segunda-feira, 11 de maio de 2020

O que o coronavírus pode ensinar a você, estudante

A lição está muito além de crescimento exponencial, conceito de pandemia e microbiologia...


Milhares de pessoas mortas — com famílias que nem puderam se despedir. Dezenas de milhares de internadas – muitas lutando para conseguir respirar. Milhões saindo às ruas por necessidade, mas com medo. E milhões que, presos em casa, podem se considerar privilegiados nesse triste cenário de pandemia.
Entre os confinados, milhões de estudantes, como você. Que, há mais de um mês, deixaram de ir para as salas de aula, de encontrar um professor, de bater papo no intervalo. Alguns continuam tendo aulas online. Outros são convidados a entrar numa plataforma ou a assistir a aulas pela TV.
Com mais ou menos estrutura, o que esses alunos vivem hoje é muito diferente da rotina certinha da escola. Você pode ver a aula enquanto mexe no celular, e dificilmente vai levar a mesma bronca. Pode deixar de cortar o cabelo (até porque não tem cabeleireiro mesmo), de passar desodorante (apesar dos protestos da família) e até de estar mesmo presente (ou só eu que vi o espertinho que se filmou para fingir presença na aula online?). Na prática, pode dar o velho “migué” de internet ruim enquanto continua vendo Netflix na tela paralela.
Mas é exatamente essa a grande oportunidade do coronavírus para você, estudante.
Você está em casa. Sem supervisão de adultos — que estão surtando com o próprio home office ou tendo que sair, como sempre, para pagar os boletos. E sem a tutoria da boa e velha escola. Você, nesta pandemia, é seu próprio mestre. A quarentena é o mais próximo da vida adulta que você vai chegar sem precisar esperar entrar em faculdade ou trabalho.
A pandemia, estudante, é a sua oportunidade de desenvolver sua disciplina e sua responsabilidade. Aquelas que usamos quando não tem ninguém vendo. Quando só um vírus invisível espera lá fora e o Enem pode até ser adiado. Aquela que vai te acompanhar pro resto da vida. Havendo outra pandemia ou não (esperamos que não!).
Se, no meio desta pandemia, você conseguir gerenciar bem seu tempo, sua concentração, sua motivação, seu bem-estar físico, é muito provável que já esteja preparado para dar mais passos rumo à autonomia. Se não está conseguindo, é hora de pensar como você tem encarado suas tarefas diárias. A gente faz o que tem que fazer não porque tem alguém olhando. Mas porque, no final, espera que tudo o que a gente faz contribua para a vida que queremos levar no futuro.
Se a Covid-19 tem nos ensinado sobre a curva de crescimento exponencial, a microbiologia do vírus e as pandemias que mudaram a história da humanidade, certamente tem muito mais a ensinar sobre como gerimos a nós mesmos diante da tensão em momentos de crise. E isso pode ser útil não só para o Enem, mas para a vida.

Na quarentena: como montar o cronograma ideal para estudar em casa?

Ter um dia a dia mais organizado vai diminuir as chances de você procrastinar e deixar os estudos de lado...



Existem muitas maneiras de você manter os estudos em dia na sua casa: aulas a distância, lives, cursos online, muita leitura e até as redes sociais se tornaram grandes aliadas nesse momento de quarentena. A questão é que mesmo que tenha todas essas ferramentas ao seu alcance, se você não estabelecer uma rotina eficiente e compatível com as suas limitações, a desmotivação pode tomar espaço, a preguiça pode aparecer e procrastinação irá ditar seu ritmo de estudos.
Para isso não acontecer com você, conversamos com Bárbara Souza, psicóloga do Serviço de Atendimento Psicológico do Curso Anglo, e Luiz Otávio, coordenador do Colégio Poliedro São Paulo, e separamos algumas dicas para criar o cronograma ideal para quem precisa estudar em casa.

Não se esqueça que, sim, você está na sua casa – e durante uma pandemia

A recomendação é sempre buscar ao máximo dar continuidade à sua rotina de estudos mesmo no período da quarentena. Mas o fato de você estar na sua casa faz muita diferença e é necessário se adaptar ao ambiente. 
O primeiro passo, segundo Bárbara, é entender como será o dia a dia em casa, quais as novas demandas domésticas e como a convivência familiar vai demandar seu tempo e atenção.
Organizar os horários e planejar as atividades a serem feitas – tanto as ligadas aos estudos como os afazeres domésticos – aumenta a produtividade e reduz o alto risco de perder o ritmo de estudos e aprendizado.
Algo fundamental é entender o contexto no qual você está inserido. Estamos em meio a uma pandemia, está tudo bem se estiver abalado com isso. Não se cobre tanto. “Não perca de vista que todos podem se sentir mais preocupados consigo, com familiares e parentes também devido às questões ligadas à covid-19 e o estado emocional pode interferir na manutenção dos estudos”, diz a psicóloga.

