sexta-feira, 17 de maio de 2013

Professor dá aula ao mesmo tempo para 1ª a 5ª série e serve merenda

Em alguns lugares, educadora é única funcionária e apoio vem das mães

Com apenas 21 anos de existência e aproximadamente 15 mil habitantes, o município de Epitaciolândia, no Acre, tem em suas escolas um retrato do que é a educação em parte do Brasil. Na cidade localizada a 250 km da capital Rio Branco há 24 escolas, sendo 16 em área rural e apenas oito na parte urbana. Em algumas delas, o professor é o único funcionário. Por isso, além de dar aula para todos os alunos do primeiro ao quinto ano na mesma sala, o docente precisa servir a merenda e até limpar a escola. A situação, por outro lado, cria afinidade com os moradores a ponto das próprias mães dos alunos auxiliarem no trabalho voluntariamente.
Arquivo pessoal
Escola multisseriada de Epitaciolância, no Acre, tem lousa
dividida para cada série

“Nessas pequenas escolas não tem merendeira, quem faz tudo é professor. São aquelas escolas que têm dificuldade de acesso, estão longe, isoladas. O professor trabalha sozinho. A comunidade até ajuda a fazer merenda, mas com voluntários. Lá é multisseriado, um professor dá aula para os alunos de 1ª a 5ª série na mesma sala. Isso tudo numa lousa, só com divisória. A qualidade do ensino cai. Enquanto poderia estar ensinando, tem que fazer outras coisas”, explica a secretária de educação do município, Eunice Maia Gondim, que assumiu o cargo no início de janeiro e participa pela primeira vez do 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação , em Mata de São João, na Bahia
Por conta disso, a cidade começou a adotar o sistema de nucleação. Na prática, quatro escolas isoladas que atendiam em torno de 20 alunos cada são transferidas para um mesmo endereço. A distância aumenta, mas a qualidade das aulas melhora, segundo Eunice. Isso porque a união de diferentes colégios faz alcançar um número maior de estudantes, o que possibilita contratação de outros funcionários, como merendeira, segurança e auxiliar de limpeza. Além disso, as aulas deixam de ser multisseriadas.
“Temos o processo de nucleação. É uma escola grande que funciona como um núcleo das pequenas. Você pode colocar um projeto de lei e, se os vereadores aprovarem, passa a ser núcleo. Esses professores da zona rural então passam a ter os mesmos direitos dos professores da área urbana. Lá eles vão ter a merendeira, a servente, o auxiliar, o vigia. Nas escolas isoladas não têm o beneficio. No núcleo não é mais multisseriado. O professor vai trabalhar com uma só série por vez”, explica.
Apesar dos aspectos positivos, o núcleo ainda enfrenta a resistência dos moradores. Das 16 escolas em área rural que existiam no município, oito aceitaram a mudança. Por isso, foram transformadas em dois núcleos, com quatro cada. As outras oito escolas preferiram manter o sistema comum, multisseriado.
“As oito (escolas) que ficaram foi porque a população não aceitou pela preocupação com a questão de transporte. Foi porque, por exemplo, com o núcleo a gente tem que contratar ônibus adaptada com condição para levar os alunos. Tem algumas comunidades que ficam em ramal, que são áreas que não são asfaltas, que caminhão não entra. Tem que ser ônibus adaptado. Com o núcleo ogasto é maior, a distância é maior, mas o ensino é melhor”, compara a secretária.

*O repórter viajou a convite da Undime"

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-05-17/no-acre-professor-da-aula-ao-mesmo-tempo-para-1-a-5-serie-e-serve-merenda.html

sábado, 11 de maio de 2013

Educadores dos EUA apostam em online para suprir defasagem de alunos

Dificuldades por falta de conhecimento e custo de revisão levavam à desistência

 

Deslumbrados com a possibilidade de disponibilizar aulas universitárias online gratuitamente, educadores estão se voltando para a corajosa tarefa de conseguir reunir material online suficiente para enfrentar um dos desafios mais difíceis da educação superior americana: dar a mais estudantes acesso à faculdade e ajudá-los a se graduarem dentro do prazo estimado de duração de cada curso.
NYT
Sebastian Thrun executivo da Udacity que analisa se cursos online 
ajudam alunos a concluírem a graduação
Quase a metade de todos os estudantes dos Estados Unidos chegam ao campus precisando revisar alguns conceitos acadêmicos básicos, antes de poderem começar a propriamente frequentar as aulas. Essa revisão pode custar caro, levando muitos a desistirem de cursar a faculdade, muitas vezes com dívida estudantil e poucas perspectivas de emprego.
Enquanto isso, a redução dos orçamentos estaduais refletiram arduamente nas instituições públicas, reduzindo o número disponível de lugares nas aulas que são obrigatórias para que os alunos possam se graduar. Só na Califórnia, os cortes de ensino superior deixaram centenas de milhares de estudantes universitários sem acesso a classes que precisam cursar para se graduar.

