quinta-feira, 27 de junho de 2019

O ministro da Educação pode ser alguém insensível ao choro de uma criança?


Não são os grandes gestos os que fazem de uma pessoa um exemplo de educação, e capaz de compaixão, e sim às vezes os pequenos pormenores em nossa relação com o próximo. São esses gestos menores os que melhor refletem o fundo de nossa alma.
Foi um desses gestos minúsculos, mas significativos, que revelou há alguns dias a falta de empatia e de compaixão do ministro da Educação do Brasil Abraham Weintraub.
Cerimônia de posse do ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Ocorreu em um voo comercial de São Paulo a Brasília. A jornalista Bela Megale contou o fato em sua coluna do jornal O Globo. Era um voo entre São Paulo e Brasília. No avião viajava o ministro da Educação, o que é digno de elogios dada a alergia que os políticos importantes manifestam a usar voos normais, lado a lado com as pessoas comuns. Preferem a independência dos aviões militares e dos particulares de seus amigos empresários seja por comodidade, seja para evitar que possam ser importunados pelas pessoas.
Não sou dos que aplaudem os passageiros que incomodam um político e um magistrado que viajam como um cidadão comum. Pelo contrário, nos tempos que vivemos de irritação política, esses personagens públicos importantes deveriam receber aplausos por seu gesto de preferir viajar sem privilégios. Ao mesmo tempo, justamente, essas pessoas importantes com cargos de responsabilidade na esfera do Estado, têm maior obrigação de ser solidárias e dar exemplo de empatia com o próximo em qualquer lugar em que se encontrem.
Não são os grandes gestos os que fazem de uma pessoa um exemplo de admiração e respeito, e sim às vezes os pequenos pormenores em nossa relação com o próximo. São esses gestos menores os que melhor refletem o fundo de nossa alma.
É o que faltou, na história contada pela jornalista, ao ministro da Educação, já dentro do avião antes de decolar. Uma aeromoça perguntou delicadamente ao ministro se ele não se importava de trocar de lugar, que além disso era mais confortável do que o seu, para que o pai e a mãe de uma menina de cinco ano, que estavam separados, pudessem viajar juntos. Enquanto a menina chorava porque queria estar ao lado de seus pais, o ministro respondeu que ele não trocaria de lugar. Não se comoveu com a dor da menina e de seus pais.
É verdade que o ministro não tinha nenhuma obrigação de trocar de lugar. Mas é nesses momentos que se reflete o que chamamos de compaixão, que significa saber se colocar no lugar do sofrimento do outro, algo que parece que está se perdendo em nossa sociedade cada vez mais desumanizada.
Nesse caso concreto me impressionou o fato de que justamente um ministro da Educação, que carrega em suas costas a responsabilidade de formar milhões de crianças não só em matemática como também em sua maneira de conviver entre eles em paz e harmonia, se sentisse indiferente à dor da pequena. Não vamos nos esquecer que o Brasil é um dos países do mundo que mais sofre a praga do bullying nas escolas.
Um ministro da Educação que é incapaz de sentir a dor de uma menina que sofre por medo de precisar viajar no avião separada de um de seus pais, e que é incapaz de aceitar o pequeno incômodo de se levantar para trocar de assento, cria no mínimo dúvidas sobre sua sensibilidade humana para presidir um ministério tão importante e delicado como o da formação da infância.
Se essa história, que pode parecer menor, mas que possui uma grande carga simbólica, me causou mal-estar, não me deixou melhor a maioria dos comentários sobre a notícia que defendiam a atitude do ministro. Hoje se fala mais do que nunca que a definição de “brasileiro cordial”, criada por Sérgio Buarque de Holanda em seu famoso livro Raízes do Brasil que correu o mundo, nunca foi verdade. Já se questiona se o brasileiro alguma vez foi cordial já que sua idiossincrasia continuou viva, da colonização à escravidão mal resolvida, da sobrevivência das castas e a dificuldade de aceitar os diferentes.
Como Maira Streit escreveu na revista Fórum, basta abrir os olhos hoje para observar que esse brasileiro cordial, se alguma vez existiu está morrendo asfixiado pelo rancor, o ódio e o medo ao diferente, seja de gênero e ideologia. “Casos como o da menina de 11 anos apedrejada por seguir o Candomblé, a apresentadora negra atacada com ofensas na internet, os adesivos que colocam a primeira presidenta do país em poses sexuais vexatórias, o homem amarrado a um poste e linchado no Maranhão, as estatísticas crescentes de assassinatos de LGBTs e jovens da periferia mostram que, definitivamente, estamos longe de ser o país do respeito às diferenças”.
Maira tem razão quando é categórica no julgamento sobre a sociedade brasileira que estamos vivendo e que um Governo de extrema direita está sendo fomentado. Ela se refere ao repúdio e até à perseguição a tudo que é diferente e à obsessão pelas armas e pelo assédio aos que não pensam como eles como se tratassem de feras que devem ser abatidas: “Uma coisa é certa: caíram as máscaras até hoje tão utilizadas para esconder as formas mais perversas de preconceito e exclusão. O que resta é a face nua do autoritarismo, escancarada por um setor da sociedade que trabalha diuturnamente para golpear a democracia, conquistada a duras penas. E acrescenta: “A raiva agora exposta se revela ávida por colocar em prática seus delírios mais violentos contra grupos historicamente vulneráveis, ensinados a viver entre as paredes do medo. E não nos enganemos. Esta é uma guerra, como todas as outras, em que todos saem perdendo”.
Nesse contexto não é de se estranhar que possa parecer normal o gesto do Ministro da Educação que se sentiu insensível diante das lágrimas da pequena que não queria se separar de seus pais no avião. Melhor cada um pensar em seu próprio conforto.
Alguém será capaz nesse país intranquilo política e espiritualmente, de levantar sua voz com autoridade para deter essa onda de loucura que lhe percorre, para que possa voltar a ser admirado e amado fora de suas fronteiras por sua capacidade de aceitar o estrangeiro, sua sensibilidade humana e sua alegria de saber viver sem guerras com todos sentindo-se respeitados e acolhidos?
Um pequeno exemplo de minha parte.
Quando há quase 20 anos cheguei como jornalista desse jornal ao Brasil o que mais me assombrou, após ter percorrido o mundo, foi a simpatia e até carinho com que nós estrangeiros éramos acolhidos. Hoje, até muitos leitores meus me pedem, mal-humorados, que volte para a Espanha. Não irei, ainda que sinta falta e me doa não ter mais aquele Brasil, que espero que esteja dormindo e anestesiado.






Formação pessoal: a importância das habilidades sociais na Educação

Na sociedade uma grande parte das atividades humanas é social. Isto implica ter certo grau de habilidade em matéria de relações interpessoais.

