usadas como o álcool e o cigarro.
    » Busque parcerias com outras pessoas e instituições da comunidade, lembrando sempre que o trabalho de prevenção é mais eficaz quando feito pelas pessoas de dentro da escola e com métodos interativos.
    » Auxilie os alunos a desenvolverem posturas críticas em relação ao uso de drogas, habilidades sociais para resistir ao uso indevido e discuta maneiras concretas de agir nestas ocasiões.
    » Procure não trazer pessoas de fora para a discussão dos temas, principalmente ex-usuários, pois os alunos tendem a achar que “isto não vai acontecer comigo” ou que “se ele conseguiu sair, eu também consigo”.
    » Atualize-se, informe-se, procure enfrentar seus preconceitos e dúvidas, não tenha receio de buscar ajuda e, principalmente, divida o trabalho de prevenção com seus colegas.
    *Estes dois tópicos foram extraídos de
    Albertani, Helena: Drogas e Prevenção – Conceitos básicos,
    SindepolBrasil, 2066

    FONTE:http://drogasporque.miltoncampos.org.br/a-escola-e-o-uso-de-drogas

    Como prevenir o abuso de drogas nas escolas?

    O consumo de drogas vem se expandindo mundialmente e constitui, hoje, uma ameaça à estabilidade das estruturas e valores econômicos, políticos, sociais e culturais das nações. O abuso de drogas entre jovens tem sido uma das questões que mais afligem a sociedade contemporânea.

    Em 2004, o levantamento epidemiológico realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), em estudantes de educação básica, comprova a presença de psicotrópicos nas escolas, a existência do abuso entre alunos e uma tendência de iniciação precoce, na faixa etária de 10- 12 anos mais de 12% das crianças já usaram algum tipo de droga na vida. (Galduróz et al., 2004)

    A escola encontra-se diante de um novo desafio e, nesta circunstância, educar para prevenção apresentase como a melhor alternativa para o enfrentamento do consumo de drogas entre estudantes. Prevenção significa dispor com antecipação, impedir ou pelo menos reduzir o consumo.

    O ato de prevenir o abuso de drogas admite três níveis de intervenção: primária, secundária e terciária. Na prevenção primária o objetivo é intervir antes que o consumo de drogas ocorra. Cabe à instituição escolar promover um estilo de vida saudável nos alunos, desde crianças bem novas até o jovem adulto A prevenção secundária destina-se aos estudantes que apresentam uso leve ou moderado de drogas, que não são dependentes, mas que correm este risco. A prevenção terciária dirige-se ao usuário dependente. No caso dos estudantes que já consomem drogas, a função da escola é prestar auxílio ao aluno na procura de terapia, apoiar a recuperação e reintegrá-lo na escola, no grupo de amigos, na família. Vale advertir que não compete à escola o tratamento, mas sim, encaminhar adequadamente o caso.

    Segundo Fonseca (2006), faz-se urgente estruturar uma dinâmica de implantação em prevenção ao abuso de drogas nas escolas. E, “a melhor forma de se chegar com a Mensagem Antidrogas ao jovem é municipalizando as ações de prevenção contra as drogas” (BRASIL, 2000, não paginado). As estratégias de municipalização possibilitam incrementar medidas estruturadas em plano, programa e projeto que tornam a prevenção mais próxima às instituições escolares. Fonseca sugere que o caminho a ser percorrido deve incluir, necessariamente, as seguintes instâncias:

    Município. Com a municipalização, viabiliza-se o Plano de Ação relacionado à redução da demanda de droga. A função do Plano é elaborar políticas, objetivos e metas, traçar as diretrizes e estratégias de caráter geral.

    Secretaria de Educação. Tem sob sua responsabilidade a elaboração e gestão de um Programa Preventivo que decorra do Plano. Deve buscar parcerias com entidades e instituições que se disponham a essa finalidade.

    Escola. É o lugar privilegiado para intervenções educacionais. Deve elaborar projetos que assegurem ações preventivas intensivas e duradouras, tendo como guia o Plano de Ação e o Programa Preventivo. Na prática escolar, a prevenção ao abuso de drogas torna-se viável por intervenções nas condições de ensino e, principalmente, são direcionadas ao projeto político pedagógico, à gestão escolar e à abordagem educacional, como apresentados na sequência.