Créditos para que mais alunos façam
 
Para lidar com ambos os problemas e incentivar os alunos a se graduarem, as universidades começaram a misturar em seus currículos novos cursos abertos online, criados para oferecer educação de alta qualidade a qualquer pessoa com uma conexão à Internet. Embora os cursos, conhecidos como Moocs, tenham tido milhares de matrículas de milhões de estudantes de todo o mundo, a maioria dos que se matriculam nunca sequer começam a fazer as lições disponibilizadas online e poucos completam os cursos. E por isso, para atingir os estudantes que não estão prontos para o trabalho de nível universitário ou que estejam tendo dificuldades com cursos introdutórios, as universidades estão começando a agregar mais apoio para os materiais online, na esperança de melhorar os índices de sucesso.
Na Universidade Estadual de São José, Califórnia, por exemplo, dois programas piloto uniram material das aulas online com o currículo normal de cada respectivo curso disponibilizado na universidade - e permitiram que os alunos ganhassem crédito ao cursá-los.
Em um programa piloto, a universidade está trabalhando com a Udacity, empresa co-fundada por um professor de Stanford, para ver se os mentores dos cursos online, contratados e treinados pela empresa, conseguiriam ajudar mais os alunos a terminarem três cursos básicos de matemática online.
A Universidade Estadual de São Jose já tem alcançado resultados notáveis com materiais online de EDX , um fornecedor online sem fins lucrativos, em seu curso de circuítos, um obstáculo de longa data para futuros engenheiros. Normalmente, 2 de cada 5 alunos recebem uma nota C e devem retomar o curso ou mudar seus planos de carreira. Então, na primavera passada, Ellen Junn, o reitor, visitou Anant Agarwal, um professor do MIT que lecionou uma versão online gratuita da aula de circuítos, para perguntar se a Universidade Estadual de São José poderia tornar-se um laboratório vivo para seu curso, a primeira oferta da EDX, uma colaboração online entre a Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Junn esperava que ao misturar materiais online do MIT, com as matérias lecionadas na sala de aula física poderia ajudar a mais alunos serem bem sucedidos no curso. Agarwal, presidente da EDS, aceitou com entusiasmo, e sem qualquer acordo formal ou troca de dinheiro, fez com que a Universidade Estadual de São José pudesse disponibilizar o conceito em suas classes no ano passado.
Os resultados foram surpreendentes: 91% das pessoas que cursaram as aulas misturadas passaram, em comparação com 59% que frequentaram apenas aulas tradicionais.
É difícil dizer, no entanto, quanto dos melhores resultados são provenientes dos materiais online de EDX, e quantos provem da mudança para as sessões em sala de aula com foco em pequenos projetos em grupo, ao invés de palestras.
Até o momento, tem havido poucos dados se os cursos online realmente funcionam, e para quais tipos de alunos. Cursos mistos fornecem valiosos dados de pesquisa porque os resultados podem ser facilmente comparados com os de uma classe tradicional.
Os cursos online estão inegavelmente testando os limites tradicionais do ensino superior. Até agora, a maioria dos milhões de estudantes que se inscreveram neles não ganhavam crédito por estarem cursando-os. Mas isso está mudando, e não apenas na Universidade Estadual de São José. Os três principais fornecedores, Udacity, EDX e Coursera, são todos oferecendo testes monitorados, e em alguns casos, com certificação pela transferência de crédito através do Conselho Americano de Educação.
Enquanto os professores da Universidade Estadual de São José decidiam que tipo de material deveria ser coberto nos três cursos de matemática oferecidos pela Udacity, foram os empregados da Udacity que determinaram como seria a proposta do curso.
"Nós providenciamos anotações das aula e um livro de exercícios, e eles fizeram o que acharam melhor, escreveram o roteiro, e nós o editamos ", disse Susan McClory, coordenadora de desenvolvimento do curso de matemática da Universidade Estadual de São José. "Nós nos certificamos que eles utilizaram nossa maneira para encontrar um denominador comum."
Os resultados da versão para-crédito do curso online com os mentores não ficará claro até o término dos exames finais, que serão supervisionados por webcam.
Mas, com tantos alunos sem acesso a estes cursos, outros disseram, serão necessárias novas alternativas.
"Eu estou envolvido neste projeto, mas não pretendo destruir as universidades físicas e sim para aumentar o acesso de mais estudantes", disse Ronald Rogers, um professor de estatística na Universidade Estadual de São José .
E se vídeos e questionários com feedback instantâneo possam melhorar os resultados dos alunos, por que então seria necessário que os professores continuassem a escrever e preparar suas próprias palestras em sala de aula?
"O nosso ego sempre acaba nos fazendo pensar de que podemos fazê-lo melhor do que qualquer outra pessoa no mundo", disse Khosrow Ghadiri, um professor que leciona um curso misto. "Mas por que deveríamos inventar a roda 10,000 vezes? Este é o MIT, a melhor universidade do país - por que alguém não iria querer usufruir de seu material "?
Há, segundo ele, duas maneiras de pensar sobre o que a revolução dos cursos mistos significa: "Uma maneira é pensar eu, eu, eu – eu venho em primeiro lugar. A outra é que nós não estamos aqui para lecionar a nós mesmos, estamos aqui para educar os alunos. "

