terça-feira, 25 de junho de 2013

Pediatras denunciam bullying envolvendo alergia alimentar

Segundo pesquisa americana, um terço das crianças entrevistadas relatou ter sofrido bullying por causa de alergias. Pais sabiam das ameaças em apenas metade dos casos.
Qualquer diferença serve para separar alunos dos colegas e transformá-los em alvos potenciais de bullying. Porém, alergia severa a comida é uma vulnerabilidade singular. Basta um almoço ou festa de aniversário para as outras crianças saberem quais colegas não podem comer nozes, ovos, leite ou uma quantidade mínima de trigo. Pode demorar até eles compreenderem como é assustador viver com uma alergia que pode ser letal.
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"Intimidação via alergia alimentar nunca é piada porque
alguém pode terminar no pronto-socorro", afirma o
diretor-presidente do Food Allergy Research and
Education, John Lehr

De forma surpreendente, os colegas podem se aproveitar dessa vulnerabilidade, tramando trocar o lanche para ver se, por exemplo, a criança fica enjoada ou cuspir leite em seu rosto para provocar uma rápida reação anafilática.
Segundo pesquisa recente com 251 conjuntos de pais e filhos com alergias a alimentos, publicados na revista "Pediatrics" no mês de janeiro, praticamente um terço das crianças relatou ter sofrido bullying por causa das alergias. Os pais sabiam do comportamento ameaçador em apenas metade das vezes.
Robert Wood, diretor de alergia pediátrica do Centro Infantil Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, escuta "relatos muito frequentes" de intimidação dos pacientes e dos pais. Na semana passada, uma criança teve o rosto lambuzado com creme de amendoim, colocando-a em risco. Geralmente, o bullying não é tão radical, mas o fenômeno "sempre existe".

Cantina da escola
           
Agora, no entanto, a questão está começando a chamar a atenção. Em maio, o Food Allergy Research and Education, grupo sem fins lucrativos de McLean, Virgínia, divulgou um comunicado de serviço público destacando o tema com um estudante lamentando o fato de a cantina da escola ser um "lugar assustador". O vídeo teve mais de 17 mil visualizações no YouTube, tendo sido exibido na rede de televisão CW, levando dezenas de pais a contar episódios inquietantes na página do grupo no Facebook.
"O bullying não deveria ser visto como um rito de passagem", afirmou John Lehr, diretor-presidente do grupo. "Intimidação via alergia alimentar nunca é piada porque alguém pode terminar no pronto-socorro."
O Centro Médico Infantil Nacional, de Washington, acabou de contratar um psicólogo para participar do programa de alergia alimentar, em parte para ajudar os pacientes jovens que se sentem isolados ou estão sofrendo intimidação. De acordo com Hemant P. Sharma, diretor do programa, um terço dos pacientes já relatou casos de bullying.
Mês sim, mês não, uma criança conta ter sido forçada a comer um alérgeno. "Ainda que seja apenas uma criança que se sinta isolada por causa da alergia alimentar, o fato contribui para o fardo emocional", afirma Hemant.
Na verdade, algumas crianças com alergia alimentar ficam aflitas ou ansiosas. Wood costuma mandar a criança falar com um psicólogo "porque não tocam em maçaneta nem usam o banheiro por temerem uma exposição inadvertida ao alérgeno".
O Instituto Jaffe de Alergia Alimentar do Centro Médico Mount Sinai, Manhattan, não apenas oferece orientação psicológica às crianças e aos pais depois do episódio de bullying como também convoca os diretores em nome do paciente.

“Você não pode comer isto”
           