Quem sabe comunicar com uma conduta assertiva pode expressar o que pensa em uma situação social com confiança

  • As habilidades sociais são o conjunto de estratégias de conduta e as capacidades para aplicar essas condutas que nos ajudam a resolver uma situação social de maneira eficaz.
  • As habilidades sociais permitem expressar os sentimentos, atitudes, opiniões ou direitos de maneira adequada à situação na qual o indivíduo se encontra enquanto respeita as condutas dos outros indivíduos.
  • As habilidades sociais nos fazem melhorar nossas relações interpessoais, faz com que nos sintamos bem, obter o que queremos e conseguir o que os outros não nos impeçam de conseguir os nossos objetivos.
  • Estes comportamentos são necessários para interagir e se relacionar com os demais de maneira eficaz, e mutuamente satisfatória e, por tanto, necessários para a educação. Os seres humanos estão em constante interação social e, por isso, precisa dispor das habilidades sociais necessárias e adequadas para que esta interação ocorra de forma eficaz.
    A convivência se trata de um componente fundamental de nossa vida como seres humanos. A nossa qualidade de vida depende do seu sucesso ou do seu fracasso. É por isso que saber conviver, assim como saber se relacionar com as pessoas que se encontram ao nosso redor se transformou em uma das riquezas más apreciadas em nossa sociedade.
    Por esta razão surge a necessidade de se perguntar se nascemos com essas qualidades ou podemos adquiri-las. Não há dúvidas de que existem certas pessoas mais propensas que outras para a aceitação do outro, o que é um princípio fundamental na hora de alcançar uma boa convivência.
    A vida oferece uma grande variedade de situações, e por sua vez estas situações se estabelecem em uma grande variedade de contextos e, por outro lado, nos movemos submetidos a uma grande variedade de pressões provocadas, algumas vezes, por nosso próprio temperamento e outras produzidas pelo meio. Por tudo isso é que nos vemos obrigados a nos exercitarmos seriamente na arte da convivência.
    O indivíduo precisa exercitar-se no desenvolvimento sistemático das habilidades sociais e isto se transforma em uma condição necessária para que seja forjada a personalidade, aceite e seja aceita, e se sinta confortável consigo mesma e com os demais.
    As habilidades sociais são as que nos proporcionam a capacidade de interagir com os outros em determinado contexto social e de uma maneira aceita ou valorizada socialmente e pessoalmente benéfica. São o nexo entre o indivíduo e o seu meio.
    A competência em habilidades sociais é imprescindível para que as pessoas se sintam valorizadas, aceitas e para que manifestem condutas socialmente competentes.
    Além disso, está claro que existe uma relação muito próxima entre competência social e bom funcionamento acadêmico. Todos os pesquisadores coincidem em garantir que os alunos emocionalmente inteligentes possuem um bom nível de autoestima aprendem mais e melhor, apresentam menos problemas de conduta e se sentem bem consigo mesmos. 
    Estas habilidades sociais, entre as que se destaca a assertividade, são fundamentais em qualquer processo comunicativo.
    A pessoa que sabe comunicar com uma conduta assertiva, é capaz de expressar e transmitir espontaneamente o que pensa e sente em uma situação social, de forma apropriada, com confiança, defendendo os próprios direitos e influindo nos demais sem violar os direitos alheios.
    Esta conduta assertiva, que se aprende, se experimenta e melhora com a prática, pode ser determinante para que o processo educativo culmine com sucesso em uma mudança de atitude do indivíduo ou coletivo. Daí a sua importância e sua necessidade de aprender técnicas que permitam superar as dificuldades assertivas e treinar de forma ativa esta habilidade social.

"O mundo está perplexo com a destruição da educação no Brasil", diz Nicolelis

“O mundo inteiro está pasmo. Revistas internacionais de ciência dedicaram espaços que o Brasil nunca ganha, como por exemplo na Nature, para falar do total espanto e choque que é qualquer governo de um país como o nosso tentar criminalizar e afogar as universidades, ao invés de promover, defender e ampliar seus horizontes” , diz Miguel Nicolelis, considerado um dos maiores cientistas do mundo