A rotina anterior ainda é estratégica

Apesar das adaptações ao ambiente doméstico, das demandas extras provenientes da dinâmica familiar, de mais barulhos e interrupções, existem muitos detalhes importantes da sua antiga rotina de aulas presenciais que farão toda a diferença a partir de agora. “A recomendação é criar uma rotina de horários determinados para tudo, como a que tem nas atividades presenciais. Horário para acordar, tomar café da manhã, assistir às aulas, realizar intervalos, almoçar, estudar e descansar”, diz Luiz.
Ou seja, o estudante que tem realizado aulas a distância precisa definir o horário para assistir às aulas gravadas, acessar os materiais de apoio e resolver os exercícios. Em caso de aulas ao vivo, o ideal é acompanhar em tempo real, o que permite interagir com os professores e tirar dúvidas. 
Nessa situação, o suporte dos pais e responsáveis é fundamental para orientar e estimular a autonomia e o senso de responsabilidade para que os jovens se comprometam com os estudos.

Pausas são necessárias

Estudar é um processo que demanda energia, concentração e atenção, o que provoca cansaço. As pausas possibilitam um pequeno descanso que favorece a manutenção dos estudos por mais tempo de maneira mais atenta e concentrada.
Durante o período que estiver assistindo aulas online, busque organizar intervalos semelhantes aos que você tem na escola entre as aulas. Isso é importante para que mantenha um bom aproveitamento e melhore a absorção dos conteúdos, segundo Luiz. “Já quando estiver estudando, fazer pequenas pausas de 10 a 20 minutos após 1h30 de estudos, é fundamental para manter o rendimento e melhorar a fixação do que está sendo estudado”, completa o coordenador. 
Como durante a quarentena você passará muito tempo olhando diretamente para as telas (computador, tablet e celular), pausar implica também distanciar-se dessas ferramentas para descansar a vista.

Disciplinas

A recomendação dos especialistas é que você organize os conteúdos estudados de acordo com as aulas que teria durante a semana nas aulas presenciais. Dessa forma, nenhuma matéria será deixada de lado. 
Uma sugestão de Bárbara é planejar seus estudos dentro do tempo disponível de maneira compatível com seu método de estudo, por exemplo: fazer primeiramente uma leitura, exercícios básicos e resumos para compreender os conteúdos selecionados para aquele dia. Depois retorne a cada um deles aprofundando com exercícios mais complexos e exigentes. “Dessa forma, você entra em contato com o assunto duas vezes no seu dia e aumenta a absorção do conteúdo”. 

Coronavírus no Brasil: como a pandemia prejudica a educação

Do ensino básico ao superior, a ampliação do Covid-19 traz consequências educacionais, entre elas, o reforço da desigualdade


No começo do mês, a Unesco, órgão da ONU para a educação e cultura, realizou a primeira contagem global da situação educacional impactada pelo novo coronavírus. No relatório, foram registrados quase 300 milhões de alunos afetados em 22 países de três continentes pelo fechamento de escolas devido à expansão do vírus. De lá para cá, os números cresceram e mais instituições de ensino ao redor do mundo suspenderam as aulas.
São Paulo, que tem o maior registro de casos e a maior rede pública de ensino do Brasil, por exemplo, vai fazer uma paralisação gradativa das aulas até 23 de março. Instituições de nível superior, particulares e públicas, em sua maioria, também suspenderam as aulas. É evidente que a pandemia tem afetado todos os setores, inclusive a educação. E, diante disso, nos perguntamos: quais são os impactos para os alunos, professores e todos envolvidos?
O professor e especialista em gestão pública Renato Casagrande diz que ainda é preciso estudar mais a dimensão do problema e o impacto depende do tempo, se vai ter um agravante do surto ou não. “Tivemos como experiência o surto da influenza H1N1, há 11 anos, que suspendemos as aulas e, depois, foi necessário prorrogar o período de suspensão”. Ele exemplifica qual seria um agravante na situação no caso do Covid-19: “O verão está acabando e temos outono e inverno pela frente, e o vírus se fortalece em períodos mais frios. Tememos uma piora no cenário atual”.
Com as suspensão das aulas, muito se fala do uso das tecnologias para ensino e aprendizagem como uma forma de reparação dos danos aos alunos. Aulas a distância e plataformas digitais são mais palpáveis quando se trata de ensino superior, já que muitas faculdades já usam diferentes mídias. “Na educação básica, o problema é um pouco maior, porque as escolas não estão preparadas e rapidamente devem encontrar uma forma de introduzir e se adaptar às novas tecnologias. Mas não é impossível”, ressalta Casagrande.
Além disso, na educação infantil e no ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, é muito difícil as crianças trabalharem sozinhas, elas precisam de acompanhamento e tutoria. O ensino a distância da maneira que conhecemos não é possível.
Fora da escola, mais um problema: para medidas tecnológicas serem efetivas todos os alunos precisam do acesso à internet. Infelizmente, essa não é a realidade brasileira. Segundo a Pesquisa TIC Domicílio, realizada em 2018, mais de 30% das casas não têm nem sequer acesso à internet, em geral as mais pobres. 
“Essa questão vai acentuar a diferença de classes. A rede privada vai encontrar algumas soluções que demandam recursos financeiros, o que, para a escola pública, é muito mais difícil. Assim, os alunos do sistema público devem sentir mais os impactos”, conclui o professor.