Nem sempre as vítimas da intimidação alertam os pais. Porém, Miles Monroe, oito anos, de Bethesda, Maryland, que é alérgico a leite, ovos e trigo, contou aos seus pais que não se sentia à vontade na cantina depois que um colega segurou uma embalagem de chocolate perto do rosto e ficou cantando "você não pode comer isto".
Miles não ficou "com medo de ficar doente por causa disso, mas se sentiu agredido", contou Courteney Monroe, 44, mãe do menino e diretora de marketing do canal National Geographic. A compreensiva professora de Miles arrancou o mal pela raiz ao falar para o agressor que seria como se ele não pudesse comer o alimento preferido (ruim), fosse provocado com ele (pior) ou terminasse no hospital se o ingerisse (até então, esse resultado era inconcebível).
Nem todo professor se mostra tão preocupado. "A intimidação relacionada à alergia alimentar nem sempre vem dos colegas, mas de adultos, como os professores", afirmou Elisabeth Stieb, enfermeira do Centro de Alergia Infantil do Hospital Geral de Massachusetts, Boston.
Pelo menos 15 Estados norte-americanos têm diretrizes para a administração da alergia alimentar nas escolas, e muitos cuidam de forma específica do bullying. As normas do Texas pedem "tolerância zero à intimidação ligada à alergia alimentar". Já as do Arizona sugerem que os bedéis sejam treinados a "intervir rapidamente para ajudar a impedir a troca de alimentos ou bullying" na cantina.
Bullying e provocação comum não são a mesma coisa. O que os distingue não é apenas a força diferencial entre as crianças, explicou Rashmi Shetgiri, pediatra e pesquisadora do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas, mas "alguém propositalmente tentando prejudicar outro".
Da mesma fora que os agressores cibernéticos usam equipamentos eletrônicos para machucar, os intimidadores da alergia alimentar "reafirmam a força utilizando o alérgeno", disse Shetgiri.             
FONTE:http://delas.ig.com.br/filhos/2013-06-25/pediatras-denunciam-bullying-envolvendo-alergia-alimentar.html

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Inspirados pela revolta turca, jovens engrossam passeatas pelo Brasil

Protestos tímidos pelo País contra o aumento das passagens ganharam grandes proporções em sintonia com Istambul ; passeatas ajudaram a reduzir a tarifa de ônibus em seis capitais


Gabriela Bilo/Futura Press
Manifestante e PMs em protesto contra o aumento das passagens
de ônibus, trens e metrô em SP

A causa é a redução no preço da passagem do ônibus. A inspiração é mais ambiciosa: as revoluções no mundo árabe ocorridas nos últimos anos e sua atualização com os protestos na Turquia, que no dia 31 de maio levaram milhares de pessoas a contestar a truculência governamental contra cidadãos que se opunham à derrubada de árvores para a construção de um shopping na Praça Taksim, em Istambul.
Em sintonia com o calendário turco, as manifestações contra o reajuste da tarifa, que já aconteciam desde janeiro no Brasil, ganharam força em maio e junho e culminaram nas cerca de 10 mil pessoas que saíram às ruas em São Paulo na última terça-feira (11), segundo estimativa dos manifestantes, e 5 mil, segundo números da polícia.
Assim como em Istambul, os manifestantes brasileiros mais entusiasmados saem de casa usando lenços sobre a boca e máscaras do personagem principal dos quadrinhos “V de Vingança”, que conta a história de um londrino revolucionário. “Usamos a máscara porque não se trata de uma reivindicação particular: quem olhar para o meu rosto vai enxergar o de muitos”, diz um manifestante que participou da passeata de terça. “O recado é que somos todos um.”
O cientista político e professor da PUC-SP Pedro Arruda diz que a Primavera Árabe e os acontecimentos na Turquia estimulam o imaginário dos jovens, que não saíam às ruas desde que pediram a saída de Fernando Collor de Mello da Presidência da República. Ele diz, no entanto, que as manifestações por aqui “ainda não questionam a estrutura de poder”. “O que a gente vê são protestos pelo direito de andar de bicicleta, ou contra a construção da usina Belo Monte, ou pela liberação da maconha. Essas passeatas são setoriais.”
Articulados desde 2005, os integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) citam as redes sociais e as revoluções pelo mundo como incentivo, mas dizem que há um trabalho de “conscientização” ocorrendo o ano todo pela periferia do Brasil. “Em M’Boi Mirim [na zona sul], a população já pede melhorias no terminal de ônibus e exigem uma estação de metrô”, diz o estudante Caio Martins Ferreira (19), do MPL. “As pessoas já sabiam dos protestos que estavam por vir.”


