quarta-feira, 15 de março de 2023

Cinco tendências para a educação em 2023

 

Ensino personalizado, híbrido ou à distância: educação mudou de forma disruptiva e isso vai impactar o futuro do trabalho

Ensino Híbrido, educação socioemocional, E-learning e microlearning, personalização do ensino. Essas são algumas das tendências educacionais para 2023. Cada revolução mundial mudou a natureza do trabalho e do ensino de maneiras disruptivas. A mudança tecnológica, vivenciada hoje, pode impactar até 50% dos empregos, uma vez que leva a mudanças na forma como as pessoas realizam seu trabalho. Com a pandemia de covid-19, e seu consequente isolamento social, esse processo foi ainda mais acelerado. Por isso, é cada vez mais necessário que as salas de aula ofereçam uma educação integrada, com habilidades de autoaprendizagem, e competências socioemocionais.
O Brasil, em especial, é considerado o país mais ansioso do mundo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), com 11,5 milhões de pessoas diagnosticadas com depressão. Uma pesquisa da Unicef revelou ainda que 35% dos jovens se consideram ansiosos e dentre os entrevistados, a metade sentiu necessidade de pedir ajuda em relação à saúde mental, mas 40% deles não recorreram a ninguém.
Outro relatório do Future of Jobs revela que algumas habilidades se tornaram mais importantes no local de trabalho, como: pensamento crítico, resolução de problemas, gestão de pessoas e criatividade. Empregadores querem profissionais que entendam como tomar decisões difíceis e mostrar suas habilidades de liderança. Somando o levantamento realizado pela Humus Connect (2021) – consultoria especializada no desenvolvimento de profissionais de Instituição de Ensino – e a expertise da Academia Soul – empresa especializada em soluções para Educação Socioemocional nas escolas – é possível mapear cinco principais tendências do cenário educacional.



1. Ensino personalizado

É uma estratégia que usa a tecnologia para considerar as características individuais de aprendizagem de cada aluno. Ela se baseia no respeito pela individualidade e na criação de estratégias que levem em consideração os interesses de cada aluno.

2. Ensino híbrido

O formato, que foi adotado de forma emergencial por instituições de ensino, ganhou um protagonismo ainda maior no cenário pós-pandemia. Trata-se de uma metodologia que mescla aulas e exercícios online e presenciais, com auxílio de ferramentas digitais. A Universidade Unigranrio abriu, no segundo semestre de 2022, cinco cursos no formato híbrido, com a intenção de realizar as aulas práticas de forma presencial e as teóricas no formato online. São eles: Biomedicina, Nutrição, Educação Física, Fisioterapia e Farmácia.

3. E-learning

Ou aprendizado eletrônico, uma modalidade de ensino a distância que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes tecnológicos de informação.

4. Educação socioemocional

É uma das exigências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e deve estar presente em toda a Educação Básica. Indo além dos muros da escola, o mercado de trabalho tem valorizado profissionais com soft skills, em vez de diplomas e certificados — tendência que deve continuar no futuro.

5. Microlearning

Parecido com o E-learning, consiste na “quebra” de conteúdos em pequenas unidades, mais focadas e objetivas. As aulas (ou atividades) do Microlearning acontecem em um tempo curto, com uma linguagem simples, de fácil compreensão e podem contar com o apoio de recursos multimídia, como vídeos, por exemplo.

As universidades que já possuíam esse formato híbrido antes da pandemia, ou que investiram em novos modelos de metodologia e acesso digital, estão em vantagem no que diz respeito à adaptação ao novo normal. No mundo conectado em quarentena, a tecnologia tornou-se grande aliada da Educação, ainda que suas barreiras sejam grandes.

Por outro lado, os desafios e complexidades da sociedade do século XXI requerem alunos com inteligência emocional, o que exige um currículo pedagógico cada vez mais voltado para a formação integral.

Uma análise sobre os períodos de atenção entre 2000, que foi o início da revolução móvel, e 2015, realizada pela Microsoft, revela uma diminuição de 4 segundos (de 12s para 8s). Parece pouco, mas a queda é grande parte culpada pela natureza da tecnologia e pelo estímulo constante que ela oferece aos usuários. Os millennials (1981 a 1995), por exemplo, que cresceram junto com a tecnologia, têm características distintas da geração X (1965 e 1981) e dos boomers (1945 e 1964) que vieram antes deles.

Eles relatam que, quando o conteúdo é altamente envolvente, existe o potencial de prestar atenção por períodos mais longos. E a melhor maneira de prender a atenção dos Millennials é utilizando recursos dos quais eles estão adaptados: plataformas digitais; gamificação; inteligência artificial; aprendizagem imersiva; simuladores digitais; softwares.

Em um futuro um pouco mais distante – apesar de já existirem alguns exemplos –, a Realidade Aumentada (RA) e a Realidade Virtual (RV) devem contribuir para uma educação cada vez mais imersiva. Mas o que merece atenção são algumas competências que vão além das habilidades técnicas.