Conselho Nacional de Educação esclarece principais dúvidas sobre o ensino no país durante pandemia do coronavírus

1) As escolas das redes pública e privada de educação básica podem continuar com aulas e atividades a distância? Quem autoriza?
Sim. A legislação brasileira [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional] admite que os sistemas de ensino estaduais e municipais, coordenados pelas secretarias de Educação e pelos conselhos estaduais e municipais de Educação, podem, em situações emergenciais, autorizar a realização de atividades a distância nos seguintes níveis e modalidades:
I - ensino fundamental;
II - ensino médio;
III - educação profissional técnica de nível médio;
IV - educação de jovens e adultos;
V - educação especial.
2) Mas, a LDB não diz que o ensino fundamental será presencial?
Diz, mas também dispõe no artigo 32 § 4º que o ensino a distância pode ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais na educação fundamental. Já o § 11 do art. 36 da Lei nº 9.394, de 1996, alcança o ensino médio.
Por outro lado, o Art. 8º do Decreto 9.057, de 2017, regulamenta a LDB e autoriza a realização de atividades a distância no ensino fundamental, médio, na educação profissional, de jovens e adultos e especial, desde que autorizada pelas autoridades educacionais dos estados e municípios
3) As atividades a distância podem ser aproveitadas no ano letivo?
Sim. Essas atividades não presenciais podem ser organizadas oficialmente e validadas como conteúdo acadêmico aplicado. Ou seja, podem ser aproveitadas dentro das horas de efetivo trabalho escolar. Para isso, é preciso uma autorização da autoridade educacional do estado ou do município. Para adotar essa modalidade, as redes de ensino ou escolas precisam adequar metodologia de ensino aos recursos tecnológicos necessários.
Todos devem prestar atenção na qualidade dessas aulas ou atividades. Os estudantes devem receber o aprendizado adequado e correto. As escolas devem zelar pelo acompanhamento, avaliações e a participação correta dos alunos.
Ao autorizar que as aulas e atividades continuem de forma não presencial, as autoridades dos estados e municípios e as instituições particulares devem trabalhar para proporcionar o acesso de todos os estudantes ao aprendizado. Assim como a educação a distância necessita de metodologias próprias, as escolas devem adotar mecanismos próprios de fornecimento do conteúdo e acompanhamento avaliativo e da participação efetiva dos estudantes.
4) O que acontece quando a escola ou rede de ensino não puder ministrar aulas a distância?
Nesses casos, atividades escolares devem ser repostas, seja em relação aos conteúdos, seja em relação aos dias letivos.
5) Como deve ser feita a reposição? E se as aulas forem suspensas até o segundo semestre? O calendário escolar pode ser reorganizado?
É necessário entender que as decisões devem ser feitas âmbito de estados e municípios, responsáveis por indicar como será feita a reposição de conteúdos e atividades, em horas de efetivo trabalho escolar, e dias letivos.
Existe também a Lei 13.415, de 2017, conhecida como Lei do Ensino Médio, que altera a LDB e amplia progressivamente as horas de efetivo trabalho escolar só para o ensino médio. Ela poderá ser flexível a cada estado ou município, ou seja, pode haver formas diversas de se atender a legislação nacional que deve estar articulada com as legislações locais.
É preciso sempre esclarecer que, no processo de reorganização do calendário escolar, o ano letivo pode, em situações determinadas e para efeito de reposição de aulas e atividades, não coincidir com o ano civil. No processo de reorganização dos calendários escolares, é fundamental que a reposição de aulas e a realização de atividades escolares possam ser efetivadas preservando a qualidade de ensino.
6) Algumas instituições de ensino superior aderiram à educação a distância e outras ainda não aderiram. Todas podem substituir suas atividades presenciais por educação a distância?
Sim. O Ministério da Educação, em caráter excepcional, pelas portarias 343 e 345, de 17 e 19 de março deste ano, autorizou que instituições de educação superior públicas e privadas substituam disciplinas presenciais por aulas que utilizem meios e tecnologias de informação e comunicação em cursos que estão em andamento.
A mudança é válida para o sistema federal de ensino, composto pelas universidades federais, pelos institutos federais, pelo Colégio Pedro II, pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), pelo Instituto Benjamin Constant (IBC) e pelas universidades e faculdades privadas.
A nova recomendação também abrange os cursos de medicina, que poderão realizar a substituição de disciplinas presenciais teóricas-cognitivas do primeiro ao quarto ano do curso por aulas não presenciais que utilizem meios e tecnologias de informação e comunicação.
7) As instituições de educação superior podem adotar imediatamente essa nova regra de ensino a distância?
Sim. É importante destacar que as portarias citadas estabelecem que as instituições precisam definir suas metodologias e infraestrutura de tecnologia de comunicação e informação para a oferta do aprendizado online. A qualidade tem que ser garantida aos estudantes. As instituições deverão relatar ao MEC em até 15 dias as disciplinas ofertadas a distância e as tecnologias e metodologias utilizadas.
8) Instituições estaduais podem realizar a educação a distância?
As escolas estaduais podem oferecer aulas no ambiente virtual porque a possibilidade está prevista em alguns instrumentos legais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
9) E as instituições que decidirem não adotar a modalidade a distância?
Essas instituições devem reorganizar seus calendários acadêmicos considerando a legislação vigente de dias letivos e efetivo trabalho acadêmico, da mesma forma que é exigido para os outros níveis de formação.
10) Como será o futuro próximo da educação brasileira?
A educação brasileira é robusta. As instituições públicas e privadas de todos os níveis educacionais vêm demonstrando responsabilidade e compromisso na adoção de medidas que respaldem o direito de seus estudantes ao aprendizado continuado. Isso é muito importante para o Brasil.
O Ministério da Educação está em dinâmica colaboração e cooperação com as instituições. Entendemos que as soluções devem ser dinâmicas também. Estamos em franco e continuado diálogo para verificar como poderemos continuar a colaborar e atuar de modo a garantir que o Brasil, no que depender da educação, não pare nesse período.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Ciência - Tabela Periódica dos Elementos Químicos completa 150 anos