Em São Paulo, onde os manifestantes reuniram mais de 5 mil pessoas no último dia 10, o prefeito Fernando Haddad (PT) negociou com o governo federal para conseguir reajustar o valor abaixo da inflação acumulada desde 2011, quando houve a última correção. Em troca de adiar o reajuste para junho para poupar a inflação do primeiro trimestre, Haddad conseguiu do Planalto uma Medida Provisória (MP) que zerou as aliquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) pagas por empresas de transporte coletivo urbano.
Como o PIS/Cofins são responsáveis por cerca de 3,75% do valor da passagem, ao zerar a cobrança a partir da data da sua publicação, dia 1º de junho, a MP 617 possibilitou que Haddad reajustasse em 7% as passagens, que foram de R$ 3,00 para R$ 3,20 e abriu as portas para todas as prefeituras do País reconsiderarem os valores em vigor. Em Manaus, o prefeito fez os cálculos e reajustou o valor para baixo de R$ 3,00 para R$ 2,90.
Desde 1994, quando o País adotou o Plano Real, São Paulo viu a tarifa saltar de R$ 0,50 para R$ 3,20. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no entanto, a inflação do período foi de 332,22%, o que colocaria a passagem em um patamar de R$ 2,16.
O principal argumento da MPL durante suas manifestações é um dado divulgado em 2010 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) segundo o qual 37 milhões de brasileiros não podem pagar pelo transporte público regularmente. “Cada aumento significa o aumento desse contingente”, diz Ferreira.
Ações na Justiça
Com a ida de milhares de pessoas às ruas, as manifestações chamaram a atenção de autoridades, como Tribunais de Conta e Ministério Público, que oficializam e judicializam as demandas dos movimentos sociais em vários municípios.
Em Porto Alegre, os protestos começaram em fevereiro contra o reajuste das passagens de ônibus de R$ 2,85 para R$ 3,05 e nas lotações de R$ 4,25 para R$ 4,50, aumento que aconteceu em março. Em meio às manifestações, no dia 4 de abril, uma liminar da Justiça do Rio Grande do Sul determinou a suspensão do aumento até que uma ação popular que questiona a legalidade do controle das empresas de transporte público na capital gaúcha seja julgada.
Na ação popular, protocolada em 2011, os vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL e autores do processo, questionam a ausência de licitação para as concessionárias administrarem os ônibus em Porto Alegre.
Além da liminar, questionada na Justiça pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa), o Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS) emitiu uma medida cautelar obrigando as concessionárias a mudarem os critérios utilizados no aumento da passagem, que estaria supervalorizado. Segundo Ruas, as empresas de ônibus estariam trabalhando com uma taxa de lucro de 17% a 18%, mais que o dobro do que o determinado por lei, 6,72%.
O vereador se orgulha das manifestações que ocorreram na capital gaúcha e diz que já ouviu que o que está acontecendo em todo o Brasil é o “portoalegrasso”.
Após a decisão judicial e do apoio do Ministério Público de Contas em Porto Alegre, manifestantes em outras partes do País também começaram a contar com aliados de peso.
Em São Paulo, o Ministério Público Estadual interveio e tentou promover uma negociação entre os movimentos sociais e a prefeitura, que negou reconsiderar o aumento. Na Câmara Municipal da cidade, o vereador Ricardo Young (PPS) pediu para a SPTrans enviar para a Casa a tabela de custos, a mesma utilizada para reajustar o passe. A intenção é dar "transparência" nos gastos das empresas de ônibus da capital.