Rute Pina, Brasil de Fato - O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis vive há três décadas no exterior e roda o mundo para divulgar sua pesquisa científica. Por isso, não tem dúvidas ao sentenciar: a comunidade internacional está perplexa com os desmontes e cortes na educação pública anunciados pelo governo brasileiro, chefiado por Jair Bolsonaro (PSL).
“O mundo inteiro está pasmo. Revistas internacionais de ciência dedicaram espaços que o Brasil nunca ganha, como por exemplo na Nature, para falar do total espanto e choque que é qualquer governo de um país como o nosso tentar criminalizar e afogar as universidades, ao invés de promover, defender e ampliar seus horizontes”, diz.
Em maio, estudantes e professsores protagonizaram protestos massivos por todo o país após o anúncio do corte de bolsas e da redução do orçamento das instituições federais, que respondem por mais de 90% da pesquisa científica no país. 
Nicolelis é um dos principais nomes da ciência brasileira. O engenheiro biomédico foi considerado, em 2009, um dos 20 maiores cientistas da atualidade pela revista Scientific American. 
Professor da Duke University, nos Estados Unidos, ele lidera o Projeto Andar de Novo. O trabalho já logrou que dois paraplégicos voltassem a caminhar por meio do desenvolvimento de um dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina.
De passagem por São Paulo (SP), o cientista conversou com o Brasil de Fato antes de uma palestra no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. 
Na entrevista, ele lembra que o extinto programa Ciência Sem Fronteiras levou o Brasil para outro patamar no mercado científico internacional. “Foi um dos maiores programas de fellowshipscientíficas do mundo”, defende.
Ele afirma que o asfixiamento das universidades públicas, a perseguição das ciências humanas e a redução científica impactam em perda de soberania do país. “Nenhum país distribui colaboração ou know-how espacial. O Brasil teve que construir tudo na força da sua própria competência científica, no CTA [Centro Técnico Aeroespacial] de São José dos Campos e aplicando na base de Alcântara. E nós estamos dando de mão beijada isso.” 
O pensamento crítico, lembra o cientista, é o antídoto para conter o avanço de pensamentos anticientíficos como o terraplanismo e teorias que negam as mudanças climáticas – que cada vez mais ganham espaço internacionalmente.
Abaixo, confira a íntegra da conversa.
Brasil de Fato: A pauta da educação movimentou, neste semestre, os maiores protestos no país. E o tema também esteve no centro de algumas crises do governo, que culminou em queda, por exemplo, do primeiro ministro nomeado para pasta. Qual sua avaliação da gestão da educação pelo governo federal nestes seis meses?
Miguel Nicolelis: O fato que a educação mobilizou tanta gente no Brasil mostra que ela é central no discurso e no pensamento da sociedade brasileira. O grande drama, que sinto, é a falta de aprofundamento dessa questão. Falar que é a favor da educação, todo mundo é a favor. E a gente viu que o tema foi capaz de mobilizar talvez o maior número de pessoas [nas ruas] desde a eleição. O que é surpreendente, por um lado. Mas, por outro, não é porque todas as famílias e camadas sociais brasileiras sabem que a esperança de seus filhos, netos e todos os jovens têm — e o país tem — de um futuro melhor reside nas oportunidades educacionais.
Eu acho que o que mobilizou mais ainda, que é muito diferente de qualquer outra coisa que a gente viu em muito tempo — eu não me lembro nem no governo militar de ter visto nada semelhante — é a perspectiva de asfixiamento das universidades e institutos federais. Eles correspondem a mais de 90% da produção científica do Brasil. E o almejo da grande maioria dos jovens brasileiros de cursar um ensino superior de alto nível, que se transformou em uma das maiores malhas educacionais de ensino superior público do mundo. 
Então, eu acho que no momento em que a sociedade brasileira começou a ver declarações, medidas e decretos que claramente apontavam para um estrangulamento das universidades federais, gerou-se um fator catalisador. Essas expressões, curiosamente, se desenvolveram a partir da perspectiva de se perder esse grande patrimônio nacional, que é a rede universitária federal. E, evidentemente, que até agora a gente não viu qual é a proposta do governo para os ensinos superior, básico nem ensino nenhum. O que a gente viu foi uma crise atrás da outra. 
Não só eu, mas o mundo inteiro está pasmo. Revistas internacionais de ciência dedicaram espaços que o Brasil nunca ganha, como por exemplo na Nature, para falar do total espanto e choque que é qualquer governo de um país como o nosso tentar que criminalizar e afogar as universidades, ao invés de promover, defender e ampliar seus horizontes. Basicamente usar o corte de verbas como a grande estratégia para calar o pensamento intelectual, o pensamento dos jovens, dos professores e dos funcionários. É uma grande calamidade.
O governo tem como alvo prioritário as ciências humanas, fala muito da ideologização da sociologia e filosofia, mas a extensão desses cortes também afeta a totalidade da produção científica…
Em nenhuma das duas bandeiras faz nenhum sentido, né. Eu sou um cientista biomédico. E não existiria ciência biomédica sem a filosofia. A ciência humana é a ciência do homem, por definição. O estudo do homem, das suas relações sociais, antropológicas, as suas ambições e anseios. Então, não se pode criar essa separação. Essa separação não faz o menor sentido. E evidentemente ela não contribui em absolutamente nada para o avanço da educação dos nossos jovens. Você remover o ensino de filosofia, sociologia do Ensino Médio, por exemplo, é um descalabro tão grande do ponto de vista intelectual que fica até difícil comentar. Você não vê qual o parâmetro que pode levar esse tipo de proposta. 
E não é só aqui  [que isso é visto com preocupação], mas fora do Brasil também. Eu estava dando uma palestra na Universidade de Lisboa há quase dois meses. Era o dia da primeira manifestação dos estudantes no Brasil. Quando eu contei aos estudantes e professores da universidade o que estava acontecendo no Brasil e pedi o apoio deles, foi um choque. O Brasil forneceu estudantes para Portugal, por exemplo, com o Ciência Sem Fronteiras, que Portugal nunca teve. Os EUA tiveram um fluxo de 25 mil estudantes brasileiros. E, pela primeira vez na minha vida, eu vi universidades americanas como o MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] e [Universidade de] Harvard abrirem escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro para recrutar os melhores estudantes brasileiros. Eles viram não só que o talento humano era muito grande, mas eles recebiam o dinheiro do governo brasileiro para receber cada um desses alunos. 
[O Ciências Sem Fronteiras] foi um dos maiores programas de fellowships científicas do mundo. Quando eu fui para a China, os chineses estavam falando desse programa e da admiração do fato de que 108 mil brasileiros foram para o exterior estudar, no limite do conhecimento humano, para ver o que existia e voltar para cá, né. Então, na realidade, o que choca é a própria falta de lógica e noção da proposta. Você iniciar o governo tratando como inimigo a universidade pública brasileira, você está pedindo para ter problemas de grande porte. 
É preciso dar continuidade a essa manifestação de desagravo. Não adianta se ela for pontual, apenas. Claro que passa a emoção daquele dia de manifestações, que foram muito parecidas com as manifestações das Diretas Já, quando eu era aluno aqui no Brasil. Mas você precisa dar continuidade a isso porque é óbvio que é uma estratégia que não vai ser posta de lado. Ela vai continuar. E existem universidades que daqui a alguns meses não tem como funcionar. Elas não têm como desempenhar suas funções.
E como todo esse contexto reposiciona o país, geopoliticamente, e em relação à soberania?
O Brasil estava tendo uma ascendência meteórica com os investimentos que foram feitos tanto pelo Ministério da Educação quanto pelo Ministério da Saúde e [Ministério da] Ciência e Tecnologia. Essa ascendência foi notada em número de publicações, na qualidade das publicações, na qualidade de alunos brasileiros, na penetração dos cientistas brasileiros no mercado internacional de ciência… Isso era tudo muito claro. Era tangível. Você podia medir, ver. 
O mercado internacional de ciência não é fácil de se penetrar. Existem uma série de preconceitos. Eu vivo há 31 anos nos EUA, conheço de cor e salteado como você faz para impedir que certas áreas da ciência de ponta tenha a participação de países como Brasil. Na pesquisa aeroespacial, por exemplo. Na minha visita à Alcântara [no Maranhão] uns anos atrás, eu descobri que nenhum país distribui colaboração ou know-how espacial. O Brasil teve que construir tudo na força da sua própria competência científica, no CTA [Centro Técnico Aeroespacial]de São José dos Campos e aplicando na base de Alcântara. E nós estamos dando de mão beijada isso. Nem sabemos o que vamos acontecer ali dentro. 
Então, esse momento, que já vem desde 2015, quando o Brasil deixou de ser governável, com a preparação do impeachment e do golpe, e depois, no governo (de Michel Temer), a curva, eu chamo, é de ascensão e o crash da ciência brasileira. De repente, se puxou o tapete. Então imagina, você foi para fora do Brasil com uma bolsa do governo brasileiro para fazer uma pesquisa em astrofísica na Harvard e, agora, você é um doutor em astrofísica e quer voltar para o Brasil… Você vai para onde? Você vai trabalhar onde? Você vai reposicionar o Brasil nessa área como? A conclusão é essa: é uma grande tragédia que compromete drasticamente a soberania do Brasil. Não agora, somente, mas em várias décadas que estão por vir ainda.
Uma pesquisa do INCT, divulgada nesta semana, mostra que 67% dos jovens brasileiros têm interesse por ciência, o que é um dado muito positivo. Mas, em contrapartida, um a cada quatro, acredita que vacinas fazem mal. E 54% afirmam que os cientistas exageram, por exemplo, com relação a mudanças climáticas. Teorias terraplanistas, por exemplo, estão ganhando espaço em todo o mundo… Como o sr. enxerga o avanço dessas teorias anti-científicas? 
É um fenômeno histórico da humanidade, né. O que é mais assustador no momento atual é que, com a interconectividade global que existe, você consegue espalhar esse tipo de absurdo muito rapidamente. Você consegue criar movimentos, por exemplo, teve um congresso de terraplanistas nos EUA, perto de onde moro. Quer dizer, os caras foram no espaço, fotografaram a terra… Se você tinha qualquer dúvida, teve gente lá em cima que fotografou. A evidência é óbvia. Circunavegaram  a terra antes de sair para o espaço. Não dá nem para entrar em um debate como esse…
Sobre a questão climática, toda a evidência disponível e experimental de gente séria que trabalha na área evidente que demonstra o impacto humano…
Então o que explica essa negação de evidências?
A falta da formação do pensamento crítico. Os sistemas educacionais ao longo do mundo não estão conseguindo dar conta de formar pessoas que conseguem pensar criticamente. E isso não é um fenômeno nacional. Nos EUA, eu moro em uma região do país onde isso é muito frequente. E os cientistas são atacados até mesmo fisicamente.
Então, é quase curioso que depois de todo o desenvolvimento que nós experimentados cientificamente nós estejamos voltando para uma época, com toda a tecnologia que foi desenvolvida, toda a hiperconectividade… Eu falo isso no meu livro, inclusive: estamos voltando para uma época em que parece que voltamos 800 anos atrás. Estamos negando princípios básicos da descoberta científica que são clássicas. E isso é muito preocupante.
Para mim, isso é um reflexo claro do momento em que o mundo vive de como as tecnologias digitais estão reprogramando nossos cérebros, como elas estão alterando nossa percepção da realidade e como é tão fácil uma pessoa criar uma realidade paralela e conseguir administrar ela para milhões de outras pessoas. Na minha opinião, esse é um dos problemas mais sérios que nossa espécie enfrenta nesse instante: como não transformar o ser humano em um robô, num autômato, que não tem mais a capacidade de pensar por si só e de ser crítico. 
É um bombardeio, se você for parar para pensar. Se você olha para o que sai hoje nas redes sociais, é um contínuo bombardeio de teorias da realidade. E se você não tiver o mínimo de formação, o mínimo de capacidade de discernir o que é real e o que não é, fica muito difícil. Às vezes, quase impossível com as manipulações de imagens e de vídeo que são feitas hoje. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Como educar uma geração digital com tanta dificuldade para se concentrar?...

