Ela é a britânica mais jovem a ser diagnosticada com vício em iPad. A compulsão em usar o tablet da Apple fez uma garota (o nome foi mantido em sigilo para preservar a privacidade da criança) de apenas quatro anos ser obrigada a passar por tratamento psiquiátrico. Ela adora os joguinhos no iPad e apresenta sintomas de abstinência quando o aparelho é retirado dela, informa o site News Australia.
A professor Martha de Freitas Azevedo Pannunzio, de 74 anos, é de Uberlândia. Ela escreveu uma carta para a presidente Dilma que foi entregue em mãos. Vale a pena ler. É a voz de quem não se cala e não consente.
BRASIL CARINHOSO
Bom dia, dona Dilma!
Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera
do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora
de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contracheque de
professora aposentada da rede pública mineira e em cada Nota Fiscal
Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do
BRASIL CARINHOSO.
Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista?
Faça-me o favor, senhora presidenta! É preciso que o Brasil crie um
mecanismo bastante severo de controle dos impulsos eleitoreiros dos
seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para
que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.
Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos
entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular
o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza,
reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para engordar
sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo
para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida,
um plano quinquenal engenhoso de estímulo à vagabundagem,
claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.
É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha,
jogar para a plateia. É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha
(que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.
Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora.
Sou bastante madura, bastante politizada, sobrevivente da ditadura
militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem votarei num
petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT é raivosa e
burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido,
e delirante. Vocês são adeptos do quanto pior, melhor. São discricionários,
praticantes do bullying mais indecente da História do Brasil.
Em 1988 a Assembleia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço
espetacular, legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática
e moderna. No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante
a lei*. Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou esta disposição,
enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto
seu modus governanti a partir do qual todos são iguais perante a lei,
menos os que são diferentes: os beneficiários das cotas e das bolsas-esmola.
A partir de vocês. Sr. Luís Inácio e dona Dilma, negro é negro, pobre
é pobre e miserável é miserável. E a Constituição que vá para a pqp.
Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras, colocaram-nos no
tronco, como eu faço com o meu gado, e os marcaram com ferro
quente, para não deixar dúvida d e que são mal-nascidos.
Não fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza,
publicamente, uma apartação étnica e social. E o PROUNI se transformou
num balcão de empréstimo pró escolas superiores particulares de
qualidade bem duvidosa, convalidadas pelo Ministério de Educação.
Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam ter
sido fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual,
empresarial, cultural e política do País. A Câmara Federal endoidou?
O Senado endoidou? O STJ endoidou? O ex-presidente e a atual
presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por
uma escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora
disse que estava lá, nesta trincheira, se esqueceu disto, dona Dilma?
Oi, por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!
Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País
empreendedor, com uma grade curricular objetiva, com professores
bem remunerados, bem preparados, orgulhosos da carreira, felizes,
é disto que o Brasil precisa. Para ontem. De ensino técnico, profissionalizante.
Para ontem. Nossa grade curricular é tão superficial e supérflua, que o
aluno chega ao final do ensino médio incapaz de conjugar um verbo,
incapaz de localizar a oração principal de um período composto por
coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe regra de três. Não sabe
calcular juros. Não sabe o nome dos Estados nem de suas capitais.
Em casa não sabe consertar o ferro de passar roupa. Não é capaz de
fritar um ovo. Os estudantes brasileiros só servem para
prestar vestibular, para mais nada. E tomar bomba, o que é mais triste.
Nossos meninos e jovens leem (quando leem), mas não compreendem
o que leram. Estamos na rabeira do mundo, dona Dilma. Acorde! Digo
isto com conhecimento de causa porque domino o assunto. Fui a vida
toda professora regente da escola pública mineira, por opção política
e ideológica, apesar da humilhação a que Minas submete seus
professores. A educação de Minas é uma vergonha, a senhora é
mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque confirma
o que estou informando.
Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se
anunciasse apenas duas decisões: um programa nacional de planejamento
familiar a partir do seu exemplo, como mãe de uma única filha, e uma
escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como fazer isto? Eu
ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio
Teixeira. Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e
fluminense de seu meio-conterrâneo e companheiro de PDT, Leonel
Brizola. Convide o senador Cristovan Buarque para um café-amigo,
mesmo que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.