Muitas escolas investem em bons materiais e professores, mas ainda assim o desempenho dos estudantes não melhora e eles estão cada vez mais desatentos, com dificuldades de concentração e desinteressados. Além disso, vimos que os problemas de relacionamento estavam escalando para além dos muros da escola, com casos de bullying e cyberbullying, prejudicando não só a aprendizagem, mas a retenção desses estudantes na instituição.

Com a missão de somar e transformar a cultura da escola, as relações familiares e outros contextos sociais, o programa de Educação Socioemocional da Academia Soul é alinhado com a BNCC e oferece práticas que ensinam os alunos a ter domínio da própria atenção e autoconsciência. Isso significa que eles vão adquirir a capacidade de, entre outras coisas, prestar atenção no que desejarem - como uma aula, uma palestra, um livro ou uma conversa – e vão aprender a ignorar distrações como conversas paralelas. Outro ponto importante é a aprendizagem de como identificar as próprias emoções e padrões de pensamentos, que afetam o bem-estar no dia a dia.

Ou seja, o equilíbrio emocional é fundamental. Precisamos ser educados para aprendermos a lidar com nossos próprios pensamentos e emoções, bem como com o próximo.

*Fernando Gabas é educador e fundador da Academia Soul.

FONTE:https://exame.com/bussola/5-tendencias-para-a-educacao-em-2023

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Projeto: Minha Cor é Meu Poder, eleva a autoestima dos alunos

“Ancestralidade marcada em minha pele”

20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra, foi criado em 2003 por lei federal, esse dia foi incluído no calendário escolar em âmbito nacional, sendo transformado em feriado em cerca de mil cidades em todo o país e nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro através de decretos estaduais.

A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista.



MINHA COR É MEU PODER

A equipe do Colégio Estadual do Campo Izaltino Rodrigues Bastos, desenvolveu, orientada pela professora Adriana Aparecida Padilha da disciplina de História, o projeto “Minha Cor é meu Poder: minha ancestralidade marcada na minha pele”.

A proposta do trabalho foi ressaltar a beleza da cor, elevando a autoestima dos alunos com descendência negra e discutir a força da ancestralidade na vida de cada um desses alunos.


ALUNOS VIRARAM MODELOS

O projeto foi realizado por meio de um ensaio fotográfico, o qual buscou evidenciar e ressignificar a beleza, exaltando a pele negra e sua história de luta e resistência a fim de combater, conscientizar e superar o preconceito.

Foi apresentada a todos os alunos do Colégio uma exposição digital do ensaio fotográfico realizado com os alunos afrodescendentes, bem como vídeos e músicas de reflexão sobre o preconceito racial.

O projeto envolveu toda a escola, o professor Valdevino Foss Wunsch, da disciplina de Filosofia foi o fotógrafo, a diretora Selma do Belem Caldas foi a figurinista.

Ao final do projeto foi entregue aos alunos um minibook com as fotos do projeto para não esquecerem de valorizar seus traços africanos.

UM MOMENTO ESPECIAL PARA OS ALUNOS

O ensaio fotográfico envolveu alunos do sexto ano do ensino fundamental a alunos do terceiro ano do Ensino Médio, que foram eles, Ivan Matoso, Simone Siqueira, Gesiane dos Santos, Davi José dos Santos, Gabriel Antunes Gonçalves, Adacir Rodrigues, Gesiele Oliveira Rodrigues, Caroline Machado de Camargo, Neuciane Santos Rodrigues, Rozilda Terezinha de Quadros da Silva.

Os alunos expressaram que para eles foi um momento especial, “Foi um projeto novo na escola, que nos ajudou a aumentar a autoestima. Foi muito legal tirar fotos com câmera profissional. É algo muito diferente para nós.” Gabriel, 3ª série.

“Foi legal, bem interessante participar do projeto. Espero que ano que vem eu possa participar de novo. Eu gostei de tudo, de tirar fotos e mostrar a beleza das mulheres negras. Gostei muito!”. Rosilda, 8º ano

“O que achei mais legal foi que tiramos fotos, no começo eu estava meio tímida, daí comecei a me soltar e gostei muito das fotos. Eu quero que tenha mais fotos, que aconteça o projeto de novo”. Gesiele, 7º ano.

FONTE:https://jornalfatos.com.br/projeto-minha-cor-e-meu-poder-eleva-a-autoestima-dos-alunos/

PERSPECTIVAS PARA A EQUIDADE RACIAL NA EDUCAÇÃO

 O dia 13 de maio foi lembrado pelos 134 anos da abolição da escravatura no Brasil, através da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 1888. A data é um importante marco para a população negra, e por isso aproveitamos para falar sobre a equidade racial na educação, um tema cuja discussão é fundamental.