Em Goiânia, os protestos já aconteciam desde maio contra a futuro aumento da passagem. Apesar das reclamações, a tarifa subiu de R$ 2,70 para R$ 3 no dia 22. Em um protesto marcado para o dia seguinte, quatro estudantes foram presos. Com o aumento do número de participantes nas passeatas de junho, uma decisão liminar do juiz Fernando de Mello Xavier, da 1° Vara da Pública Estadual de Goiânia, suspendeu nesta o reajuste no último dia 10. A partir de amanhã (13), a tarifa volta a valer R$ 2,70.
Depois de uma manifestação em maio, os estudantes de Natal bloquearam a BR-101 e queimaram pneus em frente a um shopping no dia 6 de junho, embora tenha havido redução da tarifa. O valor saltou de R$ 2,20 para R$ 2,40, mas a isenção de impostos anunciada recentemente pelo governo federal reduziu a passagem em R$ 0,10 centavos – valor considerado insuficiente pelos estudantes, que querem a redução de outros R$ 0,10.
A mobilização também acontece no Rio de Janeiro. Também em maio, estudantes fecharam uma pista da avenida Presidente Vargas, no centro. Na última segunda-feira (10), a Polícia Militar prendeu 31 pessoas em uma manifestação que reuniu cerca de 500 pessoas.
Fórum Social Mundial 
Embora tremulem bandeiras do PSOL e do PSTU entre os cartazes que pedem a redução do preço da passagem de ônibus, os líderes das manifestações que ganharam as ruas desde 2003 se referem ao movimento como “livre” e “apartidário”. A representação seria tão independente que até a liderança da tradicional União Nacional dos Estudantes (UNE) foi rejeitada em nome de uma Federação fundada em 2006.
“Se estou falando com você agora não é porque sou líder, mas porque fui designado como porta-voz pela decisão da maioria”, explica Ferreira.
A Federação saiu do papel três anos depois da primeira revolta popular que inspirou o movimento. Em 2003, estudantes de Salvador bloquearam ruas e avenidas por dez dias. O grupo só se desfez quando a UNE e a União da Juventude Socialista (UJS) tentaram assumir a liderança. Na ocasião, o aumento não foi revogado, mas a prefeitura aprovou a meia-passagem para estudantes de pós-graduação e o uso da meia-passagem aos finais de semana.
Inspirados pelos baianos, Florianópolis irrompeu com a “Revolta da Catraca” no ano seguinte. Depois de uma semana de protestos, a prefeitura revogou o aumento da passagem, mas voltou a corrigi-lo do ano seguinte, gerando mais 30 dias de manifestações que resultaram no corte da tarifa.
Animados com os dois exemplos, estudantes de outras partes do Brasil iniciaram pequenos protestos. Em pouco tempo, esses jovens já conversavam entre si e marcaram um encontro no Fórum Social Mundial de 2005, quando ficou decidida a futura criação de uma organização que os reunisse. Em julho de 2006, um encontro nacional criou a Federação Movimento Passe Livre.
“Nós articulamos as datas de algumas manifestações, mas a organização das passeatas pertence aos representantes de cada cidade”, afirma o estudante. “Nossa interlocução aumenta em outubro, quando promovemos atos em conjunto.”
De lá para cá, os protestos ajudaram a baixar o valor da tarifa em 11 cidades. Além de Florianópolis no início do movimento, Aracajú (2012), Vitória (2006), Teresina (2011) e Porto Velho (2011) aceitaram as reivindicações. Em 2013 foi a vez de acontecer o mesmo em Taboão da Serra (SP), Porto Alegre, Goiânia e Natal. O último município a anunciar a medida foi Campinas, no interior de São Paulo, que na última quarta-feira (12) tirou R$ 0,10 da passagem, que agora custa R$ 3,20.