Você já reparou que em toda sala onde se discute química existe uma Tabela Periódica fixada na parede? Mais do que uma representação gráfica, ela consiste em um ordenamento dos elementos químicos em linhas e colunas de acordo com algumas de suas propriedades químicas e físicas. 

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano de 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos. A iniciativa partiu da União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês) e visa reconhecer a importância da tabela como uma das conquistas mais importantes e influentes da ciência moderna.

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A Tabela Periódica Moderna A Tabela Periódica moderna foi criada em 1869 pelo químico russo Dmitri Mendeleev (1834-1907). Ele buscou uma forma mais racional de organizar os elementos químicos de acordo com suas propriedades, Ela contava com todos os elementos químicos descobertos pelo ser humano. A denominação "periódica" se deve à repetição de propriedade dos elementos, de intervalos em intervalos.

No século 20, a Tabela Periódica foi modificada. Além de ser mais completa que a de Mendeleev, a Classificação Periódica moderna substituiu o número de massa dos elementos pelo seu número atômico, ou seja, a carga do núcleo. Essa mudança aconteceu em 1913, após a proposição do modelo do átomo nuclear. Hoje, ela conta com 118 elementos, sendo que os 92 primeiros são encontrados na superfície da Terra. Do 93 ao 118, os elementos foram sintetizados em laboratório. Desde a criação de Mendeleev, mais de mil diferentes versões da tabela foram criadas até hoje.

HISTÓRIA

 A descoberta individual dos elementos químicos foi o ponto de partida para a construção da Tabela Periódica. Na Antiguidade, vários elementos eram conhecidos, como o ouro, prata, o estanho, o ferro e o cobre, com os quais vários materiais eram fabricados. 

Os filósofos gregos da Antiguidade foram os primeiros que se preocuparam com a explicação dos fenômenos da natureza. Para Demócrito (460-370 a.C.), o ser não é vazio. Ele afirmava que todas as coisas deste mundo poderiam ser divididas em partículas cada vez menores, até se chegar a uma partícula mínima que não poderia mais ser dividida e que seria denominado átomo (do grego: a, "não", e tomos, "partes"). Já Aristóteles (384-322 a.C.) acreditava que a matéria poderia ser dividida infinitamente e que tudo o que existia no Universo era formado pela reunião, em quantidades variáveis, de quatro elementos: terra, água, fogo e ar.

Na Idade Média, o conhecimento químico foi fortemente influenciado pelas ideias da Alquimia, que buscavam significados metafísicos nas substâncias. Os alquimistas queriam criar a pedra filosofal, que seria capaz de eliminar a impureza dos metais ordinários e transformá-los em ouro líquido, o mais puro elemento da Natureza, pois não sofria corrosão. A primeira descoberta dita científica de um elemento ocorreu em 1669 quando o alquimista alemão Henning Brand (1630-1710) tentou produzir ouro a partir da urina. Com o experimento, descobriu o fósforo.