Na educação, a equidade tem o papel de garantir que todos os estudantes tenham os mesmos direitos fundamentais garantidos e, além disso, que consigam as mesmas oportunidades de se desenvolver respeitando os seus limites e o seu tempo. Como consequência disso, é possível construir uma sociedade mais justa havendo não só igualdade, mas um equilíbrio entre todos os estudantes.

Assim como a equidade deve ser alcançada entre outros grupos como, por exemplo, entre gêneros, a equidade racial é um dos mais importantes meios de reduzir as desigualdades resultantes de vários fatores sociais e econômicos, os quais acarretam diferenças de aprendizado que impactam de forma significativa a vida das pessoas.

EQUIDADE RACIAL NA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Quando olhamos para a educação pública brasileira, vemos que há uma grande desigualdade de aprendizado e também de oportunidades entre os estudantes, muitas vezes causadas pela sua cor ou raça, fatores que explicam os 30% de diferença de aprendizagem entre alunos brancos e negros.

De fato, a equidade racial é um processo muito amplo e, para que ele funcione, é fundamental não só a participação das escolas, mas que as famílias e o Estado como um todo estejam envolvidos em um interesse comum.

A desigualdade está presente no ensino básico e se estende até o ensino superior, onde ela se mostra ainda mais presente. Dados do SAEB – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, responsável por analisar os resultados da educação básica, mostram que em 2017 o percentual de estudantes brancos com aprendizagem adequada em matemática no 5º ano era 59% maior do que comparado aos estudantes negros (pretos e pardos) e quase o dobro levando em conta apenas os estudantes pretos.

Essas desigualdades não se limitam ao Ensino Médio e se estendem pela vida toda dessa parcela da população, como mostram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que apontam que, em 2019, brancos ganhavam 68% a mais do que negros.

A IMPORTÂNCIA DA LEI 10.639/2003 PARA A EDUCAÇÃO

Nas últimas décadas, a educação brasileira foi beneficiada com conquistas significativas que foram o pontapé inicial para as políticas públicas, como a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) por meio das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que instituíram a obrigatoriedade do ensino da história da cultura africana, afro-brasileira e indígena como forma de reconhecer a contribuição dessas populações para o Brasil e com isso também tentar diminuir as desigualdades raciais no país.

A promulgação da lei foi um marco histórico para a população negra brasileira e importantíssima para adotar perspectivas mais democráticas e diversas na rede pública de ensino. Isso levando em conta o fato de que a abolição da escravatura não resolveu o problema da população negra, pois elas não foram acolhidas na sociedade e esses reflexos são vistos mais de um século depois. Valorizar a cultura afro-brasileira e a sua história é importante para fomentar a busca por igualdade, e deve ser acompanhado de mais ações do Estado com novas políticas públicas para a equidade racial.

Um bom exemplo da implementação da Lei 10.639/2003 para a equidade racial foi feito na Escola de Ensino Fundamental Godofredo Acrísio Ericeira (Bacabal – MA), onde foram realizadas práticas pedagógicas que promovem a junção dos conhecimentos curriculares adquiridos em sala de aula com o resgate dos saberes que ainda estão escondidos na memória dos mais velhos, fazendo com que haja construção de novos conhecimentos sem perder a essência de quilombo.

Confira essa e outras ações no Banco de Soluções do Observatório da Educação, a plataforma do Instituto Unibanco que oferece diferentes conteúdos sobre o Ensino Médio e a gestão em educação pública.

FONTE:https://www.institutounibanco.org.br/conteudo/perspectivas-para-a-equidade-racial-na-educacao/

terça-feira, 17 de maio de 2022

Centrão faz exigências e acelera votação de ensino em casa na Câmara.

 O projeto de lei que regulamenta o homeschooling, ou educação domiciliar — em português —, deve ter sua votação acelerada nesta terça-feira (17) na Câmara dos Deputados. No ano passado, a proposta foi a única colocada como prioridade na educação pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo aliados da deputada Luisa Canziani (PSD-PR), relatora do projeto, um acordo foi costurado com a base do governo para aprovar o requerimento de urgência. Na prática, isso possibilita que a proposta seja apreciada em plenário sem a necessidade de passar por comissões.


Contudo, a análise do mérito depende do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pautá-lo em plenário. Nos bastidores, a expectativa é que o texto seja colocado em votação ainda nesta terça, devido às alterações feitas por Luisa Canziani no parecer a pedido do Centrão, bloco de partidos que dão sustentação política do governo no Congresso. Essa negociação acontece porque tramita na Casa outro texto sobre educação domiciliar, apresentado ainda em 2019 pelas deputadas bolsonaristas Bia Kicis (PL-DF), Chris Tonietto (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). A proposta altera o Código Penal para autorizar o homeschooling sem configurá-lo como crime de abandono intelectual. Atualmente,  a punição é de 15 dias a um mês de detenção, além de multa. Defendido por aliados do presidente Bolsonaro, esse projeto já foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. No entanto, na avaliação da base aliada, é uma proposta que não tem contrapartidas, sem garantias de regulamentação. Por isso, desde as conversas iniciais sobre o tema, os aliados pediam que o texto de Canziani fosse o escolhido para avançar na Câmara.