Os estudantes de hoje têm de lidar com um problema - e ele não está escrito no quadro negro. Eles estão tão acostumados a constantes estímulos de aplicativos de smartphone e plataformas de streaming que não conseguem se concentrar na aula. As gerações Z (idades entre 10 e 24 anos) e alpha (até 9 anos de idade) nasceram em um mundo onde os algoritmos os mantêm clicando e navegando em um ritmo frenético.

Agora, os professores também têm um problema. Como você adapta o currículo escolar para estudantes criados em meio à tecnologia? E isso pode comprometer a educação tradicional? O desenvolvimento inicial do cérebro é um assunto complexo, mas, nos últimos anos, pesquisadores em todo o mundo manifestaram preocupações sobre o impacto que smartphones e o hábito de consumir diferentes mídias simultaneamente podem ter sobre a capacidade de concentração....

Getty Images/BBC

"Há um conjunto crescente de evidências - que não ainda foram totalmente validadas e podem ser contestadas - de que a tecnologia, as redes sociais, o acesso instantâneo à internet e os smartphones prejudicam a capacidade das crianças de se concentrar", diz Jim Taylor, autor de Raising Generation Tech (Criando a Geração Tech, em tradução livre). "Estamos mudando a forma como crianças pensam e como seus cérebros se desenvolvem." Os professores também já notaram isso. "É um problema. Para começar, o adolescente médio só consegue prestar atenção por cerca de 28 segundos", diz Laura Schad, que dá aulas para alunos de 12 a 14 anos na Filadélfia, nos Estados Unidos.

Ela diz que, embora os smartphones tenham afetado claramente os cérebros em pleno desenvolvimento de seus alunos, falta treinamento para lidar com a questão: como a educação deve evoluir para atender alunos que são nativos digitais não foi algo tratado em sua formação profissional, por exemplo. Leitura prejudicada Os efeitos da tecnologia ficam mais claros em uma das atividades escolares mais tradicionais, a leitura, especialmente quando as crianças migram das mídias digitais baseadas em texto para aplicativos repletos de imagens como Instagram e Snapchat.

"Hoje, os alunos parecem achar especialmente exaustivo ler textos complexos ou longos sem fazer pausas constantes. No passado, os alunos pareciam estar acostumados a se dedicar a um texto por um longo período de tempo", diz Erica Swift, professora do 6º ano de uma escola de Sacramento, nos Estados Unidos. "Você percebe a falta de resistência deles, ao pedir intervalos de descanso ou ao conversar com os colegas em vez de estudar. Alguns até mesmo desistem por completo de leituras mais longas." Simplesmente transferir o texto para um aparelho eletrônico não ajuda, o que indica que o problema é mais complexo do que uma simples preferência pelas telas em detrimento de algo impresso em papel. Taylor explica que o ato de prestar atenção não só tem um valor inerente, mas funciona como porta de entrada para formas mais profundas de aprendizado - especialmente em termos de memória.

"Sem a capacidade de prestar atenção, crianças não conseguem processar [informações]. Eles não consolidam o conhecimento na memória, o que significa que não podem interpretar, analisar, resumir, criticar e chegar a uma conclusão sobre a informação recebida", diz ele. A sala de aula do futuro Se os alunos não parecem prestar atenção por longos períodos, muitos professores simplesmente dividem as lições em partes menores. Gail Desler, especialista em integração tecnológica do distrito escolar de Elk Grove, onde fica a escola de Swift, diz: "Uma ideia comum entre os professores é que algo mais curto é melhor".

Desler também dá como exemplo professores que iniciam as aulas com exercícios de atenção plena ou de meditação quando os alunos precisam se concentrar. Uma professora do ensino médio em Salinas, nos Estados Unidos, usa o aplicativo Calm para ajudar os alunos a meditar, mas um estudo de 2013 indicou que qualquer tipo de "intervalo de descanso da tecnologia" pode combater a ansiedade por realizar múltiplas coisas ao mesmo tempo.

Getty Images/BBC
Um estudo de 2018 descobriu que alunos da geração 
Z evitam livros e apontam vídeos como sua fonte
preferida de informações.

Alguns professores também escolhem "ir ao encontro dos alunos" em plataformas como o YouTube e o Instagram. Asha Choksi, vice-presidente de pesquisa global da editora educacional Pearson, dá o exemplo de um professor que filma a si mesmo realizando um experimento científico, publica no YouTube e usa o vídeo na aula para ilustrar o material no livro didático, que pode ser visto como algo chato para os alunos. Da mesma forma, Schad busca manter os alunos dedicados às tarefas por meio de lembretes no Instagram sobre o dever de casa e as próximas atividades.

Estes recursos podem manter os alunos atentos quando refletem seus interesses. Desler elogia professores que fazem coisas como relacionar a história da propaganda nazista ao cyberbullying. "Trata-se de introduzir informações relevantes em um currículo obrigatório, de maneira que os alunos se vejam refletidos no que é ensinado", diz ela. "Ao fazer conexões com coisas que estão acontecendo aqui e agora, você entra no mundo deles e os envolve."

Adaptação à nova realidade 

Enquanto isso, plataformas especializadas de aprendizado como o Flipgrid, que permite aos alunos compartilhar vídeos de si mesmos fazendo apresentações, ajudam os professores a envolver os alunos usando as mídias que eles estão acostumados a usar. Um estudo de 2018 da Pearson descobriu que os alunos da geração Z evitam livros e apontam vídeos como sua fonte preferida de informações, atrás apenas dos próprios professores. Ao se inserir nos meios dos quais as crianças já participam e com os quais criam, os professores podem captar melhor sua atenção.