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2013-06-13/inspirados-pela-revolta-turca-jovens-engrossam-passeatas-pelo-brasil.html

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Professor dá aula ao mesmo tempo para 1ª a 5ª série e serve merenda

Em alguns lugares, educadora é única funcionária e apoio vem das mães

Com apenas 21 anos de existência e aproximadamente 15 mil habitantes, o município de Epitaciolândia, no Acre, tem em suas escolas um retrato do que é a educação em parte do Brasil. Na cidade localizada a 250 km da capital Rio Branco há 24 escolas, sendo 16 em área rural e apenas oito na parte urbana. Em algumas delas, o professor é o único funcionário. Por isso, além de dar aula para todos os alunos do primeiro ao quinto ano na mesma sala, o docente precisa servir a merenda e até limpar a escola. A situação, por outro lado, cria afinidade com os moradores a ponto das próprias mães dos alunos auxiliarem no trabalho voluntariamente.
Arquivo pessoal
Escola multisseriada de Epitaciolância, no Acre, tem lousa
dividida para cada série

“Nessas pequenas escolas não tem merendeira, quem faz tudo é professor. São aquelas escolas que têm dificuldade de acesso, estão longe, isoladas. O professor trabalha sozinho. A comunidade até ajuda a fazer merenda, mas com voluntários. Lá é multisseriado, um professor dá aula para os alunos de 1ª a 5ª série na mesma sala. Isso tudo numa lousa, só com divisória. A qualidade do ensino cai. Enquanto poderia estar ensinando, tem que fazer outras coisas”, explica a secretária de educação do município, Eunice Maia Gondim, que assumiu o cargo no início de janeiro e participa pela primeira vez do 14º Fórum Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação , em Mata de São João, na Bahia
Por conta disso, a cidade começou a adotar o sistema de nucleação. Na prática, quatro escolas isoladas que atendiam em torno de 20 alunos cada são transferidas para um mesmo endereço. A distância aumenta, mas a qualidade das aulas melhora, segundo Eunice. Isso porque a união de diferentes colégios faz alcançar um número maior de estudantes, o que possibilita contratação de outros funcionários, como merendeira, segurança e auxiliar de limpeza. Além disso, as aulas deixam de ser multisseriadas.
“Temos o processo de nucleação. É uma escola grande que funciona como um núcleo das pequenas. Você pode colocar um projeto de lei e, se os vereadores aprovarem, passa a ser núcleo. Esses professores da zona rural então passam a ter os mesmos direitos dos professores da área urbana. Lá eles vão ter a merendeira, a servente, o auxiliar, o vigia. Nas escolas isoladas não têm o beneficio. No núcleo não é mais multisseriado. O professor vai trabalhar com uma só série por vez”, explica.
Apesar dos aspectos positivos, o núcleo ainda enfrenta a resistência dos moradores. Das 16 escolas em área rural que existiam no município, oito aceitaram a mudança. Por isso, foram transformadas em dois núcleos, com quatro cada. As outras oito escolas preferiram manter o sistema comum, multisseriado.
“As oito (escolas) que ficaram foi porque a população não aceitou pela preocupação com a questão de transporte. Foi porque, por exemplo, com o núcleo a gente tem que contratar ônibus adaptada com condição para levar os alunos. Tem algumas comunidades que ficam em ramal, que são áreas que não são asfaltas, que caminhão não entra. Tem que ser ônibus adaptado. Com o núcleo ogasto é maior, a distância é maior, mas o ensino é melhor”, compara a secretária.

*O repórter viajou a convite da Undime"

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-05-17/no-acre-professor-da-aula-ao-mesmo-tempo-para-1-a-5-serie-e-serve-merenda.html

sábado, 11 de maio de 2013

Educadores dos EUA apostam em online para suprir defasagem de alunos

Dificuldades por falta de conhecimento e custo de revisão levavam à desistência

 

Deslumbrados com a possibilidade de disponibilizar aulas universitárias online gratuitamente, educadores estão se voltando para a corajosa tarefa de conseguir reunir material online suficiente para enfrentar um dos desafios mais difíceis da educação superior americana: dar a mais estudantes acesso à faculdade e ajudá-los a se graduarem dentro do prazo estimado de duração de cada curso.
NYT
Sebastian Thrun executivo da Udacity que analisa se cursos online 
ajudam alunos a concluírem a graduação
Quase a metade de todos os estudantes dos Estados Unidos chegam ao campus precisando revisar alguns conceitos acadêmicos básicos, antes de poderem começar a propriamente frequentar as aulas. Essa revisão pode custar caro, levando muitos a desistirem de cursar a faculdade, muitas vezes com dívida estudantil e poucas perspectivas de emprego.
Enquanto isso, a redução dos orçamentos estaduais refletiram arduamente nas instituições públicas, reduzindo o número disponível de lugares nas aulas que são obrigatórias para que os alunos possam se graduar. Só na Califórnia, os cortes de ensino superior deixaram centenas de milhares de estudantes universitários sem acesso a classes que precisam cursar para se graduar.