Entre os principais pedidos do Centrão, estão dois dispositivos já inseridos na última versão do relatório: 

-o primeiro, que prevê a vinculação de crianças e jovens a uma instituição de ensino. A matrícula poderia ser em escolas particulares ou públicas, ficaria a critério da família; 

-o segundo exige que um dos pais ou responsáveis precisa ter ensino superior completo ou algum curso profissional e tecnológico para ensinar as crianças. 

De acordo com integrantes da base ouvidos pela reportagem, esses pontos são "de equilíbrio" para regulamentar o homeschooling e "proteger as crianças".

Além desses pontos exigidos pelo Centrão, o texto também propõe que os conteúdos oferecidos em casa deverão ser alinhados à BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e os estudantes serão avaliados anualmente pelo MEC (Ministério da Educação). O projeto também prevê que as famílias podem perder o direito da educação domiciliar caso descumpram as regras ou o estudante seja reprovado em dois anos consecutivos ou três não consecutivos. A regra também vale caso o aluno não compareça na avaliação sem justificativa.

"O projeto de lei faculta aos sistemas de ensino admitir, sem obrigar, a possibilidade de uma diferenciação na responsabilidade pela educação básica, autorizando a alternativa de que pais e tutores se responsabilizem diretamente pela condução do processo ensino/aprendizagem de crianças e jovens de suas famílias", diz a deputada Luisa Canziani, em seu relatório. Para ser aprovado, o projeto precisa da maioria simples de votos favoráveis na Câmara, ou seja, o equivalente a mais da metade dos deputados presentes em plenário. Assim que a análise for concluída, o texto é enviado ao Senado Federal — onde não há prazo para ser votado. Se passar pelos senadores, o texto segue para a sanção do presidente. Depois de aprovada a mudança, o CNE (Conselho Nacional de Educação) ficará responsável por regulamentar a fiscalização do ensino em casa.

 Pauta conservadora

Apesar de discutido agora, o assunto não é novo. O primeiro projeto relacionado ao homeschooling no Congresso foi apresentado em 2001. De lá para cá, mais dez propostas foram encaminhadas, mas nenhuma avançou.

Em 2018, a situação mudou quando o STF (Supremo Tribunal Federal) não considerou a modalidade constitucional, mas disse que ela precisava ser regulamentada A proposta agrada grupos conservadores e religiosos — aqueles que criticam, por exemplo, a discussão de educação sexual e diversidade nas escolas. Especialistas em educação criticam a modalidade por não valorizar a diversidade, pluralidade e provoca a falta de socialização entre os estudantes.

A ONG Todos pela Educação é uma das entidades do setor que criticam o homeschooling. "O risco é regulamentar a educação domiciliar para um pequeno grupo e a prática abrir espaço para comportamentos de risco na família, como abandono escolar, violência doméstica e exposição às mais diversas situações de privação e estresse tóxico que hoje são diretamente enfrentadas pelas escolas", diz o movimento. 

Reportagem publicada pelo UOL, no ano passado, mostrou uma cartilha do MEC que tratava do ensino domiciliar. 

Na primeira página do material, há uma frase dizendo que o homeschooling é "um direito humano tanto dos pais quanto dos filhos". O texto também apresenta exemplos de pessoas que já praticaram o ensino domiciliar, como Benjamin Franklin (1706-1790) e Barão de Mauá (1813-1889). 


FONTE:https://educacao.uol.com.br/noticias/2022/05/17/centro-exigencias-acelera-votacao-projeto-homeschooling-camara.htm

Perdas em ensino e pesquisa devem chegar a R$ 100 bi, diz estudo

 O Brasil deve chegar perto da marca de R$ 100 bilhões perdidos no orçamento de ensino, pesquisa e inovação até o fim deste ano. De 2014 até 2021, o prejuízo foi de R$ 83,8 bilhões, segundo cálculos do estudo Orçamento do Conhecimento, divulgados nesta segunda-feira (16). Para chegar a estes valores, os pesquisadores levaram em consideração o valor empenhado em 2014 dessas áreas —ou seja, o valor reservado no Orçamento. Caso o Brasil tivesse mantido as verbas daquele ano, sem diminuir ou aumentar, quase R$ 84 bilhões poderiam ter sido gastos em ensino, pesquisa e inovação até o ano passado. A previsão é que, até dezembro, o número alcance R$ 98,8 bilhões.

Os pesquisadores analisaram os dados de 2014 a 2021 a partir do Orçamento Geral da União e filtraram as verbas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, do MEC (Ministério da Educação) e de Programações Condicionadas à Aprovação Legislativa. Os valores foram corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). "Os resultados do estudo são fortes e demonstram como o conhecimento no nosso país tem sido menosprezado", afirma Julia Bustamante, doutoranda em Economia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e uma das responsáveis pela pesquisa.