Alguns distritos escolares já migraram digitalmente para plataformas como o Google Classroom, que permite que alunos e pais monitorem notas e tarefas futuras e acompanhem o desempenho dos estudantes para entender melhor no que eles estão deixando a desejar. A tecnologia pode até mesmo ajudar a reparar danos causados à habilidade de leitura. Schad diz que, em sua escola na Filadélfia, os professores usam computadores lidar com as dificuldades apresentadas pelos estudantes. A plataforma de leitura da escola, a Lexia, adota elementos de videogames para estimular a participação.

O programa também separa automaticamente os alunos com base no seu desempenho, oferecendo aos alunos mais bem sucedidos tarefas mais avançadas no mundo real e exercícios digitais extras para aqueles com mais dificuldades, até que aprendam totalmente a lição. Essa abordagem personalizada ajuda a lidar com as diferentes formas como estudantes são afetados pela tecnologia. Os Estados Unidos são líderes globais em tecnologia educacional, com empresas de tecnologia de ponta recebendo US$ 1,45 bilhão (R$ 5,7 bilhões) em investimentos em 2018.

Mas empresas como a Flipgrid e a Lexia terão cada vez mais concorrência vinda do exterior. A indústria de tecnologias para educação no leste da Ásia está crescendo, conforme plataformas americanas como a Knewton se expandem internacionalmente e geram um crescente interesse global em adaptar as salas de aula para estudantes que são nativos digitais.

Uma forma de 'aprendizado misto'

 Ainda assim, enquanto alguns educadores estão adotando a tecnologia em sala de aula, vários estudos mostraram que salas de aula tradicionais podem ter mais sucesso. Um estudo de 2015 da London School of Economics mostrou que os resultados do teste GCSE, que avalia estudantes do ensino médio no Reino Unido, melhoraram quando escolas de Birmingham, Londres, Leicester e Manchester proibiram os celulares em sala de aula.

O professor de neurociência William Klemm, autor de The Learning Skills Cycle (O Ciclo de Habilidades de Aprendizado, em tradução livre), destaca um estudo de 2014 que apontou que anotações à mão ajudam alunos a reter mais informações em comparação com o uso de um computador. Klemm também aponta que dividir lições em partes menores pode ser prejudicial, porque isso pode impedir que os alunos tenham uma compreensão mais ampla do que é ensinado. Ele diz que os estudantes precisam de tempo para se envolver com um tema.

Até mesmo educadores que veem com bons olhos o uso da tecnologia acreditam que os métodos tradicionais têm seu valor e sugerem uma abordagem de "aprendizagem mista". "Tenho visto muita discussão entre acadêmicos nos últimos anos sobre se o formato de palestra é algo do passado e que deve ser extinto", diz Katie Davis, professora da Escola de Informação da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. "Acho que isso se resume a se você acredita que existem habilidades valiosas envolvidas no processo de acompanhar um argumento complexo que é apresentado linearmente em tempo real."

Enquanto Davis admite que as novas mídias poderiam ajudar a desenvolver habilidades importantes, ela ainda acredita que as palestras têm o seu valor. Educadores com diferentes opiniões sobre o uso da tecnologia concordam que a autoridade do professor continua sendo de máxima importância. Elizabeth Hoover, diretora de tecnologia para escolas públicas de Alexandria City, nos Estados Unidos, busca melhorar a educação em seu distrito por meio da tecnologia, mas diz que isso nunca substituirá o aprendizado diretamente com um professor.

"A interação pessoal ainda é o componente mais importante em uma sala de aula", diz ela, para quem a tecnologia deve ser empregada apenas quando aprimora uma lição de maneiras que seriam impossíveis de outra forma. Schad também diz que muitos professores confiam na tecnologia apenas porque não têm recursos analógicos suficientes. Programas como o Lexia não seriam necessários se as escolas fornecessem mais recursos para contratar mais profissionais que auxiliem no aprendizado, o que permitiria liberar professores para se concentrarem nos alunos que enfrentam dificuldades. A professora Sophia Date, que ensina Ciências Sociais para o 12º ano de uma escola da Filadélfia, também questiona o investimento em tecnologia em detrimento de investimentos em mais professores. "Há um enorme vontade de levar a tecnologia para a sala de aula, mas, às vezes, isso é feito no lugar de mudanças maiores e mais necessárias. As organizações que doam fundos para educação têm prazer em dar dinheiro para comprar tablets e computadores, mas não estão dispostas a custear um salário de um professor por um ano", diz ela. Date defende que ampliar o acesso à tecnologia continua a ser algo crucial para ajudar a diminuir a diferença entre as condições oferecidas a estudantes de baixa e alta renda, mas diz que isso não pode substituir mudanças no sistema educacional.

Aprendendo a raciocinar 

Embora a tecnologia mine alguns aspectos da educação, também capacita estudantes de formas inesperadas. "Existe essa visão de que os jovens ficam um pouco apáticos, preguiçosos, distraídos com a tecnologia", diz Choksi, da Pearson."Realmente, subestimamos o papel que a tecnologia está desempenhando na educação das crianças e o poder que isso dá a elas em seu aprendizado." 

Por exemplo, alunos que não tem paciência para esperar que os educadores respondam a suas perguntas estão cada vez mais dispostos a buscar as respostas por si mesmos. "Eles podem estar estudando álgebra e ir ao YouTube para descobrir como resolver um problema antes de consultar um professor ou um livro didático", diz Choksi. Swift diz que isso deve ser estimulado nos alunos. "Você quer que eles façam novas perguntas e busquem novas respostas." Taylor aponta que, conforme a informação se torna onipresente, o sucesso não se resume a saber mais, mas na capacidade de pensar de forma crítica e criativa, que são, ironicamente, as habilidades que a mídia digital prejudica ao reduzir a capacidade de prestar atenção dos estudantes.

"Se você pensar em Mark Zuckerberg, Bill Gates e em todas estas pessoas que obtiveram sucesso no mundo da tecnologia, elas não chegaram até aí porque sabiam programar, mas porque são capazes de raciocinar", diz ele. Os nativos digitais continuarão a adotar vorazmente as novas mídias. Os professores não têm escolha a não ser evoluir, não apenas para garantir que alunos possam acessar e tirar proveito das tecnologias, mas para fazer com que os alunos tenham sucesso em um mundo que está constantemente tentando distraí-los

FONTE:.https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2019/04/03/educar-geracao-dificuldade-concentrar.htm

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Volta às aulas aos 90 anos: os idosos que decidiram ir à faculdade...

No Brasil, há 18,9 mil universitários que possuem entre 60 e 64 anos e mais 7,8 mil acima dos 65. Nos dias em que tem aula, o aposentado Elpídio Neto de Oliveira, de 70 anos, coloca a mochila nas costas e caminha por 50 minutos, com botinas surradas pelo tempo, até o campus da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), em Alto Araguaia (MT). Ele ingressou na unidade de ensino no inicio de 2016. Atualmente, cursa o quinto semestre de Letras - ao todo, são oito.
O aposentado Carlos Augusto Manço também retomou os estudos na terceira idade. Aos 90 anos, iniciou o curso de Arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ele concluiu o ensino médio na juventude e desde então sonhava em cursar uma universidade. Porém, dificuldades financeiras o impediam de concretizar o sonho.