Créditos para que mais alunos façam
 
Para lidar com ambos os problemas e incentivar os alunos a se graduarem, as universidades começaram a misturar em seus currículos novos cursos abertos online, criados para oferecer educação de alta qualidade a qualquer pessoa com uma conexão à Internet. Embora os cursos, conhecidos como Moocs, tenham tido milhares de matrículas de milhões de estudantes de todo o mundo, a maioria dos que se matriculam nunca sequer começam a fazer as lições disponibilizadas online e poucos completam os cursos. E por isso, para atingir os estudantes que não estão prontos para o trabalho de nível universitário ou que estejam tendo dificuldades com cursos introdutórios, as universidades estão começando a agregar mais apoio para os materiais online, na esperança de melhorar os índices de sucesso.
Na Universidade Estadual de São José, Califórnia, por exemplo, dois programas piloto uniram material das aulas online com o currículo normal de cada respectivo curso disponibilizado na universidade - e permitiram que os alunos ganhassem crédito ao cursá-los.
Em um programa piloto, a universidade está trabalhando com a Udacity, empresa co-fundada por um professor de Stanford, para ver se os mentores dos cursos online, contratados e treinados pela empresa, conseguiriam ajudar mais os alunos a terminarem três cursos básicos de matemática online.
A Universidade Estadual de São Jose já tem alcançado resultados notáveis com materiais online de EDX , um fornecedor online sem fins lucrativos, em seu curso de circuítos, um obstáculo de longa data para futuros engenheiros. Normalmente, 2 de cada 5 alunos recebem uma nota C e devem retomar o curso ou mudar seus planos de carreira. Então, na primavera passada, Ellen Junn, o reitor, visitou Anant Agarwal, um professor do MIT que lecionou uma versão online gratuita da aula de circuítos, para perguntar se a Universidade Estadual de São José poderia tornar-se um laboratório vivo para seu curso, a primeira oferta da EDX, uma colaboração online entre a Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Junn esperava que ao misturar materiais online do MIT, com as matérias lecionadas na sala de aula física poderia ajudar a mais alunos serem bem sucedidos no curso. Agarwal, presidente da EDS, aceitou com entusiasmo, e sem qualquer acordo formal ou troca de dinheiro, fez com que a Universidade Estadual de São José pudesse disponibilizar o conceito em suas classes no ano passado.
Os resultados foram surpreendentes: 91% das pessoas que cursaram as aulas misturadas passaram, em comparação com 59% que frequentaram apenas aulas tradicionais.
É difícil dizer, no entanto, quanto dos melhores resultados são provenientes dos materiais online de EDX, e quantos provem da mudança para as sessões em sala de aula com foco em pequenos projetos em grupo, ao invés de palestras.
Até o momento, tem havido poucos dados se os cursos online realmente funcionam, e para quais tipos de alunos. Cursos mistos fornecem valiosos dados de pesquisa porque os resultados podem ser facilmente comparados com os de uma classe tradicional.
Os cursos online estão inegavelmente testando os limites tradicionais do ensino superior. Até agora, a maioria dos milhões de estudantes que se inscreveram neles não ganhavam crédito por estarem cursando-os. Mas isso está mudando, e não apenas na Universidade Estadual de São José. Os três principais fornecedores, Udacity, EDX e Coursera, são todos oferecendo testes monitorados, e em alguns casos, com certificação pela transferência de crédito através do Conselho Americano de Educação.
Enquanto os professores da Universidade Estadual de São José decidiam que tipo de material deveria ser coberto nos três cursos de matemática oferecidos pela Udacity, foram os empregados da Udacity que determinaram como seria a proposta do curso.
"Nós providenciamos anotações das aula e um livro de exercícios, e eles fizeram o que acharam melhor, escreveram o roteiro, e nós o editamos ", disse Susan McClory, coordenadora de desenvolvimento do curso de matemática da Universidade Estadual de São José. "Nós nos certificamos que eles utilizaram nossa maneira para encontrar um denominador comum."
Os resultados da versão para-crédito do curso online com os mentores não ficará claro até o término dos exames finais, que serão supervisionados por webcam.
Mas, com tantos alunos sem acesso a estes cursos, outros disseram, serão necessárias novas alternativas.
"Eu estou envolvido neste projeto, mas não pretendo destruir as universidades físicas e sim para aumentar o acesso de mais estudantes", disse Ronald Rogers, um professor de estatística na Universidade Estadual de São José .
E se vídeos e questionários com feedback instantâneo possam melhorar os resultados dos alunos, por que então seria necessário que os professores continuassem a escrever e preparar suas próprias palestras em sala de aula?
"O nosso ego sempre acaba nos fazendo pensar de que podemos fazê-lo melhor do que qualquer outra pessoa no mundo", disse Khosrow Ghadiri, um professor que leciona um curso misto. "Mas por que deveríamos inventar a roda 10,000 vezes? Este é o MIT, a melhor universidade do país - por que alguém não iria querer usufruir de seu material "?
Há, segundo ele, duas maneiras de pensar sobre o que a revolução dos cursos mistos significa: "Uma maneira é pensar eu, eu, eu – eu venho em primeiro lugar. A outra é que nós não estamos aqui para lecionar a nós mesmos, estamos aqui para educar os alunos. "

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-05-11/educadores-dos-eua-apostam-em-online-para-suprir-defasagem-de-alunos.html

 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Bonecas são para meninos? Em algumas escolas, sim

Grupo de escolas estimula livre forma de brincar para promover infância sem os estereótipos masculino e feminino, um dos desafios para construir uma sociedade menos machista


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Menino segura boneca em Phnom Penh, Camboja
(foto ilustrativa/ 24/02/2003)