O orçamento dessas áreas não só não se manteve, como diminuiu: Em 2014, eram R$ 27,81 bilhões, No ano passado, despencou para R$ 10,57 bilhões (38% do valor de sete anos antes). Para efeitos de comparação, Bustamante informa que todos os gastos da UFRJ, em 2021, somaram cerca de R$ 3,3 bilhões. "Este valor [R$ 83,8 bilhões] teria sido capaz de manter 665 mil estudantes bolsistas de mestrado recebendo bolsas em todos os 12 meses durante esses sete anos", explica a doutoranda.

A reportagem entrou em contato com o governo federal e aguarda um posicionamento.

 'Desalento' de estudantes 

Para Mayra Goulart, coordenadora do Observatório do Conhecimento e professora do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), a ausência de recursos tem causado um "desalento" em uma geração de estudantes.

Esses alunos estão fazendo uma leitura de que o país não tem espaço para uma carreira como pesquisador. Eles enxergam que o país está virando as costas para a pós-graduação.

Enquanto muitos desistem de pesquisar no Brasil, um outro movimento chamado de "fuga de cérebro" —quando estudantes saem do país para continuar suas carreiras na pesquisa— acontece. Um dos exemplos é Mateus Silva, aluno de mestrado em Neurociências e Biologia Celular da UFPA (Universidade Federal do Pará). Ele deixou Brasil para fazer doutorado em Yale e na Universidade de Nova York com uma bolsa do governo americano que financia novos cientistas. Segundo o Observatório, o "sucateamento da ciência brasileira foi o principal motivo da sua saída".

Há uma perda de poder aquisitivo enorme na falta de aumento das bolsas. Temos pesquisadores que estão contabilizando o estudo com outros empregos, com subempregos, com trabalho precarizado. Isso é um impacto também.

A FPME (Frente Parlamentar Mista da Educação) afirma que tem trabalhado para evitar que mais perdas aconteçam nas áreas de ensino e pesquisa do país. Segundo o presidente da frente, o deputado federal Israel Batista (PSB-DF), uma ação já está sendo julgada no STF (Supremo Tribunal Federal) para que o governo federal reestabeleça o repasse previsto para as universidades na Lei Orçamentária de 2022. "Entendemos que a garantia constitucional de fomento a pesquisa e universidade está sendo desrespeitada", afirma o deputado.

Em conjunto com o Observatório, o grupo de parlamentares também busca enviar o material divulgado ao MEC. 

FONTE: https://educacao.uol.com.br/noticias/2022/05/16/perdas-verbas-educacao-pesquisa.htm

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Mãe e filha são aprovadas no mesmo curso da UFPR: 'Juntas vamos vencendo'...

 A alegria de passar no vestibular veio em dose dupla para gestora de TI (tecnologia da informação) Amanda Saad Grape, 21, e a mãe dela, a diarista Andréa, 48, moradoras de Curitiba. As duas ingressaram juntas em engenharia industrial madeireira na UFPR (Universidade Federal do Paraná). O curso era um sonho antigo da mãe, que acabou contagiando a filha, com quem agora divide a sala de aula. A lista de aprovados, divulgada no dia 23, causou comoção na família. "Eu estava no banheiro do trabalho e comecei a gritar. Uma colega perguntou: 'Você viu um sapo?'. 'Não, eu passei na Federal!'", conta Amanda.


A notícia foi rapidamente compartilhada com a mãe, que também estava no trabalho no momento da divulgação dos aprovados. "Eu não conseguia acreditar", diz Andréa. A diarista já havia sido aprovada no mesmo curso em 2009, quando a filha tinha 9 anos. Ela chegou a frequentar as aulas, mas, com a rotina pesada, se viu obrigada a trancar o curso três anos depois. "Às vezes eu aproveitava a hora do almoço para passar roupas ou fazer comida na casa de algum professor que sabia da minha situação", diz ela. Após a desistência, Andréa, cujos pais não completaram o 4º do ensino fundamental, conseguiu uma bolsa do Prouni (Programa Universidade para Todos) para fazer um curso de tecnólogo em Recursos Humanos, que ela concluiu em dois anos.

No entanto, a experiência serviu para a filha também criasse interesse pela área. "Às vezes eu ia com ela para a aula, passeava pelo campus. Mais tarde, quando fui na minha primeira Feira de Cursos e Profissões da UFPR, passei pelo estande do curso e minha mãe me explicou as propriedades da madeira. Ela também me contava sobre as aulas de campo, e tudo isso foi me encantando", lembra Amanda.