A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola
em tempo integral, igual para as crianças e adolescentes de todas as
camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com quatro refeições
diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente.
Com biblioteca, auditório e natação. Com um jardim bem cuidado,
sombreado, prazeroso. Com uma baita horta, para aprendizado dos
alunos e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de
zero a seis, para estudantes de ensino fundamental e para os de
ensino médio, em instalações individuais para um máximo de
quinhentos alunos por prédio. Escola no bairro, virando a esquina
de casa. De zero a dezessete anos. Dê um pulinho na Finlândia,
dona Dilma. No aerolula dá pra chegar num piscar de olhos. Vá
até lá ver como se gerencia a educação pública com responsabilidade
e resultado. Enquanto os finlandeses amam a escola, os brasileiros a
depredam. Lá eles permanecem. Aqui a evasão é exorbitante.
Educação custa caro? Depende do ponto de vista de quem analisa.
Só que educação não é despesa. É investimento. E tem que ser feita
por qualquer gestor minimamente sério e minimamente inteligente.
Povo educado ganha mais, consome mais, come mais corretamente,
adoece menos e recolhe mais imposto para as burras dos governos.
Vale à pena investir mais em educação do que em caridade, pelo
menos assim penso eu, materialista convicta.
Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar
não tem nada a ver com controle de natalidade. Aliás, é a única medida
capaz de evitar a legalização do controle de natalidade, que é uma
medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a
ela. Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em
novembro de 1992, a lei do planejamento familiar. Nossa cidade
foi a segunda do Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se ao
SUS. Eu, vereadora à época, fui a autora da mesma e declaro isto
sem nenhuma vaidade, apenas para a senhora saber com quem
está falando.
Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço
pelo sucesso do seu governo como mulher e como cidadã. Mas a
maior torcida é para que não lhe falte discernimento, saúde nem
coragem para empunhar o chicote e bater forte, se for preciso.
A primeira chibatada é o seu veto a este Código Florestal, que ainda
está muito ruim, precisado de muito amadurecimento e aprendizado.
O planeta terra é muito mais importante do que o lucro do agronegócio
e a histeria da reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo.
Sou fazendeira e ao mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente
por isto não perco a sensatez. Deixe o Congresso pensar um pouco
mais, afinal, pensar não dói e eles estão em Brasília, bem instalados
e bem remunerados, para isto mesmo. E acautele-se durante o
processo eleitoral que se aproxima. Pega mal quando um político
usa a máquina para beneficiar seu partido e sua base aliada.
Outros usaram? E daí? A senhora não é os outros. A senhora á a
senhora, eleita pelo povo brasileiro para ser a presidenta do
Brasil, e não a presidenta de um partidinho de aluguel, qualquer.
Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro.
Assim mesmo vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães
excluídas do seu presente: as mães da classe média baixa, da classe
média média, da classe média alta, e da classe dominante, sabe por
quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que, junto
com os homens produtivos, geradores de empregos, pagadores
de impostos, sustentamos a carruagem milionária e a corte
perdulária do seu governo tendencioso, refém do PT e da base
aliada oportunista e voraz.
A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários
da Bolsa-família? Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar
qualquer trabalho de carteira assinada, por medo de perder o benefício.
Estou firmemente convencida de que este novo programa, BRASIL
CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda
tem o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social,
sem qualificação profissional, que não levará nosso País a lugar
nenhum. E, o que é mais grave, com o excesso de propaganda
institucional feita incessantemente pelo governo petista na última
década, o Brasil está na mira dos desempregados do mundo inteiro,
a maioria qualificada, que entrarão por todas as portas e ocuparão
todos os empregos disponíveis, se contentando até mesmo com a
informalidade. E aí os brasileiros e brasileira vão ficar chupando
prego, entregues ao deus-dará, na ociosidade que os levará à
delinquência e às drogas.
Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos,
o que eu mais queria era poder envelhecer despreocupada, apesar
da pancadaria de 1964. Isto não está sendo possível. Apesar de ter
lutado a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado
milhares de alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos
meus descendentes ainda está na estaca zero, com uma legislação
que deu a todos a obrigação de votar e o direito de votar e ser
votado, mas gostou da sacanagem de manter a maioria silenciosa
no ostracismo social, alienada e desinteressada de enfrentar o
desafio de lutar por um lugar ao sol, de ganhar o pão com o suor
do seu rosto. Sem dignidade, mas com um título de eleitor na mão,
pronto para depositar um voto na urna, a favor do político
paizão/mãezona que lhe dá alguma coisa. Dar o peixe, ao invés
de ensinar a pescar, esta foi a escolha de vocês.