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-05-11/educadores-dos-eua-apostam-em-online-para-suprir-defasagem-de-alunos.html

 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Bonecas são para meninos? Em algumas escolas, sim

Grupo de escolas estimula livre forma de brincar para promover infância sem os estereótipos masculino e feminino, um dos desafios para construir uma sociedade menos machista


Getty Images
Menino segura boneca em Phnom Penh, Camboja
(foto ilustrativa/ 24/02/2003)


No salão de cabeleireiro de mentirinha, João Pontes, de 4 anos, penteia a professora, usa o secador no cabelo de uma coleguinha e maquia a outra, concentradíssimo na função. Menos de cinco minutos depois, João está do outro lado da sala, em um round de luta com o colega Artur Bomfim, de 5 anos, que há pouco brincava de casinha.                           
Nos cantos da brincadeira do Colégio Equipe, na zona oeste de São Paulo, não há brinquedo de menino ou de menina. Todos os alunos da educação infantil - com idade entre 3 e 5 anos - transitam da boneca ao carrinho sem nenhuma cerimônia.
"O objetivo é deixar todas as opções à disposição e não estimular nenhum tipo de escolha sexista. Acreditamos que, ao não fazer essa distinção de gênero, ajudamos a derrubar essa dicotomia entre o que é tarefa de mulher e o que é atividade de homem", explica a coordenadora pedagógica de Educação Infantil do Equipe, Luciana Gamero.
Trata-se de um "jogo simbólico", atividade curricular da educação infantil adotado por um grupo de escolas que acredita que ali é o espaço apropriado para quebrar alguns paradigmas. A livre forma de brincar visa a promover uma infância sem os estereótipos de gênero - masculino e feminino -, um dos desafios para construir uma sociedade menos machista.
"Temos uma civilização ainda muito firmada na questão do gênero e isso se manifesta de forma sutil. Quando uma mulher está grávida, se ela não sabe o sexo da criança, compra tudo amarelinho ou verde", afirma Claudia Cristina Siqueira Silva, diretora pedagógica do Colégio Sidarta. "Nesse contexto, a tendência é de que a criança, desde pequena, reproduza a visão de que menino não usa cor de rosa e menina não gosta de azul."
Por isso, no colégio em que dirige, na Granja Viana, o foco são as chamadas brincadeiras não estruturadas, em que objetos se transformam em qualquer coisa, a depender da criatividade da criança. Um toco de madeira, por exemplo, pode ser uma boneca, um cavalo ou um carrinho. "Quanto menos referência ao literal o brinquedo tiver, menos espaço haverá para o reforço social", diz Claudia.
A reprodução dos estereótipos acontece até nas famílias que se enxergam mais liberais. Ela conta que recentemente, em uma brincadeira sobre hábitos indígenas, um menino passou batom nos lábios. Quando a mãe chegou para buscá-lo, falou de pronto: "Não quero nem ver quando seu pai vir isso."
"Podia ser o fim da experimentação sem preconceitos, que não tem qualquer relação com orientação sexual. Os adultos, ao não entender, tolhem essa liberdade de brincar por uma 'precaução' sem fundamento", afirma Claudia.
Visão de gênero
Se durante a primeira infância esses estímulos são introjetados sem que a criança se dê conta, ao crescer um pouquinho - a partir dos 5 anos -, elas já expressam conscientemente a visão estereotipada que têm de gênero.
No Colégio Santa Maria, no momento de jogar futebol, os meninos tentavam brincar apenas entre eles, não permitindo que as meninas participassem. Foi a hora de intervir. "Explicamos que não deveria ser assim e começamos a propor, por exemplo, que os meninos fossem os cozinheiros de uma das brincadeiras", diz Cássia Aparecida José Oliveira, orientadora da pré-escola da instituição.
Na oficina de pintura, todos foram convidados a usar só lápis cor de rosa - convite recusado por alguns. "Muitos falam 'eu não vou brincar disso porque meu pai diz que não é coisa de menino'. Nesses casos, a gente conversa com a família. Entre os convocados, os pais de meninos são a maioria. Um menino gostar de balé é sempre pior do que uma menina querer jogar futebol. E, se não combatemos isso, criamos uma sociedade machista e homofóbica."
O embate é árduo e é preciso perseverança. Mesmo no Colégio Equipe, aquele em que as crianças se alternam entre o cabeleireiro e o escritório, alguns comentários demonstram que a simulação da casinha é um primeiro passo na construção de um mundo menos machista. O pequeno Artur, de 5 anos, se anima ao participar da brincadeira. Mas, em um dado momento do faz de conta, olha bem para a coleguinha e avisa: "Eu sou o marido. Vou sair para trabalhar. Você fica em casa."