A afirmação da Química como ciência moderna só ocorreu no século 18, ligada principalmente aos trabalhos de Lavoisier (1743-1794). O francês cunhou a célebre lei da conservação da matéria: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Com suas descobertas, Lavoisier demonstrara a importância de leis químicas quantitativas, enunciando seu princípio da conservação de massa.

Com outros estudiosos (Louis Bernard Guyton de Morveau, Claude Louis Berthollet e Antoine François de Fourcroy), Lavoisier tentou ainda encontrar uma linguagem própria e mais racional para a química, de modo que não confundisse os cientistas. "É necessário grande hábito e muita memória para nos lembrarmos das substâncias que os nomes exprimem e, sobretudo para reconhecer a que gênero de combinações pertencem", escreveu o químico.

No século 18, a linguagem química existente ainda possuía forte inspiração alquímica. As substâncias eram identificadas por nomes arbitrários, ora representando as suas qualidades, ora derivados de termos astrológicos, ora nome de pessoas, ora de lugares. Era comum a existência de dez a quinze nomes diferentes para designar uma determinada substância química. A linguagem dos químicos continha nomes como "fígado de antimônio", "manteiga de arsênio", "safrão de Marte", "flor de bismuto", "sal da sabedoria", "água fagedênica", "óleo de tártaro por desfalecimento" ou "flores de zinco"

Em 1789, Lavoisier publicou a obra "Tratado Elementar de Química", que fornecia uma nomenclatura moderna para 33 elementos. Ele pretendia batizar um elemento químico de acordo com suas propriedades, então surgiram, assim, os nomes oxigênio, hidrogênio, enxofre, fósforo e nitrogênio. Oxigênio, por exemplo, significa formador de ácidos e hidrogênio, formador de água.

A grande descoberta de novos elementos químicos no século 19 obrigou os cientistas a imaginar formas de visualização ou classificações em que todos os elementos ficassem reunidos em grupos com propriedades semelhantes. Várias propostas surgiram para a organização dos elementos químicos.

Tríades de Dobereiner

No início do século 19, eram conhecidos perto de 50 elementos. O químico alemão Johann Wolfgang Dobereiner (1780-1849) desenvolveu a primeira proposta aceita pela comunidade científica, a das Tríades. Enquanto estudava os elementos químicos cálcio, bário e estrôncio, ele percebeu que a massa atômica de um elemento correspondia, aproximadamente, à média aritmética de outros dois. Dobereiner descobriu outros grupos de elementos com o mesmo padrão e chamou essa formação de tríades (grupos de três elementos separados pela massa atômica). Por exemplo, o fenômeno acontece nos elementos lítio/sódio/potássio, enxofre/selênio/telúrio e cloro/bromo/iodo.

Parafuso Telúrico 

Em 1862, o geólogo francês Alexandre Béguyer de Chancourtois (1820-1886) publicou um artigo científico apresentando o modelo do Parafuso Telúrico. Ele agrupou os elementos químicos em uma linha helicoidal (espiral) que recobria uma superfície cilíndrica formando um caracol. Considerada por muitos como a primeira tabela periódica, o objeto também se destacava por organizar os elementos em uma superfície 3D. Com o tempo, essa proposta não conseguia classificar e inserir novos elementos descobertos - ela só é válida para elementos com número atômico inferior a 40. Hoje as peças originais fazem parte dos acervos de museus de história natural.

Lei das Oitavas 

Em 1864, surgiu a Lei das Oitavas, proposta pelo químico inglês John Newlands. Inspirado pela escala musical (ele também era músico), Newlands agrupou os elementos químicos de sete em sete, em ordem crescente de massa atômica. Assim, ele observou que o primeiro elemento tinha propriedades semelhantes ao oitavo, e assim por diante. Essa classificação foi abandonada porque a regra não se aplicava a todos os elementos químicos.

Mendeleev 

O russo Dmitri Mendeleev gostava de trabalhar sozinho em seu laboratório. Ele anotava as propriedades dos elementos químicos em cartões que pregava na parede. Então ele mudava as posições dos cartões até obter uma sequência de elementos em que se destacasse a semelhança das propriedades. Quando os elementos químicos eram colocados em ordem crescente de suas massas atômicas, ele observou que havia uma periodicidade das propriedades. De uma maneira geral, ocorria uma repetição das propriedades a cada oito elementos, como no caso do grupo dos Metais Alcalinos lítio, sódio e potássio.