A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para
eu pagar. Vai. Tomou esta decisão sem me consultar. Num país
com taxa de crescimento industrial abaixo de zero, eu, agropecuarista,
burro-de-carga brasileiro, me dou o direito de pensar em voz alta
e o dever de me colocar publicamente contra este cafuné na cabeça
dos miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos,
pense bem! Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola,
o bolsa-família, o vale-gás, as ONGs fajutas e outras esmolas que tais.
Esta sangria nos cofres públicos não salvou ninguém? Não refrescou
niente? Gostaria que a senhora me mandasse o mapeamento do Brasil
miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo
de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do
BRASIL CARINHOSO. Quero fazer uma continha de multiplicar e
outra de dividir, só para saber qual a parte que me toca nesta chamada
de capital. Democracia é isto, minha cara. Transparência.
Não ofende. Não dói.
Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE.
Não sou impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora
de latim, francês e português. Por favor, corrija esta informação.
Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare
na Casa Civil ou nas mãos de algum assessor censor e a senhora
nunca saberá que desagradou alguém em algum lugar. Então
vai pela internet. Com pessoas públicas a gente fala publicamente
para que alguém, ciente, discorde ou concorde.
O contraditório é muito saudável.
Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me
incomoda. R$2,00 (dois reais) por dia para cada familiar de quem
tem em casa uma criança de zero a seis anos, é uma esmolinha
bem insignificante, bem insultuosa, não é não, dona Dilma?
Carinho de presidenta da república do Brasil neste momento,
no meu conceito, é uma campanha institucional a favor da vasectomia
e da laqueadura em quem já produziu dois filhos. É mais creche
institucional e laica. Mais escola pública e laica em tempo integral
com quatro refeições diárias. É professor dentro da sala de aula,
do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino
profissionalizante e gente capacitada para o mercado de trabalho.
Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer
da corrupção escandalosa o meu assunto para esta catilinária.
Mas não. Prefiro me ocupar de algo mais grave, muitíssimo mais
grave, que é um desvio de conduta de líderes políticos desonestos,
chamado populismo, utilizado para destruir a dignidade da massa
ignara. Aliciar as classes sociais menos favorecidas é indecente e
profundamente desonesto. Eles são ingênuos, pobres de espírito,
analfabetos, excluídos? Os miseráveis são. Mas votam, como
qualquer cidadão produtivo, pagador de impostos.
Esta é a jogada. Suja.
A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social.
Neste momento em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a
população luta, grita, protesta, mata, morre, reivindicando
oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das Maravilhas,
a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de
estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!
Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência
da minoria de brasileiros e brasileiras que mourejam dia após dia
para sustentar a máquina extraviada do governo petista.
Último lembrete: a pobreza é uma consequência da esmola. Corta
a esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro.
Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de
protestar, sabe por quê? Porque, de cada delírio seu,
quem paga a conta sou eu.
Atenciosamente,
Martha de Freitas Azevedo Pannunzio
As crianças que estão acima do peso na pré-escola têm quatro vezes mais risco de se tornarem obesos por volta dos 14 anos, se acordo com uma pesquisa divulgada na quarta-feira no New England Journal of Medicine.
Dito de outra forma: “Metade dos casos de obesidade infantil ocorreu entre as crianças que tinham excesso de peso durante os anos pré-escolares”, escreveram os cientistas na revista. Quando o excesso de peso não ocorreu neste período, as chances de se tornarem obesas um pouco mais velhas caíram.
Os pesquisadores se propuseram a acompanhar não a prevalência, mas a incidência de obesidade na infância, sobre a qual eles disseram não haver estudos suficientes. Ou seja, eles queriam saber a velocidade com que novos casos de obesidade ocorrem em crianças de 5 a 14, em um esforço para chegar a intervenções eficazes.
Sendo comprovada esta constatação, de que a obesidade infantil se estabelece por volta dos cinco anos, pode-se discutir os papéis relativos ao início da vida em casa, em ambientes pré-escolares, e considerar também fatores intra-uterinos e predisposição genética, consideram os pesquisadores.