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-05-05/bonecas-sao-para-meninos-em-algumas-escolas-sim.html

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Livro resgata a Escola de Minas, que barrou Santos Dumont e Carlos Chagas

Fundada or D. Pedro II, terceira instituição de ensino superior no Brasil formou elite intelectual e iniciou estudo da geologia, dando bases para Petrobras. Aviador e médico foram barrados por provas; Getúlio Vargas teve de fugir da cidade, após morte de aluno rival de seus irmãos


Reprodução
Escola de Minas foi fundada em 1876, por D. Pedro II, em Ouro Preto
 

Fundada em 1876 pelo imperador D.Pedro II e terceira instituição de ensino superior do Brasil, a Escola de Minas, que hoje integra a universidade Federal de Ouro Preto, foi a primeira especializada em mineração e geologia no País. Com 137 anos, a serem completados em outubro e, em meio ao fenômeno do Pré-Sal, a escola ganha um livro comemorativo, em edição de luxo e capa dura, contando sua história. O lançamento será nesta quarta (24), no Clube de Engenharia, no Rio.
 
Reprodução
Maleta de campo do geólogo francês Gorceix, fundador da escola
 
A faculdade teve papel estratégico para o crescimento, a modernização e o desenvolvimento do Brasil, como pioneira na formação de uma elite intelectual em área onde o País não tinha escola até então. O realizador do projeto foi o cientista francês Claude-Henri Gorceix, fundador e diretor, trazido para o Brasil com este fim pelo imperador. É de Groceix o mote em latim da escola, “Cum Mente et Malleo” (“Com a mente e o martelo”). Para o francês, a mineralogia deveria ter a boa formação teórica aliada à prática da pesquisa, simbolizada pelo martelo, instrumento básico do geólogo no campo e no exame dos minerais.
Gorceix mantinha correspondência frequente com D. Pedro II e o mantinha informado sobre a organização e funcionamento da escola, que o imperador visitou em 1881. No encontro, assistiu a uma aula do acadêmico e fez um comentário peculiar em seu diário de viagem: “Gostei de ouvir a exposição de ideias tão civilizadas a 80 léguas do Rio de Janeiro, de onde, felizmente, já começou a irradiar-se o progresso para todo o Brasil.”
 
Reprodução
Biblioteca da escola tem livros raros
 
Fez ainda uma segunda visita oito anos depois, acompanhado da Princesa Isabel e D. Pedro Augusto, apenas cinco meses antes de ser destronado pela República.
A Escola de Minas formou muitos alunos que depois se tornaram políticos – como o senador Alfredo Baeta Neves (MG) e o prefeito de Belo Horizonte Américo Giannetti (51-54) –; matemáticos importantes, como Antônio Moreira Callaes; além de geólogos importantes, como Carlos Walter Marinho Campos – a quem a Petrobras aponta como estruturador da Bacia de Campos e formulador da política de exploração em águas profundas, embrião do Pré-Sal, e o ex-presidente da Petrobras Irnack Carvalho do Amaral. A empresa petrolífera é uma das patrocinadoras do livro.
A primeira aluna mulher a se formar foi Maria José de Oliveira Castro da turma de 1957, em Engenharia de Minas, Metalurgia e Civil.

Santos Dumont e Carlos Chagas foram barrados; Getúlio teve de ir embora
Reprodução
Santos Dumont foi reprovado e não conseguiu entrar na Escola de Minas

Curiosamente, a tradicional Escola de Minas também reprovou e rejeitou a entrada de dois dos maiores ícones históricos das ciências do Brasil: o inventor Alberto Santos Dumont e o pesquisador de doenças tropicais Carlos Chagas.
Santos Dumont matriculou-se no Curso Fundamental da escola, preparatório para as provas de acesso ao superior, em 3 de fevereiro de 1890, aos 16 anos. Seu pai, o engenheiro formado em Paris Henrique Dumont, tivera na cidade o primeiro emprego. O futuro pioneiro da aviação, porém, não foi aprovado nos exames e deixou a cidade em setembro, alegando não ter se adaptado à escola e ao seu “ensino rigoroso”.
Devia ser mesmo porque, cinco anos depois, o jovem Carlos Chagas, 17, também levaria pau na prova de admissão, após passar pelo Curso Preparatório da Escola da Minas. Como no caso do inventor, talvez tenha sido positivo para o País. Rejeitado em Ouro Preto, Chagas se matriculou na Escola de Medicina do Rio de Janeiro em 1897. Mais tarde, tornou-se grande pesquisador de doenças tropicais, estudioso da malária e revelou a enfermidade que levaria seu nome, doença de Chagas