Mendeleev criou uma tabela com 63 quadrados, cada qual com o símbolo de um elemento, distribuídos em 8 colunas e 12 faixas horizontais. Cada quadrado trazia informações sobre a massa atômica e as propriedades físicas e químicas. Eles foram agrupados em ordem crescente de suas massas. A leitura da tabela é feita da esquerda para a direita e de cima para baixo, com quebras no meio que separam elementos sucessivos.

A primeira versão da tabela periódica de Mendeleev foi publicada em 1869, em seu livro "Princípios de Química". Em sua tabela, o químico fez uma ousadia: deixou espaços em branco para outros elementos que ainda seriam descobertos. Em relação a três desses elementos (gálio, germânio e escândio), ele chegou a fazer a descrição com precisão de muitas de suas propriedades, que se mostraram semelhantes às verificadas posteriormente quando foram descobertos.

FONTE:https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/ciencia---tabela-periodica-dos-elementos-quimicos-completa-150-anos.htm

Clarice Lispector - 100 anos do nascimento da escritora...

"Não escrevo para fora, escrevo para dentro". Assim a escritora Clarice Lispector (1920-1977) explicava sua literatura. Considerada uma das maiores escritoras do Brasil, ela foi romancista, contista, cronista, tradutora e jornalista. 

Clarice Lispector pertence à terceira fase do movimento modernista e imprimiu em suas obras uma literatura intimista, de sondagem psicológica e introspectiva, com mergulhos no pensamento e na condição humana.

Clarice Lispector é considerada uma das maiores escritoras do Brasil - Divulgação

Em 2020, comemora-se o centenário do nascimento de Clarice Lispector. A escritora nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, uma aldeia da Ucrânia, então pertencente à Rússia. Seu nome de nascença é Haia. Os pais, judeus russos, decidem emigrar três anos após a Revolução Bolchevique de 1917, devido à violência e a constante perseguição antissemita. 

A família chegou ao Brasil em 1922, na cidade de Maceió, onde adotam novos nomes. Haia, então com dois anos de idade, se tornou Clarice. Pouco tempo depois, a família se mudaria de Alagoas para Recife, em busca de melhores condições de vida. Após a morte da mãe, os familiares foram viver no Rio de Janeiro.

Naquela época, as mulheres ainda eram vistas como donas de casa e mães. Mas Clarice Lispector pôde estudar e trabalhou desde muito jovem. Ela começou a trabalhar como professora particular de português e matemática. Em 1939, ingressou na faculdade de Direito, onde concluiu a graduação em 1943. Durante os estudos, começou a trabalhar como repórter na Agência Nacional. Começava aí uma carreira paralela como jornalista, com publicações na imprensa de textos jornalísticos e literários.

Em 1942, Clarice Lispector escreveu seu primeiro romance, que recebeu o título de Perto do coração selvagem. Segundo ela, escrevê-lo foi um processo de angústia, pois "o romance a perseguia". As ideias surgiam a qualquer hora, em qualquer lugar. Por isso, adotou o hábito de anotar as ideias em qualquer pedaço de papel. Ela reuniu as anotações esparsas e concluiu a obra.

Em 1943, Clarice Lispector se naturalizou brasileira. Ela casou-se com um diplomata, o que a fez viver em países como Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Suíça, onde escreveu os seus primeiros livros. No mesmo ano, publicou Perto do coração selvagem, narrativa que foi bem recebida pela crítica brasileira, que chegou a comparar seu estilo com escritores como James Joyce e Virgínia Woolf.

O livro conta a história de Joana, desde a sua infância até a vida adulta. O crítico Antonio Candido reconheceu nessa obra um talento literário precoce e a extraordinária capacidade da jovem estender "o domínio da palavra sobre regiões mais complexas e mais inexprimíveis".

A narrativa já mostrava o estilo pessoal de Clarice Lispector, um romance urbano que explora o campo psicológico das personagens e o uso do monólogo interior (discurso da personagem na primeira pessoa, em que ela reflete sobre seus sentimentos, ideias ou experiências). Muitos textos retratam as angústias e introspeções do universo feminino.

Naquela época, a literatura brasileira era marcada pelo regionalismo, com histórias lineares que abordavam a realidade regional do país e as questões sociais. A narrativa da escritora representa uma inovação no romance brasileiro, ao quebrar a linearidade discursiva (do tipo início-meio-fim) e adotar o ponto de vista do narrador não-onisciente para narrar a história.

Em 1959, após seu divórcio, Clarice Lispector volta a residir no Brasil e publica alguns de seus livros principais, como Laços de Família (1960), A Paixão Segundo G.H. (1964), Água Viva (1973) e A Hora da Estrela (1977). Morando no Rio de Janeiro, a escritora também dedica parte de sua produção aos contos.

"Meus livros, felizmente, não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos no indivíduo", afirmou a escritora. A literatura clariciana traz como características elementos como o fluxo de consciência, monólogo interior e a ruptura com o enredo factual. As temáticas são existenciais e psicológicas.