Centro Universitário Barão de Mauá

Aos 67 anos, a agente de Educação Infantil Dulce Araújo conquistou o diploma de Pedagogia. Ela conta que o pai e o marido a impediram de estudar quando era mais nova. Em razão disso, passou grande parte da vida se dedicando à família. Décadas mais tarde, o desejo que tinha desde a infância se realizou: foi aprovada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Moisés Bandeira/Assessoria Unemat

Elpídio, Carlos e Dulce são retratos de brasileiros que não tiveram a oportunidade de fazer um curso superior na juventude e aproveitaram a terceira idade para estudar. No Brasil, há 18,9 mil universitários com idades entre 60 e 64 anos. Na faixa etária acima dos 65, o número é de 7,8 mil pessoas. Os dados incluem instituições públicas e privadas. As informações constam no Censo de Educação Superior de 2017, levantamento mais recente. Os dados não especificam a quantidade de idosos que estão fazendo curso superior pela primeira vez.
Para Maria Candida Soares, pesquisadora em envelhecimento humano pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), cursar uma universidade pode trazer benefícios aos idosos, como a atualização de conhecimentos, visão de um novo momento sociocultural e a possibilidade de buscar uma nova carreira.
"Muitos conseguem ter acesso ao tão sonhado diploma universitário apenas na velhice. Mesmo que não seja para o exercício de uma atividade profissional, eles podem buscar uma universidade pelo prazer, mérito e reconhecimento em ter concluído o ensino superior, algo que ainda não está disponível para todos os indivíduos", diz à BBC News Brasil.
A população idosa do Brasil tem crescido a cada ano. De 2012 a 2017, a quantidade de idosos aumentou em 18% no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para as próximas décadas, a estimativa é de que o número cresça ainda mais.

Arquivo pessoal

Segundo o IBGE, pessoas com 65 anos ou mais corresponderão a 25,5% da população em 2060. Em 2018, tal faixa etária corresponde a 9,2%. "Nessa perspectiva de aumento da população idosa, o contexto nas universidades deverá ser alterado com o passar dos anos", diz Maria Candida. Segundo ela, cada vez mais se tornará comum a presença de idosos em cursos superiores.

'Não queria ser chamado de analfabeto'

 Elpídio abandonou a escola em 1964, aos 16 anos. Na época, fazia o quinto ano do ensino fundamental. "Tive que largar os estudos para trabalhar, porque meus pais ficaram doentes e eu precisava ajudar em casa", relata à BBC News Brasil. Desde então, não parou mais de trabalhar na propriedade rural da família, em Ponte Branca (MT).
Quase cinco décadas depois, o idoso se aposentou e decidiu retomar os estudos. O principal motivo que o levou a voltar às salas de aula, conta, foram comentários que ouviu durante a vida. "Muitas pessoas falavam que eu era analfabeto e isso me deixava encabulado", declara.

Isabella Bucci

As críticas o motivaram a se matricular no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). "Já estava aposentado e tinha mais tempo para enfrentar os estudos. Antes, a minha vida era só trabalhar na roça." Em três anos, concluiu o ensino fundamental e o médio, por meio do EJA. Depois, se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e conseguiu uma vaga no curso de licenciatura em Letras, com habilitação em português e inglês.
Ele comenta que escolheu o curso porque sempre quis ser professor. "Talvez eu não chegue a dar aulas. Mas se puder, vou dar." Para se dedicar aos estudos, o idoso se mudou de cidade. Ele deixou a região rural de Ponte Branca e foi para a área urbana de Alto Araguaia, junto com a esposa, com quem vive há 40 anos. "Eu tive que sair da minha cidade para ficar mais próximo da universidade", justifica. Há três anos, o casal, que não tem filhos, mora em um conjunto habitacional. Ele possui certa dificuldade para compreender os conteúdos das aulas, mas afirma que sempre se esforça para ter um bom desempenho. "As minhas ideias são curtas e não entendo com facilidade os conteúdos, mas a disciplina vai passando e vou aprendendo." A casa do aposentado é distante do campus da universidade. Ele estuda no período noturno, suas aulas começam às 19h. Diariamente, ele sai de casa às 17h30 para fazer a caminhada até a Unemat. "Aqui onde moro não tem ônibus que leva para a universidade. As únicas opções são ir andando ou pagar táxi ou mototáxi. Quando estou atrasado, chamo um mototáxi, mas não é sempre, porque não tenho dinheiro pra isso", explica o universitário, que tem a aposentadoria como única fonte de renda.
Mesmo com as dificuldades, o aposentado, que planeja se formar no fim de 2020, não falta a nenhuma aula. "Sei que se eu faltar, vou perder o conteúdo e isso pode me prejudicar. Então, mesmo que chova, dou um jeito de ir. Tenho que me dedicar para terminar o curso, porque quando me formar, pelo menos vou saber que não vou morrer analfabeto", diz.
Arquitetura aos 90 anos A dedicação aos estudos também é uma característica de Carlos Augusto. Aos 91 anos, ele concluiu, em dezembro, o segundo semestre de Arquitetura e Urbanismo. Desde a juventude, o idoso planejava fazer um curso superior. Ele adiou o sonho por mais de meio século. "Devido à situação financeira, não consegui cursar uma universidade antes. Eu tinha que trabalhar e, além disso, teria de sair de Ribeirão Preto, onde sempre morei, para fazer uma faculdade ", comenta.
A escolha pela Arquitetura e Urbanismo foi motivada pela profissão que ele exerceu ao longo da vida. Carlos aprendeu a desenhar na juventude, durante o primeiro emprego, logo após servir ao Exército. Anos mais tarde, fez curso profissionalizante de projetista em uma escola técnica. Por 35 anos, trabalhou como desenhista profissional no câmpus da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. No local, ajudou a projetar áreas da instituição de ensino e do Hospital das Clínicas, pertencente à USP.
No começo de 2018, Carlos, agora viúvo, pai de dois filhos, com oito netos e quatro bisnetos, decidiu retomar o sonho da juventude. Ele confessa ter ficado em dúvida sobre a área em que iria estudar. "Eu criava orquídeas, então, pensei em fazer Biologia. Mas como a minha profissão da vida foi desenhista, optei pelo ramo da Arquitetura." A família do aposentado ficou receosa, a princípio, com o fato de ele iniciar um curso superior aos 90 anos. "Nossa maior preocupação era em relação ao aprendizado dele com os jovens, pois a educação era diferente há 70 ou 80 anos", diz a confeiteira Isabela Bucci, uma das netas de Carlos.
O idoso foi aprovado no vestibular. Em razão da idade, a universidade concedeu bolsa de 50% a ele. Carlos paga cerca de R$ 800 por mês, com recursos da aposentadoria. Os parentes se revezam no transporte do idoso, que estuda no período noturno, à universidade. Assim como Elpídio, ele também não gosta de faltar às aulas. Entre os colegas de turma, ficou conhecido pelo apelido de Juventude. Carlos conta que tem boa relação com os jovens da turma e os auxilia com o conhecimento que adquiriu ao longo da carreira de projetista. Eles também o ajudam. "Eu sei fazer quase tudo. Mas muitas vezes esqueço algo e recorro à molecada da sala", comenta, aos risos.
A rotina pacata de outrora deu lugar ao cotidiano atribulado. O idoso, porém, não reclama. "Acabou a 'forga' que eu tinha antes da universidade", diverte-se. Para Carlos, a maior dificuldade tem sido rever conteúdos que havia aprendido na carreira. "Estou aprendendo de outra maneira sobre assuntos que já conhecia", explica. Depois de formado, ele não planeja voltar a trabalhar, em razão da idade. Ele afirma que o principal objetivo ao entrar na universidade foi realizar o sonho de ter um curso superior.
Planos adiados, mas nunca esquecidos O sonho de fazer um curso superior também acompanha Dulce Araújo desde a juventude. Na infância, ela conta que costumava passar com o pai em frente ao prédio da UERJ, nas proximidades do Maracanã, e ficava encantada. "Aquela universidade era o meu sonho. Eu tinha paixão quando passava em frente àquele prédio cinza", diz à BBC News Brasil.
Ela concluiu o ensino fundamental, mas relata que foi impedida pelo pai e pelo então namorado de seguir para o ensino médio. "Parei de estudar quando comecei a me relacionar com o meu marido. Ele não queria que eu continuasse na escola. O meu pai era militar e concordava com ele", lamenta. Ela se casou, teve dois filhos e tornou-se dona de casa. Em 2004, aos 54 anos, Dulce começou a fazer diferentes cursos profissionalizantes, como um de informática. Em uma das aulas, um professor a incentivou a fazer o ensino médio. "Ele disse: 'volta, o cérebro da gente é uma caixinha de surpresas. Se você retornar, as coisas vão voltando aos pouquinhos'", relembra.