Reprodução
Getúlio saiu fugido de Ouro Preto após morte de estudante rival de seus irmãos

Além deles, outro que pretendia passar pelo Curso Preparatório da Escola de Minas, mas não ficou por lá foi o presidente Getúlio Vargas, entretanto por outro motivo. O assassinato a tiros do estudante paulista Carlos de Almeida Prado, em rixa com os irmãos de Getúlio Viriato e Protásio, fez os gaúchos deixarem a cidade mineira.
O livro mostra que a biblioteca tem obras raras, fruto da concepção do criador, Gorceix, como "Arte de los Metales (1640)", de Álvaro Alonso Barba, "Traité de Mineralogie” (1822-23), de René-Just Hauy e a edição de luxo do conjunto de dez volumes da “Histoire Naturelle des Oiseaux” (1771-1786), de George Louis Leclerc e “Voyage dand les provinces de Rio de Janeiro et de Minas Geraes” (1830), de Auguste Sainte-Hilaire.
Atualmente, a Escola de Minas tem nove cursos, a maioria de Engenharia (entre os quais o de Minas), Geologia e Arquitetura e 612 alunos, entre graduação e pós-graduação.
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

"A ESCOLA ONDE OS ALUNOS FAZEM AS REGRAS"

Proposta inovadora de colégio estadual no Rio estimula o "aprender a fazer, a conhecer e a conviver". Escola é fruto de parceria com Instituto Ayrton Senna e faculdade Ibmec

Rayssa, Weverton e Isabell não entenderam nada no primeiro dia de aula. Como assim, escolher as normas da escola? “Nós criamos as regras! Fizemos os acordos. Aqui a escola nasceu junto com a gente. Mas não é escola bagunça, onde se pode fazer o que quiser”, contou Rayssa Furtado, 15 anos. “Todos ficamos surpresos, ninguém imaginava que isso fosse possível”, concordou Weverton, 15.
O Colégio Chico Anysio, no Andaraí (zona norte do Rio de Janeiro), é “experimental”. É um de nove da rede estadual fluminense no programa Dupla Escola, ou seja, em tempo integral, de 7h às 17h. A instituição também faz parte do programa Ensino Médio Inovador , do governo federal. Mas a principal diferença é que a unidade é um piloto de uma parceria do governo com o Instituto Ayrton Senna e a faculdade Ibmec.

Raphael Gomide
Weverton, Rayssa, Ana Luiza, Isabell e Elias são
alunos do Colégio Chico Anysio, inaugurado este
ano, e elogiam proposta

O projeto pedagógico para o ensino médio foi desenhado pelo Instituto Ayrton Senna e aplicado em parceria com o governo do Rio. O Ibmec dá aulas de introdução à economia, contabilidade, educação financeira, entre outras, que os adolescentes brasileiros normalmente só veem na faculdade. Eles também têm aulas de inglês e espanhol. “Quem está na Chico Anysio não precisa de curso”, disse Elias Fernandes, 15.
O projeto é baseado no aprender a “fazer”, a “conhecer” e a “conviver”. O objetivo é desenvolver nos alunos características que serão usadas por toda a vida, em qualquer atividade que escolham. São estimuladas a autonomia, o pensamento crítico, a curiosidade investigativa, a capacidade de colaboração e de comunicação, a criatividade e a liderança. Os adolescentes ficam dispostos em grupos de “times”, de seis mesas, e debatem os assuntos, fazendo trabalhos de grupo, na maioria. “O engraçado é que todo mundo tem opinião sobre tudo”, disse Isabell Pacheco, 14 anos.
Para estimular a criatividade e a capacidade de resolver problemas, os professores incentivam atividades como improvisos de teatro e jogos em grupo. Um exemplo foi um exercício em que eles simulavam ter de atravessar um rio, contando para isso apenas com um papelão. “O professor é o mediador do conhecimento, e o aluno é o protagonista juvenil”, explica o jovem Fábio Milioni, de apenas 27 anos, a quem os alunos chamam apenas de Fábio. Ele dirige apenas três turmas de 1º ano do ensino médio, com 80 alunos no total.