Na hora de comprar o material escolar, um item merece atenção especial: a mochila. Com o peso muitas vezes excessivo, devido à quantidade de livros e outros materiais, as mochilas precisam ser adequadas para distribuir bem o peso e não prejudicar a postura dos estudantes. Os pais devem ficar atentos para evitar que os filhos carreguem peso maior que o recomendável.
A Academia Americana de Pediatria considera que o ideal é que a mochila tenha entre 10% e 20% do peso corporal do estudante. Há instituições que defendem o percentual de 15%. O ortopedista pediátrico e professor na Santa Casa de São Paulo Claudio Santili explica que falta consenso porque não há pesquisas conclusivas sobre o tema. Ele defende que o peso máximo do material escolar carregado pelos estudantes seja 10% do peso corporal.
O uso de mochilas com peso excessivo, especialmente se carregadas de forma inadequada, pode provocar dores e até problemas na postura, explica Santili. “Se for carregada de forma inadequada, apenas de um dos lados do corpo, vai provocar contração da musculatura do lado oposto e a criança pode ter dor muscular. Se isso se prolongar, pode levar à postura inadequada”.
Ao escolher uma mochila, é importante que ela seja leve. Quando estiver vazia, não deve pesar mais que meio quilo. O ideal é que seja de duas tiras, pois as de tira única para o ombro não distribuem o peso uniformemente, o que pode causar problemas de postura. O estudante deve tensionar as tiras para que a mochila fique bem junto ao corpo e aproximadamente a cinco centímetros acima da linha da cintura.
As alças devem ser acolchoadas, reguláveis e com largura mínima de quatro centímetros na altura dos ombros. Tiras estreitas podem causar compressão nos ombros e restringir a circulação. É interessante também concentrar os objetos mais pesados no centro da mochila e mais próximos das costas. As orientações foram elaboradas pelo Proteste e pela Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica.
Sabrina Albuquerque tem dois filhos que estão no ensino fundamental, um de 9 e um de 13 anos, e fica preocupada com o peso que eles carregam diariamente. “Dá pra ver pela postura que o material está muito pesado, aí peço pra retirar alguns livros e levar na mão. Mas, com isso, eles às vezes acabam esquecendo o material”, conta. Sabrina avalia que a escola deveria se preocupar mais com a questão. “Acho que a escola acaba se preocupando muito com o conteúdo, o vestibular, e não se preocupa com essa parte física das crianças”, relata.
As mochilas com rodinhas podem ser uma alternativa para o excesso de peso. A Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica alerta, no entanto, que é preciso ter cuidado com a alça do carrinho que deve estar a uma altura apropriada. As costas devem estar retas ao puxá-la. Esse tipo de mochila, porém, enfrenta resistência dos adolescentes.
Além de mochilas adequadas, o diálogo entre pais e escola é considerado fundamental para equacionar o problema do excesso de peso que os alunos carregam. Algumas instituições têm adotado medidas que reduzem a quantidade diária de material que precisam levar.
Gabriela Braga é mãe de Caio, de 12 anos, que cursa o 7° ano do ensino fundamental em uma escola particular de Brasília. Ela conta que, neste ano, a escola vai adotar netbook e apostilas próprias que serão entregues por bimestre. “Este ano será entregue uma apostila por bimestre, com todas as matérias. Não é muito material para carregar. Extra, só um caderno de dez matérias”, diz.
O ortopedista Cláudio Santili também alerta os pais para conferir periodicamente as pastas escolares a fim de evitar que os filhos carreguem objetos desnecessários. “A criança também precisa ser fiscalizada. Muitas vezes, ela tem na mochila coisas que não precisam ser levadas à escola, como joguinho para brincar, o que aumenta o peso. Isso é muito comum”, disse.