    Projeto Político Pedagógico. Inserida num quadro mais amplo de uma educação para a saúde, a prevenção prioriza a adesão aos princípios da vida, a formação de valores e o conhecimento da natureza e do efeito das substâncias psicoativas. Em relação aos psicotrópicos, deve ser levado em conta que a experimentação está iniciando muito precocemente, portanto, a prevenção primária deve começar em crianças de menor idade, em atividades criativas e prazerosas. É necessário que as drogas de abuso estudadas realmente estejam presentes entre estudantes brasileiros, evitando-se erros de enfocar drogas de uso em outros países. A estratégia é enfatizar as drogas lícitas e de fácil acesso, isto é, álcool, tabaco, solvente e medicamento, pela elevada porcentagem de uso entre os alunos, mostrando que todas são substâncias psicotrópicas. Não se pode deixar de discutir o caráter atrativo das drogas: prazer aos sentidos, ter “imagem transgressora”, ser símbolo de “estar na moda”. Igualmente, precisa ser discutida a trajetória do envolvimento com psicotrópicos, evitando-se autoritarismos didáticos, ou mesmo despertar a curiosidade inadvertidamente.

    Gestão da Escola. O modelo de gerenciamento deve favorecer a participação coletiva e responsável na definição de princípios, objetivos e decisões a serem tomadas. Sugerimos, a seguir, algumas medidas gerenciais que incrementam a educação preventiva. A escola deve oferecer serviços de saúde gratuitos, por equipe multifuncional, aos alunos que apresentem transtornos decorrentes do uso indevido de drogas. É importante acolher e envolver as famílias com a educação dos filhos, promovendo encontros para discutir questões relativas ao consumo de drogas e os modos de prevenção. Para os educadores, instituir cursos, seminários, debates e reciclagem sobre o tema. Ainda, criar entre as escolas uma rede de informações e intercâmbio de conhecimentos no campo da prevenção contra o uso indevido de drogas.

    Abordagem Educativa propõe a Educação Afetiva cuja ênfase está na personalidade do aluno. A educação afetiva defende a modificação de fatores pessoais que são vistos como riscos ao uso de drogas, explorando situações-limite. Primeiramente, deve-se priorizar o autoconhecimento, a auto-estima, a auto-afirmação, as relações interpessoais, a capacidade de lidar com ansiedade, a habilidade de decidir, a habilidade de lidar com grupos, a capacidade de resistir às pressões grupais, a comunicação verbal. É igualmente importante fortalecer a resiliência, o saber dizer não, a solidariedade, o pertencimento, o saber ouvir, a autonomia, a criatividade, o respeito às diferenças, o respeito aos valores. E, quando necessário, enfraquecer a ansiedade, o desamparo, a vulnerabilidade, a insegurança, os estigmas e preconceitos.

    Professor-Aluno. A atuação dos professores é fundamental na educação preventiva, ajudando os alunos a constituírem um sistema de valores pessoal que lhes animem a adotar um estilo de vida, em que o abuso de drogas não encontre ressonância. Acreditamos que o trabalho docente tem mais probabilidade de sucesso com a inserção, no currículo, de conteúdos significativos de prevenção. Também contribui a adoção métodos ativos que incluem oficina, simulação, debate, discussão, diálogo, dinâmica de grupo, psicodrama, jogo dramático, dramatização. Deste modo, é possível proporcionar aos alunos a aquisição de habilidades e experiências que tenham efeito protetor, como mostra o Quadro 1.

    Por fim, considera-se premente um trabalho que se contraponha ao consumo de drogas entre crianças, adolescentes e jovens adultos. A educação formal é um dos meios através da qual fazemos a conscientização, a educação e a prevenção e a escola a via natural para os esforços de prevenir o abuso de drogas entre alunos.

    Referências
    Brasil. Secretaria Nacional Antidrogas (2000). Conselho Nacional Antidrogas, não paginado. Disponível em:http:// www.senad.gov.br/comad. Acesso em: 28 set. 2005.         [ Links ]
    Fonseca, M. S. (2006). Prevenção ao abuso de drogas na prática pedagógica dos professores do Ensino Fundamental. Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas – SP.
    Galduróz, J. C. F. et al. (2004). V Levantamento sobre o uso de drogas entre estudantes do ensino fundamental e médio 27 capitais brasileiras. São Paulo: Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID
    Marília Saldanha da Fonseca (mariliasf@uol.com.br) é doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, Campinas - SP e docente do Centro Universitário de Barra Mansa, SOBEU / RJ