As palavras do docente a incentivaram a procurar o programa Educação de 
No período, ela e o marido chegaram a se separar. "Até hoje não sei o motivo da separação. Ele apenas me disse que não queria mais. Não acho que tenha a ver com o fato de eu ter começado a trabalhar e estudar, porque ele não comentava nada sobre isso." Por volta de 2007, ela prestou concurso público para agente de Educação Infantil, na capital do Rio de Janeiro, e foi aprovada. Cinco anos depois, aos 62 anos, passou a exercer a função em uma creche da cidade. "A idade nunca me impediu de nada. Não gosto de ficar parada e precisava trabalhar. O concurso foi muito importante para mim."Em 2012, ela fez um curso pré-vestibular para se preparar para disputar uma vaga na UERJ. No mesmo ano, fez a prova e passou para Pedagogia. "Quando soube da aprovação, foi uma emoção muito grande", relembra. Em 2013, ela iniciou o curso superior. "No começo, eu tinha um pouco de vergonha. Mas depois percebi que eu tinha o mesmo direito de estar ali que os mais jovens", diz.
Dulce conta que a universidade foi um período importante em sua vida. "Eu aprendi muita coisa boa. Havia várias faixas etárias na turma. Eu era a mais velha, mas isso não me afetava. Nunca tive nenhuma crítica por estar ali." Ela se recorda que um dos dias mais emocionantes foi a primeira vez em que entrou no prédio da UERJ, nas proximidades do Maracanã. Para ela, foi uma forma de realizar o sonho de infância. "Foi muito gratificante estar ali como estudante", diz, com a voz embargada.
A idosa teve de conciliar a função de servidora pública com a vida universitária. Dulce trabalhava no período vespertino e estudava à noite. "Era complicado, mas dava certo. Muitas vezes, eu chegava atrasada, mas geralmente os professores compreendiam. Eu ia do serviço direto para a universidade", conta. A rotina de estudos, segundo ela, era intensa. "Eu me dedicava muito. Havia dias em que chegava em casa à noite e ficava até de madrugada estudando as apostilas."
Em julho do ano passado, o marido dela morreu. Eles haviam retomado o casamento, quando ele ficou doente. Ela passou a cuidar do homem nos últimos meses de vida dele. "Quando ele faleceu, eu tinha que entregar a minha monografia, mas não estava conseguindo. Os professores, então, entenderam a minha situação e estenderam o prazo", comenta. Em setembro, ela apresentou a monografia. "Fui aprovada com nove. Fiquei muito feliz", diz.
m outubro de 2017, ela se formou. "Nunca reprovei em nenhuma disciplina. Era para ter concluído o curso antes, mas as paralisações atrasaram o cronograma", pontua. A cerimônia de colação de grau foi um dos momentos mais emocionantes para a idosa. "Foi uma sensação muito boa. Chorei muito. A minha neta, de um ano, ficava me chamando quando eu estava no palco. Eu chorando e ela me chamando. Ainda me emociono quando lembro", relata.
Hoje com 68 anos, Dulce continua trabalhando como agente de Educação Infantil em uma creche e pensa em se tornar professora do ensino fundamental. "Até os 70 anos, posso fazer concursos. Se surgir a oportunidade, farei, sim", comenta. Ela afirma que não pensa em se aposentar. "Não gosto de ficar em casa, parada. Gosto do meu trabalho e de estar sempre fazendo atividades, como ir ao cinema ou sair com amigos", diz. Em 2019, ela planeja fazer pós-graduação.

Aprendizado 

Estudiosa sobre a velhice, Maria Candida explica que a presença de alunos idosos é também uma forma de aprendizado para os mais jovens. "Eles trazem benefícios a toda a comunidade acadêmica. A vivência com os idosos desmistifica tabus e concepções equivocadas. Esse é um ganho fantástico para os jovens, que terão outro olhar e uma concepção diferente sobre o envelhecimento humano e o indivíduo idoso."

 "Há uma demanda reprimida de idosos que gostariam de cursar graduação ou pós-graduação somente pelo prazer do estudo e da aquisição de novos conhecimentos. Mas ainda estamos condicionados a receber alunos que irão se formar para ingressar no mercado de trabalho, como força produtiva. Muitas vezes, é difícil compreender o estudo pelo prazer de apenas estudar", acrescenta.

Para Dulce, os idosos não devem ter medo de ingressar em uma universidade. "Eu tinha esse temor, mas hoje vejo que não devemos pensar que a idade nos impede. Estudar é uma forma de nos sentirmos atualizados e úteis. Além disso, você melhora sua saúde física e mental." Elpídio reforça que é possível iniciar um curso superior em qualquer fase da vida. "Nunca é tarde. Sempre dá tempo", diz.

FONTE:https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2019/01/02/volta-as-aulas-aos-90-anos-os-idosos-que-decidiram-ir-a-faculdade.htm

Bullying - Brasil não possui lei nacional contra a prática...

Na semana passada, a divulgação do caso de uma ONG que pagou a cirurgia plástica de uma adolescente vítima de bullying gerou polêmica nos Estados Unidos.
Especialistas criticaram a medida, argumentando que as vítimas devem aprender a se defender da situação. 