As discussões em torno do excesso de peso das mochilas de crianças e adolescentes resultaram em um projeto de lei, aprovado em novembro do ano passado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que determina que as mochilas devem ter, no máximo, 15% do peso do estudante. O projeto também obriga as escolas a ter armários para os estudantes guardarem material. O texto, no entanto, não prevê nenhum tipo de fiscalização, nem sanções para quem descumprir a norma. O projeto ainda precisa retornar à Câmara dos Deputados FONTE:http://jornalregistra.com/bemestar/3830-especialista-alerta-sobre-peso-de-mochilas-com-material-escolar
Pais têm papel importante na formação das preferências culturais dos filhos, mas não devem privar as crianças de um ou outro conteúdo apenas por acharem “chato” ou “pobre”
Para que a criança desenvolva um paladar diversificado, que lhe permita ter uma alimentação balanceada ao longo de toda a vida, a ação dos pais é fundamental. Estudos indicam e confirmam que os alimentos oferecidos até o terceiro aniversário determinam como serão as preferências permanentes do indivíduo por certos tipos de comida. Será que com a formação do gosto cultural acontece algo semelhante? Os pais conseguem interferir de modo que seus filhos gostem do gênero musical ou do estilo literário favorito dos adultos da casa?
De acordo com especialistas, sim. “É principalmente o meio que determina qualquer formação de conhecimento. O processo de aprendizagem depende quase integralmente do ambiente em que a criança está inserida. Então, é fato que os pais que tentam influenciar seus filhos a gostar de rock ou pagode ou de algum tipo de livro serão bem-sucedidos nesse esforço”, afirma a pedagoga e educadora musical Leila Sugahara, doutora em psicologia da educação. Getty Images
"Pais que tentam influenciar seus filhos a gostar de rock ou
pagode ou de algum tipo de específico de livro serão bem
-sucedidos nesse esforço”, afirma pedagoga
Além da influência do ambiente familiar, a educadora musical e fundadora da Alecrim Dourado Formação Musical Vivian Agnolo Madalozzo ressalta ainda a influência que a felicidade gerada pela música nos pais tem na formação do gosto infantil: “Ao perceber que as pessoas ao seu redor ficam alegres com essas canções, a criança automaticamente gostará delas também. Para ela, música boa é aquela que dá prazer e pode ser associada a coisas boas, a bons sentimentos”.
Por isso, ambas rejeitam a ideia de um estilo musical ser valorizado pelos pais apenas porque alguém lhes disse que ele é bom para o desenvolvimento da criança. Essa “recomendação” normalmente é em prol da música clássica. “Isso vale desde a gestação. Se a grávida roqueira ouve suas bandas preferidas, seu corpo sente prazer e essas ‘ondas’ são transmitidas para o feto. Por outro lado, se ela se forçar a escutar sinfonias, sofrerá, e esse sentimento ruim será sentido pelo filho dentro da barriga”, explica Vivian. Leila complementa: “Pode ser a música mais completa do mundo, mas se não tiver a ver com o universo familiar, não terá o efeito esperado sobre a criança”.
O mesmo vale para a literatura. Se os pais quiserem que suas crianças apreciem algum autor ou gênero específico, “precisarão plantar uma sementinha”, nas palavras da contadora de histórias e arte-educadora Ivy de Lima. “Os adultos devem dedicar ao menos dez minutos do dia para contar ou mediar a leitura de histórias com os filhos. Esta é a melhor chance que terão de ajudar a construir um gosto”, diz.
Repertório
A principal recomendação de Vivian para os pais é que apresentem o máximo possível de cantores e bandas aos pequenos, para aumentar o leque de opções que eles terão para definir suas preferências. Além disso, que não privem as crianças de nenhum tipo de material cultural que desperte o interesse, mesmo que alguns trabalhos musicais destinados às crianças sejam menos elaborados.
“A Galinha Pintadinha, por exemplo, é muito pobre para o público infantil em termos de construção. A música é feita em computador, sem músicos e sem instrumentos reais, resultando em um produto final mecânico. A dupla Patati Patatá também lança mão de muitos sons computadorizados, principalmente para substituir instrumentos mais difíceis, como os de sopro. A mescla de instrumentos reais com sons computadorizados empobrece as canções e prejudica a formação auditiva da criança, que perde a oportunidade de conhecer a música pura”, afirma.
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Especialista recomenda que os adultos dediquem
ao menos dez minutos do dia para contar ou
mediar a leitura de histórias com os filhos
Ainda assim, ela reforça que esconder a existência ou proibir músicas desse tipo não é uma estratégia benéfica. “É importante conhecer de tudo e ter repertório para saber do que gosta”, defende. Leila concorda e acrescenta: “A preocupação com a educação auditiva infantil é muito relevante também. Se a criança ouvir só um tipo de música, chegará uma hora em que ela não conseguirá mais, fisicamente, assimilar os outros estilos, por falta de capacidade de fazer as conexões cerebrais necessárias”.