Apesar do interesse, Amanda decidiu adiar um pouco o sonho da engenharia madeireira. Também com bolsa do Prouni, ela concluiu o curso de Gestão de Tecnologia da Informação em uma instituição privada em 2020. A tentativa de retomar os estudos na área de interesse veio no ano passado, quando a UFPR abriu as inscrições para o vestibular. Amanda propôs à mãe que as duas fizessem a prova juntas. De início, Andréa ficou indecisa, mas acabou aceitando o convite. "É uma área que envolve muitos cálculos, e eu sempre tive facilidade com Matemática. Tenho muito interesse pelas tecnologias envolvidas, pelas possibilidades de uso sustentável da madeira", diz ela. Na primeira aprovação, a diarista conseguiu fazer dois meses de aula em um cursinho pré-vestibular solidário organizado por uma paróquia. No entanto, desta vez, ela decidiu estudar somente pela internet. "Dei uma revisada e assisti a algumas videoaulas com a Amanda" conta. Aprovadas juntas, mãe e filha acreditam que realizar o curso uma ao lado da outra tornará o desafio mais fácil. "É difícil conciliar trabalho e estudo, mas juntas a gente vai vencendo. Dá mais ânimo", diz Andréa. "[Amanda] sempre foi boa aluna e muito companheira. Aqui em casa gostamos de colo e de grude."

A família pretende comprar um carro em breve para facilitar os deslocamentos entre trabalho e faculdade e ainda contam com o apoio do pai de Amanda, que tem um quiosque de papelaria e presentes, e o filho mais velho do casal, que cursa Educação Física, para garantir a rotina de estudos. "Agora quem vai para a cozinha é o marido, preparar as nossas marmitas", diz Andréa. Animada, a mãe já pensa em futuramente ser uma engenheira autônoma e, quem sabe, abrir uma empresa de reflorestamento. Já Amanda sonha em fazer um intercâmbio na Alemanha. "Eu adoro pesquisa, e a Alemanha é referência na área que escolhi", diz ela.

FONTE: https://educacao.uol.com.br/noticias/2022/04/05/mae-filha-vestibular-ufpr.htm

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Gestão escolar: checklist para a reta final de 2021

No fechamento do ano letivo, coordenadores e diretores apontam as tarefas e demandas que devem estar no radar da equipe




Avaliações, reuniões com os responsáveis, conselhos de classe, planejamento e muitas outras demandas surgem no final do ano nas escolas. Após um período atípico como o de 2021, a essas tarefas se juntam uma série de novos desafios. Em alguns casos, essas demandas se entrelaçaram com o retorno presencial, deixando o cenário ainda mais complexo. 

Foi esse o caso da Escola Estadual Doutor Pompílio Guimarães, em Leopoldina (MG). “O fim do ano já é muito tenso sem pandemia, porque é o fechamento de uma série de coisas. Além dessa rotina, temos de lidar com a obrigatoriedade do retorno [presencial] no último mês do ano", explica o diretor João Paulo Pereira de Araújo. 

Assim como a escola mineira, muitas outras também viveram, no segundo semestre deste ano, o tão aguardado retorno presencial, integralmente ou no formato híbrido. Com isso, foi possível começar a ver resultados das ações pedagógicas e dar início ao processo de recuperação das aprendizagens. No entanto, com o fim do ano letivo, é preciso pausar esse trabalho para avaliar o que foi realizado e planejar o que ficará para 2022. “Estamos interrompendo um ciclo. Ainda não conseguimos nos habituar ao retorno. É um fechamento diferente de outros anos”, aponta João Paulo. 

Nesse contexto, conversamos com sete gestores de escolas públicas para pensar nas demandas que surgem no final do ano. Reunimos tarefas que estão mapeadas pelos educadores e os caminhos para cumprir as entregas que são de responsabilidade da coordenação, da direção e, ainda, as que são compartilhadas. 

PARA OS COORDENADORES

Formação de professores

Monica Bordon, coordenadora na Escola Municipal Jardim Lúcia, em Sumaré (SP), diz que os coordenadores não devem terminar o ano sem verificar se foram cumpridas todas as formações que estavam previstas. Eles também podem começar a planejar as primeiras formações de 2022. 

Na Escola de Ensino Fundamental Infante Dom Henrique, em São Paulo (SP), esse trabalho já está sendo feito. Para o começo do próximo ano, Fabiana Raposo, coordenadora na instituição, prevê que a equipe discuta como usar recursos digitais a favor da aprendizagem. “Foi [um aspecto] desafiador neste ano, mas já está sendo planejado para o próximo. Vamos pensar em projetos relacionados a tecnologia". 

É importante também garantir os registros e a documentação do conhecimento que foi construído durante as formações na escola. Murilo Cassimiro, coordenador na Escola em Tempo Integral Prefeito João Lyra Filho, em Caruaru (PE), conta que gostaria de montar um material com as ideias e sugestões que surgiram durante uma formação sobre como avaliar os alunos. Esse documento servirá de apoio para os professores novos e de consulta para quem já estava na escola.

Avaliações internas e externas

Murilo também diz que tem sido muito difícil avaliar. “Não é justo medir [o desempenho dos alunos] de apenas um jeito, porque cada um viveu a pandemia de uma maneira. Por isso, precisamos repensar a forma de avaliar”, ressalta.