Raphael Gomide
Diretor da escola, Fábio Milioni, tem 27 anos e
defende a inovação

“Aqui é diferente, as aulas são mais legais”, disse Ana Carolina Mota, 15 anos. Elias Fernandes, 15, sempre foi um dos mais calados das escolas por onde passou. Mas na Chico Anysio ele conta que o método acaba forçando que ele fale mais e supere sua timidez. “Faz com que a gente seja mais sociável”, disse o menino.
No colégio, os meninos têm tempos para dedicar ao “estudo articulado” (quando podem fazer seus trabalhos); à autogestão (escolhem o que querem fazer, de exercícios, a tirar dúvidas com um professor ou até relaxar e ouvir música); e ao “projeto de vida”, quando um orientador os ajuda a escolher o caminho que pode seguir no futuro. “A proposta é inovadora”, afirma o empolgado diretor, que coordena uma equipe de 14 professores.
Inês Kisil Miskalo, coordenadora da área de Educação Formal do Instituto Ayrton Senna, explica que todas essas atividades desenvolvem conhecimento de forma integrada e não há uma divisão estanque de disciplinas. Os alunos são estimulados a fazer projetos, que utilizam conteúdos de várias áreas e muitas vezes exigem o envolvimento de mais de um professor.

Raphael Gomide
Luta olímpica é uma das modalidades esportivas praticadas no
Colégio Chico Anysio


Os docentes aproveitam a tecnologia disponível por doações de empresas. A maioria das aulas é com datashow, e é enviada em seguida para os alunos, por e-mail. Há uma lousa digital doada por uma multinacional de tecnologia, assim como 40 computadores. Para a representante do Ayrton Senna, não dá para pensar no jovem sem pensar em tecnologia, mas na escola ela deve ser usada como facilitadora do processo todo. “Não tem sentido ter uma sala de computadores, é importante que os alunos possam usá-los quando precisarem, até no pátio”, diz.
A Chico Anysio é distinta até nos esportes escolhidos; esgrima e luta olímpica, pouco comuns no País, quanto mais em uma escola estadual. Isabell sempre foi atlética. Completou os estudos de balé clássico e dança e adora esportes. No primeiro momento, achou esgrima meio esquisito. Mas hoje adora.
Há ainda outras vantagens, aos olhos adolescentes. “A comida é o melhor! Tem tutu, escondidinho de carne, estrogonofe, doce de banana com mel! E os sucos! Além disso, temos o uniforme mais bonitinho, não é aquela camisa do governo feia, horrorosa”, disse Isabell.
O projeto inovador atraiu gente de vários pontos do Rio e está empolgando os alunos, ao menos nas primeiras semanas. As gêmeas Luanne e Rayanne Oliveira da Cunha, 15 anos, levam quase 1 hora 30 minutos todos os dias de Olaria até o Andaraí. “A escola é muuuito boa! O ensino é diferente, em grupo, mais fácil de aprender, e ajuda a me preparar para uma boa faculdade”, disse Luanne.
“Minha mãe diz para eu parar de falar da escola, porque eu falo demais daqui”, contou Ana Luiza Ramos, 14 anos, que, junto com a irmã, Ana Beatriz, trocou a tradicional Fundação Osório, do Sistema Colégio Militar, pelo Chico Anysio.

*Colaborou Tatiana Klix

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-04-11/a-escola-onde-os-alunos-fazem-as-regras.html

quarta-feira, 10 de abril de 2013

"AULA PERSONALIZADA VAI MUDAR ENSINO MÉDIO"

Conheça os conceitos que vão mudar a escola e o aprendizado

Em evento em São Paulo na semana passada, exemplos de modelos de ensino inovadores dos Estados Unidos mostram como será a educação do futuro

“Na sala de aula, cada um é diferente e aprende de forma diferente”. A afirmação feita por Joel Rose, cofundador e diretor executivo da New Classrooms Innovation Partners, em evento em São Paulo na semana passada sobre novos modelos para o ensino público, é senso comum entre professores e o desafio principal de quem pensa e trabalha pela educação do futuro. No Transformar 2013, que reuniu mais de 800 pessoas, entre educadores, gestores e empreendedores, exemplos concretos norte-americanos de escolas inovadoras – e bem sucedidas – mostram que já é possível personalizar a aprendizagem e como não há apenas um modelo para fazer isso.
Conheça conceitos que vão transformar as escolas (e onde foram aplicados):
Personalização – Entender as necessidades de cada estudante é o diferencial da School of One, uma plataforma criada para escolas de Nova York por Rose e Christopher Rush e que tem a tecnologia como principal aliada para a tarefa. Baseado em uma avaliação feita no início do ano, o sistema elabora um mapa de habilidades e plano de estudos individual. Mas para isso, utiliza experiências de outros alunos. Um enorme repositório de lições está disponível e o banco de dados prevê que tipo de atividade é mais adequado ao perfil de cada um. “A melhor maneira de aprender pode ser com aulas online, em grupos ou estudando sozinho. O nosso algorítimo usa as experiências já aplicadas para identificar isso”, explicou Rose. Uma receita parecida é usada no grupo de escolas Summit, na Califórnia , na qual os estudantes também passam por uma avaliação no início do ensino médio, para elaborar um plano de estudos de acordo com seus objetivos de carreira. A tecnologia, novamente, é usada para avaliar em todos os momentos o que cada aluno já aprendeu e se já está pronto para aprender mais. “Cada um segue no seu ritmo”, contou a diretora executiva da rede, Dianne Tavenner.