De igual maneira, os livros disponibilizados para os filhos devem ser de todos os tipos, independentemente das histórias que sejam lidas pelos pais. “A partir dos nove meses, os bebês já podem manusear livros de plástico, de pano, com texturas, de papel grosso, gibis. Tudo deve ficar em prateleiras baixas, para que o acesso seja fácil”, sugere Ivy. Para ela, não existe literatura boa ou ruim nessa etapa: o que importa é desenvolver o gosto pela leitura.
Com todos esses recursos, por volta dos oito anos de idade as crianças já começam a mostrar qual gosto musical e literário escolheram para elas. “Não precisa ter medo de a Galinha Pintadinha tornar seu filho menos exigente, desde que ele realmente conheça outras produções”, garante Vivian. “E, se ele frequentar rodas de contação de história, por exemplo, terá uma curiosidade constante e crescente sobre novos livros e autores, o que lapidará seu gosto”, continua Ivy.
Adolescentes
Tudo muito lindo, só que quando chega a adolescência os pais podem ter a impressão de que todo o esforço foi em vão. “Nessa fase, é a turma que influencia no que é acrescentado ao repertório. A influência do meio social é maior do que a da família e mesmo que a da TV”, conta Leila. Ivy exemplifica: “Se todos começam a ler ‘Diário de um Banana’ [série de livros sobre o garoto Greg Heffley, ed. Vergara & Riba], seu filho lerá o ‘Diário de um Banana’. Quando as meninas aparecerem com livros da [autora] Thalita Rebouças, sua filha vai querer ler também. Pertencer ao grupo é essencial na adolescência”.
Mas a tal “sementinha” sempre estará lá, garante Leila. “Ninguém deixa de gostar do que fez parte da sua criação só por estar na puberdade. Existe a possibilidade de haver uma negação, que passará quando seu filho chegar mais perto da idade adulta. Quando amadurecer, ele buscará um retorno às influências da infância e da pré-adolescência, vai querer de volta o que lhe é afetivamente importante. O trabalho dos pais vale a pena, sim”, finaliza.
Melhores estudantes das escolas públicas tiveram resultados superiores aos da rede privada em três das cinco áreas avaliadas no Enem de 2012
Os melhores estudantes das escolas públicas do País tiveram resultados superiores aos da rede privada em três das cinco áreas avaliadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012. A comparação, divulgada segunda-feira, 25/11, pelo Ministério da Educação (MEC), inclui os alunos das escolas federais, que tiveram as maiores notas entre todos os estudantes que fizeram a prova. A rede estadual, que concentra mais de 50% dos concluintes que participaram da avaliação, ficou com os piores resultados.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirma que a comparação foi feita usando os 215.530 melhores alunos da escola pública, mesmo número de estudantes dos coégios privados que fizeram a prova. "Nossa preocupação são as cotas. Este ano, 25% das vagas do SiSU (Sistema de Seleção Unificada) vão para alunos de escolas públicas. Esses 25% das escolas públicas são melhores que as escolas privadas", afirmou.
Os 215.530 representam 31,5% dos estudantes que tiveram as notas do Enem divulgadas - para calcular as médias, o MEC só considera estudantes que estejam concluindo o curso e provenientes de escolas que tenham pelo menos dez alunos fazendo a prova. Além disso, o grupo precisa representar pelo menos 50% dos concluintes daquela instituição.
Os melhores estudantes das escolas públicas tivera maiores notas em linguagens e códigos - português e língua estrangeira -, com 593,74 pontos, ciências da natureza (576,76), e redação (616,6). Na comparação entre as redes, as escolas federais tiveram os melhores resultados em todas as áreas, chegando a 625,24 em matemática e 613,07 em redação.
Os piores resultados são da rede estadual, que concentra a maioria dos concluintes. Ainda assim, as médias subiram em três das cinco áreas, na comparação com 2012. Caíram linguagens e códigos, de 527 pontos para 513, e redação, de 507 para 491,41. A rede federal teve queda das notas em quatro áreas: linguagens, matemática, redação e ciências da natureza. Nas escolas particulares, as médias foram inferiores a 2011 também em linguagens, redação e matemática, o mesmo que nas redes municipais.