Direto ao ponto: Ficha-resumo 

A estudante Nadia Ilse, 14 anos, sofria assédios diários na escola por causa de sua aparência. Os colegas a chamavam de “Dumbo”, em razão do tamanho de suas orelhas. Ela chorava, sentia vergonha de si mesma e dava desculpas para faltar às aulas. 
Quando a mãe descobriu, procurou ajuda na Little Baby Face Foundation, com sede em Nova York. A ONG decidiu financiar a operação, que aconteceu em junho.Segundo a organização, a cirurgia era necessária para recuperar a autoestima da adolescente. 
Bullying (do inglês bully, valentão) é uma palavra nova para uma prática antiga e recorrente em escolas. O termo define atos de violência física ou psicológica praticados com frequência contra um indivíduo, que não consegue se proteger. 
As vítimas são crianças e adolescentes que se distinguem do grupo pela aparência física, comportamento introspectivo ou pertencimento a grupos minoritários (étnicos, sociais, sexuais ou religiosos).
As agressões são classificadas em três tipos: emocional, verbal e física. Elas acontecem, na maior parte dos casos, sem o conhecimento de professores e pais. O bullying ocorre principalmente na escola, mas também na família, na vizinhança ou no trabalho. O surgimento das redes sociais trouxe outra vertente, o cyberbullying, que é quando a pessoa sofre assédio via internet, por e-mails, blogs, comunidades virtuais ou celulares.

Massacres 

Foi somente nos últimos anos que os casos passaram a chamar a atenção de educadores, da imprensa e de autoridades. Os primeiros movimentos antibullying surgiram em países de língua inglesa – Estados Unidos, Canadá e Reino Unido – nos anos 2000. Campanhas de prevenção ganharam a simpatia de personalidades como a cantora pop Lady Gaga. Suicídios e massacres envolvendo vítimas de bullying começaram a ser relatados a partir dos anos 1990, nos Estados Unidos.
Um dos casos mais conhecidos de suicídio é o da estudante Phoebe Prince, 15 anos. Ela se matou em 14 de janeiro de 2010 após sofrer durante meses a perseguição de colegas de classe, por conta de sua origem irlandesa. A tragédia teve repercussão internacional e levou o Estado de Massachusetts a criar uma lei contra o bullying (outros 47 Estados americanos possuem legislação semelhante). 
Vítimas também podem se tornar agressores. Nos Estados Unidos, dois adolescentes autores do Massacre de Columbine, que deixou 15 mortos em 1999, assim como o atirador do Massacre de Virgínia (33 mortos), em 2007, diziam-se alvos de chacotas dos colegas. O mesmo teria acontecido com o responsável pela morte de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, ocorrido no ano passado.

 Legislação.
Há duas abordagens no combate ao bullying: a pedagógica e a jurídica ou penal. Educadores e pedagogos acreditam que o problema deve ser tratado com educação, junto aos professores, alunos e familiares dos envolvidos. Hoje existem programas especiais nas escolas públicas e privadas que previnem, identificam e tratam o problema. Na esfera jurídica, não há no Brasil uma lei nacional específica sobre o tema. Mas nos últimos anos foram criadas leis municipais e estaduais, além de projetos de leis federais que tramitam no Congresso. Na cidade de São Paulo, por exemplo, um lei sancionada em 2009 pelo prefeito Gilberto Kassab determina que escolas de ensino básico devem incluir, em seu projeto pedagógico, medidas de prevenção e combate ao bullying. O Congresso também deve votar este ano a reforma do Código Penal, que inclui a criminalização do bullying. 
A lei prevê penas de 1 a 4 anos de prisão, para maiores de 18 anos. No caso de os agressores serem menores, serão cumpridas medidas socioeducativas. A proposta foi aprovada por uma comissão de juristas e o projeto tramita no Senado.
Hoje, os processos judiciais envolvendo bullying são baseados em leis como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a Constituição, o Código Penal e até o Código de Defesa do Consumidor, que responsabiliza a escola pela segurança dos alunos. 
Quase um terço (30,8%) dos estudantes brasileiros já foram vítimas de bullying, de acordo com uma pesquisa do IBGE realizada em 2009. A maior parte (35,9%), segundo a pesquisa, aconteceu em escolas particulares. Outro levantamento, feito em 2010, revelou que a forma mais comum acontece via internet.
O assunto é importante porque envolve discussões sobre educação, preconceito, intolerância e violência. Votações no Congresso, campanhas e a atenção da imprensa aos casos de bullying manterão o interesse da sociedade no tema.

FONTE:https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/bullying-brasil-nao-possui-lei-nacional-contra-a-pratica.htm

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Não tenha medo: Mercado de trabalho valoriza diploma EAD...

Uma dúvida recorrente de quem pensa em se matricular em um curso de graduação ou pós-graduação no formato EAD (Educação a Distância) é se o diploma é bem-visto no mercado de trabalho. Segundo Eliane Aere, diretoria da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Digital), na percepção dos departamentos de RH e das lideranças das empresas, a modalidade EAD tem sido tão aceita quanto a presencial. "Se é presencial ou EAD não faz a menor diferença na hora do processo seletivo. O que analisamos é a carga horária e a avaliação do curso no MEC", diz a especialista, ressaltando que, com exceção das áreas de saúde e engenharia, que exigem o aprendizado prático em laboratórios, praticamente todas as disciplinas ministradas online têm certificação reconhecida nas empresas.

iStock

Na opinião dela, a EAD abriu portas. "Os cursos a distância estão permitindo que mais pessoas, que até há pouco tempo não tinham condições de fazer uma faculdade ou pós-graduação, conquistem um diploma que refletirá positivamente na sua carreira", declara. Zilma Carvalho, coordenadora dos cursos de pós-graduação EAD do Senac, diz que grande parte dos que optam pela formação a distância já atua no mercado de trabalho e precisa de flexibilidade. "Muitos alunos que estão fazendo pós-graduação já são profissionais e costumam fazer muitas viagens de negócio, impossibilitando o ingresso em um curso presencial. Com a EAD, ele pode acessar a aula de qualquer lugar e concluir o seu curso tranquilamente." Para ela, alunos que concluem um curso a distância mostram uma grande capacidade de concentração e organização. "Quem opta por esta modalidade deve ser organizado e dedicado porque esses cursos têm um conteúdo mais extenso do que os presenciais", diz. Paulo de Tarso, vice-presidente de educação continuada do Grupo Kroton, é da mesma opinião. "O aluno precisa ser muito mais disciplinado para concluir o curso. No presencial, tem o professor que está em cima para ele não desviar o foco e prestar atenção na aula. No EAD, ele precisa se preparar para assistir a aula porque não terá o apoio de ninguém na hora", afirma. Ele ainda destaca que os cursos da modalidade EAD oferece um conteúdo mais denso. "O conteúdo teórico do EAD é muito mais completo do que o das aulas presenciais. O professor consegue transmitir todos os conceitos sem interrupção e com a mesma intensidade. Dificilmente ele conseguiria atingir o mesmo resultado em um curso presencial com muitos alunos", declara Tarso.