Entrevista com Tavenner: “É possível educar todas as crianças em alto nível”

Divulgação
Salas de escolas orientadas pela New Classrooms proporcionam
que cada um aprenda do seu jeito


Plataforma adaptativa – Para proporcionar o ensino personalizado, existem plataformas tecnológicas de ensino online que ajudam a elaborar e entregar os conteúdos necessários para os diferentes tipos de alunos. José Ferreira, fundador da Knewton, ferramenta que fornece lições de matemática, diz que o volume gigante de informações – maior que o do Facebook – que sua base de dados oferece revoluciona o ensino. A plataforma mostra ao professor com agilidade o que os estudantes aprendem, quando erram, no que tem dificuldades e como aprendem e ajuda a elaborar aulas.

Ensino híbrido – A sala de aula já não tem mais um professor falando em frente ao quadro negro e alunos sentados em carteiras organizadas em fileiras iguais nas oito escolas públicas gerenciadas pela ONG New Classrooms, de Joel Rose. Para que cada um possa aprender do seu jeito, também é realizada uma mudança física e os alunos sentam nas mais variadas formas: sozinhos, em grupos pequenos ou grandes, em frente a computadores ou usando material impresso. No espaço reorganizado, fazem atividades distintas, algumas online e outras, não. Para que esse modelo híbrido funcione, o papel do professor também muda para o de mentor. Segundo Tavenner, das escolas Summit, os docentes acompanham as atividades realizadas em um espaço grande, sem paredes, e orientam os alunos de várias formas: resolvendo dúvidas, questionando, provocando debates, orientando atividades e projetos.

Divulgação
Na escola Quest to Learn, em Nova York, alunos
aprendem jogando

Engajamento – O interesse das crianças é o ponto de partida para o aprendizado na escola de ensino fundamental Quest to Learn, em Nova York. Apoiada pelo Instituto of Play, um estúdio de design sem fins lucrativos liderado por Brian Waniewski, a escola constrói o engajamento dos alunos através de jogos. Segundo Waniwski, a lógica dos videogames é apropriada para o aprendizado porque proporciona um ambiente com regras, nas quais há etapas a serem vencidas, mas que tolera erros. E mais: oferece feedback constante. Para usar esses elementos, o Instituto of Play tem profissionais especializados em criar jogos educativos que dão suporte aos professores e incentiva também os alunos a inventarem os seus próprios. Outra forma de promover o engajamento é conectar o ensino com a realidade. Essa é a aposta de Melissa Agudelo, reitora de admissões do grupo de 11 escolas High Tech High, de São Diego. “Os alunos precisam ver sentido no que aprendem”, diz. Nas escolas, há muitas atividades práticas, os alunos saem da sala de aula e têm experiências na comunidade e precisam resolver problemas reais.

Educação por projetos – O fim da grade de disciplinas separadas é uma das experiências das escolas High Tech High para tornar o aprendizado mais relevante aos alunos. Segundo Agudelo, os estudantes não são divididos por série, nível de habilidade e aprendem vários conteúdos integrados. Para isso, os professores estimulam alunos a desenvolverem projetos, solucionar problemas, nos quais precisam usar vários tipos de conhecimento. Nesse caso, professores de áreas diferentes se envolvem com os mesmos projetos.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-04-10/conheca-os-conceitos-que-vao-mudar-a-escola-e-o-aprendizado.html

terça-feira, 9 de abril de 2013

Diretora "MÃO DE FERRO" faz aumentar nota de escola caindo aos pedaços


“Eles têm medo de mim porque sou chata”, diz diretora com Idesp 8,27

Em comunidade violenta de Diadema, escola tem excelentes índices nas avaliações oficiais, mesmo sem computador, carência de professores e seringas na quadra esportiva

O muro com desenhos infantis já bastante desbotados é o que há de mais colorido na vizinhança da escola estadual Claudio Abramo, em Diadema, onde quase todas as casas variam entre cinza e marrom conforme o material usado nas construções semiacabadas. Na entrada, chama atenção as três grades que é preciso atravessar. O ambiente é tão contrastante com as notas que a escola vem recebendo no Índice da Educação Básica do Estado de São Paulo (Idesp), que até a diretoria regional desconfiou. “Na última prova um supervisor entrou aqui e ficou me vigiando o tempo todo. Quase morri de ansiedade porque eu sou fumante e não queria fumar na frente dele”, conta a diretora Terezinha Imbo Spinoza Parra.
Google Maps
Simplicidade da escola estadual Claudio Abramo chegou a
despertar desconfiança sobre resultados no Idesp
 