O Enem por escola foi divulgado nesta terça-feira, 26, pelo MEC. As notas levam em conta as médias apenas dos estudantes que terminavam o ensino médio em 2012 e só são consideradas as escolas com um número representativo de alunos. No total, apenas 11.239 escolas tiveram as notas divulgadas, de um total de 25.744 instituições com 3º ano do ensino médio existentes no País.
"Temos interesse em usar a média do Enem como avaliação do ensino médio no futuro", afirmou Mercadante. Por isso, o ministério tem feito adaptações no cálculo das notas para deixar os resultados mais fiéis à realidade. Hoje, a única avaliação do ensino médio usada pelo MEC é a Prova Brasil, que tem uma amostra muito inferior a dos alunos que fazem o Enem.
Mais de um em cada três (36%) jovens brasileiros de 15 anos de idade repetiu uma série pelo menos uma vez
Apesar de os resultados do Pisa, divulgados terça (3/12), mostrarem que o desempenho dos jovens brasileiros melhorou nos últimos anos, ainda persiste o fosse que separa os melhores dos piores alunos. E essa lacuna é resultado da desigualdade socioeconômica.
“Subir quatro pontos por ano no aprendizado de matemática é algo a ser celebrado, mas é preciso ir além dos números e olhar para a desigualdade que não melhorou”, afirma a diretora executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz.
Priscila se refere à diferença de rendimento advinda da desigualdade socioeconômica. “Temos uma proporção muito pequena de jovens em situação de vulnerabilidade social que conseguem bons resultados. O País conseguiu fazer a inclusão, trazer mais gente à escola, mas agora é hora de ter uma política educacional que reduza essa desigualdade.”
Os dados do levantamento mostram que, entre os estudantes mais desfavorecidos, ainda é muito alta a taxa de repetência. No Brasil, mais de um em cada três (36%) estudantes de 15 anos de idade repetiu uma série pelo menos uma vez, uma das mais altas taxas de repetência entre os países que participam no PISA. Tanto que, em média, os alunos brasileiros levam 12 anos para concluir os oito anos do ensino fundamental.
Isso sem contar a evasão escolar, causada, entre outros fatores, porque o currículo não é envolvente, porque o aluno quer ou precisar trabalhar e, claro, como resultado da prevalência de repetência.
Além disso, há a questão estrutural, que abrange desde a precariedade das instalações físicas até a oferta e a qualificação dos professores. No Brasil, a relação professor-aluno nas escolas favorecidas é de 22,9 estudantes para cada docente. Nas que atendem a população em vulnerabilidade social, a proporção sobe para 31,3 estudantes para um professor.
“Em países preocupados com a equidade, acontece exatamente o oposto, se dá mais para quem tem menos”, compara Priscila.
Para o economista Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, o próprio modo de enxergar os resultados do Pisa dá pistas de como a educação tem sido tratada. “A forma como interpretaremos os dados ligados a nível socioeconômico, atendimento e fluxo escolar diz muito sobre o projeto de nação que queremos. Os avanços percebidos na avaliação do Pisa ainda não tiram o país de uma situação muito longe do desejável.”
Avaliação do governo
Nesta terça, ao analisar o resultado do Pisa, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que a fotografia da educação no Brasil ainda não é boa, mas destacou que os avanços podem ser considerados uma “grande vitória”.
“O resultado em relação a nossa evolução é uma grande vitória da educação brasileira. Não podemos nos acomodar e temos ainda um atraso histórico muito grande quando falamos em qualidade da educação. Fizemos muito, mas temos que fazer muito mais”, disse
Exame
O Pisa é uma prova aplicada a cada três anos para alunos de 15 anos dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), considerados de primeiro mundo, e outros países convidados, como o Brasil, que participa desde 2000. As áreas do conhecimento avaliadas são Matemática, Ciência e Leitura. A cada edição do exame, uma área é enfatizada - nesse último, Matemática foi o foco.
Na comparação entre 2003 e 2012, o Brasil subiu de 334 para 391 pontos em matemática, um aumento de 57 pontos. Mesmo assim, ocupa a 58ª posição entre os 65 países participantes da última edição e está mais de 100 pontos abaixo da média dos países da OCDE, que foi de 494 pontos.