Além de apoiar os professores na decisão de como fazer essa verificação, os coordenadores também têm as demandas das avaliações externas, como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) ou aquelas que vêm das secretarias. Por isso, é necessário garantir um plano para a preparação dos alunos para essas provas. Na Escola Municipal Prof. Waldir Garcia, em Manaus (AM), esse aspecto já está bem planejado. “Todo o grupo está focado no Saeb para preparar as crianças e mostrar [a elas] a importância [da avaliação]. Não mudou muito de como fazíamos antes”, pontua a coordenadora Amanda Freitas. 

O trabalho posterior às avaliações também é central. “É papel da coordenação analisar os resultados para planejar com os professores as estratégias de recuperação”, completa Fabiana. 

Autoavaliação dos docentes

Neste fim de ano, outro ponto de atenção da coordenação é o desenvolvimento da sua equipe docente. Ter um momento de reflexão sobre a prática docente e garantir que cada professor possa fazer uma avaliação do seu trabalho durante o ano — compartilhando pontos positivos com os colegas e identificando aqueles que podem ser melhorados — trazem insumos para planejar o próprio trabalho do gestor em 2022. “Com a autoavaliação, o coordenador consegue identificar [por exemplo] o que pode ser reforçado nas formações”, exemplifica Amanda. 

Planejamento de 2022

Com base nas experiências de 2021, nas avaliações e no parecer de professores, alunos e famílias, a coordenação deve começar a pensar no planejamento pedagógico para o próximo ano letivo. Especialmente, em relação a como organizar o trabalho de recuperação das aprendizagens que ficaram para trás ao longo da pandemia. 

“Temos mapeado as dificuldades e defasagens, mas não conseguimos suprir essa demanda este ano. [No entanto] vamos deixar tudo encaminhado para iniciar o próximo ano sabendo quais alunos precisam de um cuidado maior”, conta o coordenador Murilo. “Ao começar o ano, parece que iniciamos do zero, perde-se muita informação. A ideia é deixar isso mais organizado para começar focado nas dificuldades e no que cada um precisa”, complementa.

Validação de documentos

Para fazer o fechamento do ano, a coordenação também precisa validar alguns documentos. No caso de Monica, de Sumaré (SP), ela tem de validar e garantir que os diários de classe de cada turma estejam em dia. Além desses diários que vão para a Secretaria, há materiais que ficam na escola, como os registros das atividades que foram realizadas durante 2021 e os pareceres dos professores sobre o desenvolvimento de cada aluno, que devem estar atualizados e organizados. “Os professores registram em um caderno físico e [também sobem no] drive da escola”, explica a coordenadora. Dessa forma, fica um material para consulta de outras pessoas da equipe.

PARA OS DIRETORES

Prestação de contas

Não é possível pensar no trabalho pedagógico sem um orçamento para viabilizá-lo, o que inclui desde a aquisição de materiais até a garantia da merenda. Cada rede tem um cronograma de entrega do orçamento para 2022. Enquanto algumas já terminam o ano com a previsão e o planejamento dos gastos para os próximos 12 meses, outras fazem a reprogramação de verbas que não foram utilizadas em 2021, mas que serão usadas no ano seguinte, ou apenas o balanço financeiro e a comprovação de gastos.

Por isso, é fundamental estar atento às datas da sua rede para garantir os prazos e não ter nenhum problema no próximo ano. “Imagina ter o caixa escolar bloqueado no início do ano e não ter merenda? Imagina o caos”, alerta o diretor João Paulo, de Leopoldina (MG).

Inventário e planejamento dos espaços para 2022

O orçamento para o ano seguinte deve envolver também a organização e o planejamento dos espaços escolares. Para levantar as melhorias necessárias ou mesmo a compra de materiais — especialmente em um contexto em que ainda será essencial adotar medidas de segurança contra a covid-19 —, é preciso repensar cada espaço, desde o refeitório e o pátio da escola até o laboratório. 

Também é comum que no final do ano seja realizado o inventário [relação dos bens] da escola —  trabalho que também passa pela validação do diretor. 

Atribuição das salas e organização dos horários

Não é possível pensar no planejamento de 2022 sem considerar a composição da equipe escolar, fazer a atribuição de turmas e definir os horários dos professores. Para Rubia Dias, diretora na Escola de Ensino Fundamental Suzete Cuendet, em Vitória (ES), também é importante se preparar para a recepção dos novos professores que chegarão no próximo ano letivo. “Eu gosto de sentar com eles para explicar a rotina escolar”, conta. 

PARA FAZER EM PARCERIA

Na prática, há muitas tarefas da gestão que são compartilhadas entre coordenação e direção ou realizadas com o apoio dos professores, funcionários da escola, famílias e alunos. Por isso, os educadores também destacaram essas tarefas que demandam o olhar de toda a equipe escolar. 