Outra marca de sua literatura é o uso da epifania - momentos em que alguma das personagens (no geral, femininas) passam por uma revelação ou uma tomada de consciência diante de um fato do cotidiano.

A personalidade da escritora também provocava curiosidade e admiração. A escritora francesa Hélène Cixous definiu Clarice como "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mães, se tivesse chegado aos cinquenta. Se Heidegger pudesse ter deixado de ser alemão, se ele tivesse escrito o Romance da Terra".

Pela imprensa, Clarice Lispector já foi chamada de "bruxa", "exótica" e "misteriosa". Mas ela gostava de se definir de uma forma mais simples: uma escritora e uma dona de casa. Também foi chamada de "Esfinge do Rio de Janeiro". O apelido lembra uma passagem da escritora pelo Egito. Em uma viagem, ela olhou fixamente para a esfinge. "Não a decifrei", escreveu Clarice. Mas ela continuou: "Mas ela também não me decifrou".

O mais importante romance de Clarice Lispector é A paixão segundo G.H - Fundação Casa de Rui Barbosa

O mais importante romance de Clarice Lispector é A paixão segundo G.H. Lançado em 1964, ano em que a ditadura militar se consolidou no Brasil. Nesse livro, uma mulher de classe média (GH) ao arrumar o quarto de empregada, se depara com uma barata. Assustada, ela a espreme contra a porta de um armário.

O incidente passa a causar uma série de reflexões existenciais na protagonista, conduzindo-a à tomada de consciência. A obra é um longo monólogo em que a narradora faz um mergulho em si mesma, em um fluxo incessante de pensamentos e sentimentos.

A escritora dizia que escrevia para se entender e para "dizer o indizível". A partir de A paixão segundo G.H, sua obra passa a ser analisada com questões da filosofia e conceitos metafísicos. Críticos comparam alguns de seus textos ao pensamento existencialista de filósofos como o francês Jean-Paul Sartre e dinamarquês Søren Kierkegaard em temas como a angústia da existência humana, o mal-estar cotidiano, o nada, o amor e a liberdade.

Outra obra marcante é Água Viva, publicada em 1973 e considerada "enigmática" por muitos críticos. O romance traz a história de uma solitária pintora que inicia um quadro e resolve escrever para o antigo amante.

A escritora se lança em reflexões sobre o tempo, a vida e a mortes, a coragem e o medo e a arte. "Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante —já que de tão fugidio não é mais porque agora tornou-se um novo instante— já que também não é mais. Cada coisa tem um instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa", escreve ela.

Clarice trabalhou como jornalista até 1975, passando por revistas e jornais nacionalmente conhecidos, escrevendo crônicas e colunas para o público feminino. A autora faleceu de câncer em 9 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, um dia antes de completar 57 anos. Durante o período da doença, passou a ficar mais tempo em casa, escrevendo. Foi quando produziu o romance A Hora da Estrela, o último publicado em vida.

No romance, a personagem Macabéa é uma moça alagoana pobre e ingênua, que migra para o Rio de Janeiro e encontra uma série de dificuldades na cidade grande. Ela tem a vida contada por um personagem masculino, Rodrigo, que faz o papel de narrador-escritor que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.

Macabéa é uma anti-heroína. Um personagem marcante por ser apática, com dificuldades de se expressar e incapaz de enxergar maldade nos outros. Discriminada por todos que a cercam, ela não consegue definir sua própria identidade. Ela sonha em ser uma estrela de cinema, mas a realidade a esmaga no dia a dia. A obra é uma reflexão sobre os esquecidos da sociedade e a falta de perspectiva dos rostos anônimos dos que imigram para os grandes centros urbanos. Apenas com a morte, Macabéa alcança a sua hora de estrela. Clarice Lispector encerra a narrativa com a descoberta da própria morte. Ela morreria dois meses após publicar o romance.

Principais obras de Clarice Lispector :

Romances 
Perto do coração selvagem, 1943 
A paixão segundo G.H, 1964 
Água viva, 1973 

Novela 
A hora da estrela, 1977 

Contos 
Laços de Família, 1960... 

FONTE:https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/clarice-lispector---100-anos-do-nascimento-da-escritora.htm

Subprocurador critica contrato do MEC com empresa acusada de corrupção...

O subprocurador-geral do Ministério Público (MP) que atua no Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, defendeu ontem o cancelamento da licitação do Ministério da Educação (MEC) que resultou na contratação de uma empresa acusada de corrupção para fornecer kits escolares. Como revelou o jornal "O Estado de S. Paulo", mesmo sabendo das suspeitas de irregularidades envolvendo a Brink Mobil, a pasta decidiu manter o negócio. 
A empresa poderá receber até R$ 406 milhões pela distribuição do material em todo o País. No mesmo período em que negociava o contrato com o MEC, a Brink era investigada na Operação Calvário, da Polícia Federal, suspeita de envolvimento em um esquema que desviou R$ 134,2 milhões dos cofres públicos da Saúde e da Educação do Estado da Paraíba.