Mesmo assim a unidade fez ainda melhor do que a já inacreditável nota 7,49 de 2011 e chegou a 8,27 em 2012. A escola tem outras provas de como os alunos vão bem em língua portuguesa e matemática. Na avaliação nacional, alcançou 6,6 no Índice de Educação Básica do Brasil (Ideb) de 2011, enquanto a média no País é 5 e, a visitantes como a reportagem do iG , mostra algo mais inquestionável: o portfólio dos alunos.
No final do 2º ano, exercícios para concluir histórias com poucas linhas resultam em redações que não se limitam ao espaço designado pela professora e preenchem também o verso. No 5º ano, último da escola e série que responde à prova que resulta no Idesp, os textos são mais elaborados e é fácil identificar habilidades gramaticais e de pontuação.
Cinthia Rodrigues/iG
Redações no portfólio mostram que não é só nas
avaliações oficiais que os alunos demonstram habilidades
“Melhor que as redações do Enem, não?”, comenta a diretora, em uma de muitas opiniões que ajudam a entendê-la. Exemplos: “Esses erros do Enem são uma vergonha”, “Educação quem tem que dar é pai e mãe. Vai chegar um dia que a escola vai ter que dar até o espaço para eles fazerem o filho”, “Tem gente que vem para a escola para ocupar a carteira”, “Acho que o (goleiro) Bruno foi uma vítima” e, em sua página na rede social Facebook, o último post é sobre a maioridade penal “Todo menor assassino, estuprador, traficante também devia ser julgado como adulto. Eu apoio”.
Mesmo assim, ela gosta de repetir que prefere ser respeitada por amor do que por medo e realmente recebe sorrisos dos funcionários e até alunos por onde passa, mas a postura dura é marcante. “Eles têm medo de mim porque sou chata”, confessa. “Quando cheguei dei de cara com ratazana, tinha carteira quebrada entulhada até o teto, tive que ter
pulso firme.”
Cinthia Rodrigues/iG
Teresinha confere comportamento dos alunos
Isso foi há 11 anos. Desde então, ela abriu “alguns” processos administrativos contra funcionários e professores que não cumprissem suas ordens, dispositivo a que recorre até hoje. “Muitos foram embora, graças a Deus. De uns quatro anos para cá tenho uma equipe fixa, ficou quem quer trabalhar”, diz.
Com os alunos não é muito diferente. Na sexta-feira passada, com o aparelho de som finalmente consertado após meses, os alunos fizeram fila para ouvir o hino nacional. Ela havia avisado que queria silêncio e os professores tentaram impor enquanto os organizavam, mas ela não esperou. “Shiiiiiiiiiiu!”, gritou um andar acima batendo palmas e em seguida colocando o indicador bem alinhado ao nariz. Funcionou na hora. “Se eu chamo alguém para minha sala converso horas. Faço lavagem cerebral. Eles me obedecem porque enjoam da minha cara”, afirma.
Formada bacharel em Direito, Terezinha nunca exerceu advocacia, em vez disso dedicou 40 de seus 68 anos de idade a educação. Agora procura o próprio nome no Diário Oficial diariamente à espera da aposentadoria. “Quando isso acontecer não volto nunca mais. Quero guardar a imagem da escola como eu deixei. Tenho medo do que possa acontecer se não chegar alguém com pulso firme.”
Comunidade violenta
A Claudio Abramo não tem mais recursos do que a maioria das escolas estaduais, talvez até menos. Os quatro únicos computadores ficam na secretaria. O da sala dos professores está quebrado há mais de um ano e os da sala de informática foram roubados há quatro anos. Ladrões renderam um funcionário com uma arma na cabeça antes do dia raiar e obrigaram a única professora que já havia chegado a ajuda-los a carregar.
Apesar da equipe alinhada com a filosofia da diretora, faltam professores. As salas que teriam 30 alunos cada acabam superlotadas ao receber outros estudantes das turmas que estão sem docentes. “Não há profissionais disponíveis, estou pedindo desde o começo do ano e só agora me mandaram alguns”, reclama Teresinha. Uma das interessadas
pode não ficar. “Ainda vou ter uma conversa com ela, mas o que me disseram é que é uma aposentada procurando trabalho light. O que ela quer dizer com isso? Aqui só tem trabalho pesado.”
O entorno violento também muda a rotina dentro da escola. “Eles usam a quadra. A gente não se mete. De vez em quando peço para alguém ir lá e ver se tem seringa jogada no chão antes de mandar as crianças”, conta sem mudar o semblante.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-04-08/eles-tem-medo-de-mim-porque-sou-chata-diz-diretora-com-idesp-827.html