Conselho de classe

Para Murilo, de Caruaru (PE), a gestão deve garantir que o conselho de classe seja mais significativo e não um lugar para aprovar [os estudantes] ou não. “É importante que seja um momento para trazer as dificuldades e potencialidades [dos alunos e do trabalho docente]”, explica. 

Para tal, a gestão deve apoiar e orientar os educadores para que se preparem para o conselho, garantir a participação — ou colher previamente os pareceres — de alunos e responsáveis e organizar um momento para o grupo refletir e fazer um balanço de 2021. 

Revisão dos documentos da escola

O planejamento de 2022 também é o momento de revisar o projeto político-pedagógico (PPP) da escola. Na instituição onde João Paulo atua, a revisão do documento acontece três vezes ao ano. O momento do fechamento é a hora de rever o que está proposto, estabelecer metas para 2022, verificar o que já foi possível atingir e o que mudou. “Já pegamos o PPP e começamos a pesquisar com os alunos para [colher contribuições]”, comenta o diretor. Nos últimos três dias de trabalho, professores, equipe gestora e funcionários se reúnem para olhar para o PPP, fazer a autoavaliação e começar o planejamento das ações — trabalho que será concluído no início do ano seguinte.

Esse também pode ser um bom momento para olhar para o plano institucional, documento que estabelece objetivos, prazos e tarefas para melhorar ou resolver uma questão da escola. Esse plano de ação orientará o trabalho da gestão, em parceria com a comunidade, no próximo ano 

Outro documento que deve ser revisitado é o regimento escolar, que traz as regras de funcionamento da escola. A gestão deve pensar em mudanças ou pontos que devem ser acrescidos ou retirados desse manual. No início do ano, é possível consolidar essas alterações, apresentar o documento para a comunidade e discuti-lo. 

Avaliação institucional

Em algumas escolas, como na instituição onde a coordenadora Monica trabalha, é comum que, no final do ano, seja realizada uma avaliação institucional, em que todos os educadores e funcionários avaliam o que foi alcançado e o que pode ser melhorado. Essa avaliação também serve para mapear novas demandas. Nesse momento, a equipe de professores faz uma verificação da experiência em quatro frentes: relacionamento com as famílias, com os alunos e com a gestão escolar, além de uma autoavaliação de sua prática docente. 

Busca ativa

No contexto da pandemia, a busca ativa foi uma prática muito importante e, no fechamento do ano, não se pode descuidar das ações para atrair os alunos para a escola e garantir o retorno deles no período seguinte. “Continuamos fazendo visitas às casas desses estudantes para tentar ajudá-los e fazer com que retornem. O objetivo é entender a situação e trazê-los de volta. Temos de pensar em estratégias para mantê-los na escola e continuar a recuperação das aprendizagens”, diz Fabiana, de São Paulo (SP). Essa também é uma meta de Murilo: “Quero recuperar os alunos que ainda não retornaram. Não depende só da escola, [mas desejo] continuar fazendo o melhor”. 

Atendimento às famílias

Apesar das muitas dificuldades desse período, a aproximação entre famílias e escola e a construção de uma nova relação é um legado que não pode ser perdido. Por isso, é importante que a gestão pense em formas de levar essa parceria para o próximo ano. “Tem um trabalho que foi feito ao longo da pandemia e que podemos dar continuidade. [Por exemplo,] manter os grupos de WhatsApp como uma comunicação direta [das famílias] com a gestão escolar”, sugere João Paulo. 

Além disso, cabe à equipe pedagógica organizar o atendimento das famílias, garantir as devolutivas do conselho escolar, apresentar o plano de ação para os alunos e tirar as dúvidas que aparecerem. Também podem surgir questionamentos sobre o funcionamento da escola no próximo ano. Por isso, é fundamental ter um olhar cuidadoso e um tempo na agenda para as reuniões com os responsáveis. 

Foco no acolhimento e no bem-estar da comunidade

O fechamento de um ano atípico com tantas perdas e desafios deve incluir um cuidado especial com o aspecto socioemocional de toda a comunidade escolar. “Já tínhamos antes uma preocupação com o emocional, agora triplicamos o olhar acolhedor [para os estudantes e suas famílias]. Temos que reconhecer cada um com suas histórias, deixar de lado a questão da nota, da burocracia. Sabemos que temos de entregar [as demandas burocráticas e administrativas], mas hoje não é mais importante”, destaca a coordenadora Amanda, de Manaus (AM). 

João Paulo salienta a relevância de cuidar da saúde mental e física de professores e funcionários. “[Temos de garantir] que o fechamento da escola no final do ano não vai nos enfraquecer, mas sim potencializar as energias que precisamos para começar um 2022 com as escolas abertas e fazendo o trabalho que temos de fazer: transformar vidas [com a Educação]”, finaliza o diretor.

FONTE:https://novaescola.org.br/conteudo/20769/especial-como-planejar-o-fechamento-do-ano-checklist-gestores