"Em nome do princípio democrático, o ministro deveria revogar a licitação",Furtado ao jornal. A reportagem também ouviu dois técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU), sob a condição de anonimato, que disseram não ser incomum gestores públicos cancelarem licitações após verificarem suspeitas de irregularidades no passado de uma empresa. Mesmo quando ela não tenha sido alvo de uma condenação.

Avaliação 

Furtado disse que pretende tomar providências para averiguar se a licitação do MEC seguiu os trâmites normais e se, de fato, a empresa poderia ter vencido o pregão mesmo com o "longo histórico" de suspeitas. 
"Estamos avaliando qual medida tomar, se vai ser uma representação. Na segunda-feira vamos decidir", disse o subprocurador-geral. Além de ser alvo da PF e do Ministério Público da Paraíba na Operação Calvário, a Brink foi denunciada em 2018 no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel. 
A empresa é acusada de fraudar licitações para compra de uniformes, mochilas e materiais escolares em quatro Estados entre 2007 e 2012.

Para o advogado Edgard Leite, o conjunto de acusações que pesam sobre a empresa seria suficiente para excluí-la do processo licitatório. 
"A lei diz que a administração tem que buscar a melhor condição de compra. É inquestionável que um processo criminal pode comprometer o fornecimento do produto. É um absurdo essa fala do ministro. É essa permissividade que tem comprometido a administração pública", disse Leite. 
"A partir do momento que tem um monte indícios, de provas comprometedoras, a cautela deveria ser a primeira invocada pelo ministério."

'Empresa não estava condenada', afirma Weintraub 

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou ontem, em seu perfil no Twitter, que não poderia excluir a empresa Brink Mobil do certame para fornecimento de kits escolares a estudantes porque, se fizesse isso, "estaria cometendo um crime". "A empresa ganhou a licitação e não estava condenada, não tenho como excluí-la (eu estaria cometendo um crime)."

O MEC afirmou que o processo para a compra dos kits respeitou a legislação em todas as fases. Segundo a pasta, na fase de habilitação, a empresa Brink Mobil estava em condição regular e não tinha impedimentos legais para participar do certame. 

Parceria alvo de investigação na PB foi repetida 

Vencedora de uma licitação milionária para fornecer kits escolares a estudantes, a Brink Mobil repetiu no Ministério da Educação a parceria apontada como criminosa pelo Ministério Público da Paraíba em contratos no governo estadual entre 2012 e 2019. Segundo a denúncia da Operação Calvário, uma segunda empresa, a Conesul Comercial e Tecnologia Educacional, era aliada da Brink no esquema suspeito de desviar R$ 134,2 milhões em dinheiro público das áreas da Saúde e Educação da Paraíba. 
As duas empresas apresentaram uma proposta conjunta ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao MEC, para fornecer materiais como lápis, borracha, caderno e tesoura. 
O valor apresentado pelo consórcio Brink-Conesul foi considerado o mais vantajoso e acabou ganhando a concorrência.

A licitação vencida pelas empresas é uma das maiores do Ministério da Educação em 2019, no valor de R$ 406 milhões. Como mostrou ontem o Estado, a pasta foi informada das investigações da Operação Calvário, mas, mesmo assim, decidiu manter a contratação, assinada em novembro do ano passado. 
As duas empresas também já haviam vencido uma licitação anterior para fornecer kits escolares, em fevereiro. Na ocasião, usaram a mesma estratégia de se juntar para apresentar uma proposta única. 
A modalidade de contratação é a chamada ata de preços, em que outras empresas também são habilitadas a fornecer o produto. Como apresentaram a melhor proposta ao MEC, a Brink e a Conesul tiveram a preferência. Até o início da semana, o MEC já havia autorizado o envio de 3,1 milhões de kits, o que somava R$ 164 milhões. Prisões. 
Em dezembro, quando as duas empresas já eram investigadas na Operação Calvário, a Polícia Federal prendeu os donos da Brink, Valdemar Ábila, e da Conesul, Márcio Nogueira Vignoli. No mesmo dia, os policiais detiveram o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB). 
Segundo a denúncia do Ministério Público, apresentada no mesmo mês das prisões, até mesmo funcionários da Brink e da Conesul se apresentavam como representantes de uma só empresa. 
As duas firmas foram procuradas pela reportagem desde quarta-feira, mas não se manifestaram até a noite de de sexta-feira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 
FONTEhttps://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/03/07/subprocurador-critica-contrato-do-mec-com-empresa-acusada-de-corrupcao.htm