No salão de cabeleireiro de mentirinha, João Pontes, de 4 anos, penteia a professora, usa o secador no cabelo de uma coleguinha e maquia a outra, concentradíssimo na função. Menos de cinco minutos depois, João está do outro lado da sala, em um round de luta com o colega Artur Bomfim, de 5 anos, que há pouco brincava de casinha.                           
Nos cantos da brincadeira do Colégio Equipe, na zona oeste de São Paulo, não há brinquedo de menino ou de menina. Todos os alunos da educação infantil - com idade entre 3 e 5 anos - transitam da boneca ao carrinho sem nenhuma cerimônia.
"O objetivo é deixar todas as opções à disposição e não estimular nenhum tipo de escolha sexista. Acreditamos que, ao não fazer essa distinção de gênero, ajudamos a derrubar essa dicotomia entre o que é tarefa de mulher e o que é atividade de homem", explica a coordenadora pedagógica de Educação Infantil do Equipe, Luciana Gamero.
Trata-se de um "jogo simbólico", atividade curricular da educação infantil adotado por um grupo de escolas que acredita que ali é o espaço apropriado para quebrar alguns paradigmas. A livre forma de brincar visa a promover uma infância sem os estereótipos de gênero - masculino e feminino -, um dos desafios para construir uma sociedade menos machista.
"Temos uma civilização ainda muito firmada na questão do gênero e isso se manifesta de forma sutil. Quando uma mulher está grávida, se ela não sabe o sexo da criança, compra tudo amarelinho ou verde", afirma Claudia Cristina Siqueira Silva, diretora pedagógica do Colégio Sidarta. "Nesse contexto, a tendência é de que a criança, desde pequena, reproduza a visão de que menino não usa cor de rosa e menina não gosta de azul."
Por isso, no colégio em que dirige, na Granja Viana, o foco são as chamadas brincadeiras não estruturadas, em que objetos se transformam em qualquer coisa, a depender da criatividade da criança. Um toco de madeira, por exemplo, pode ser uma boneca, um cavalo ou um carrinho. "Quanto menos referência ao literal o brinquedo tiver, menos espaço haverá para o reforço social", diz Claudia.
A reprodução dos estereótipos acontece até nas famílias que se enxergam mais liberais. Ela conta que recentemente, em uma brincadeira sobre hábitos indígenas, um menino passou batom nos lábios. Quando a mãe chegou para buscá-lo, falou de pronto: "Não quero nem ver quando seu pai vir isso."
"Podia ser o fim da experimentação sem preconceitos, que não tem qualquer relação com orientação sexual. Os adultos, ao não entender, tolhem essa liberdade de brincar por uma 'precaução' sem fundamento", afirma Claudia.
Visão de gênero
Se durante a primeira infância esses estímulos são introjetados sem que a criança se dê conta, ao crescer um pouquinho - a partir dos 5 anos -, elas já expressam conscientemente a visão estereotipada que têm de gênero.
No Colégio Santa Maria, no momento de jogar futebol, os meninos tentavam brincar apenas entre eles, não permitindo que as meninas participassem. Foi a hora de intervir. "Explicamos que não deveria ser assim e começamos a propor, por exemplo, que os meninos fossem os cozinheiros de uma das brincadeiras", diz Cássia Aparecida José Oliveira, orientadora da pré-escola da instituição.
Na oficina de pintura, todos foram convidados a usar só lápis cor de rosa - convite recusado por alguns. "Muitos falam 'eu não vou brincar disso porque meu pai diz que não é coisa de menino'. Nesses casos, a gente conversa com a família. Entre os convocados, os pais de meninos são a maioria. Um menino gostar de balé é sempre pior do que uma menina querer jogar futebol. E, se não combatemos isso, criamos uma sociedade machista e homofóbica."
O embate é árduo e é preciso perseverança. Mesmo no Colégio Equipe, aquele em que as crianças se alternam entre o cabeleireiro e o escritório, alguns comentários demonstram que a simulação da casinha é um primeiro passo na construção de um mundo menos machista. O pequeno Artur, de 5 anos, se anima ao participar da brincadeira. Mas, em um dado momento do faz de conta, olha bem para a coleguinha e avisa: "Eu sou o marido. Vou sair para trabalhar. Você fica em casa."

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-05-05/bonecas-sao-para-meninos-em-algumas-escolas-sim.html

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Livro resgata a Escola de Minas, que barrou Santos Dumont e Carlos Chagas

Fundada or D. Pedro II, terceira instituição de ensino superior no Brasil formou elite intelectual e iniciou estudo da geologia, dando bases para Petrobras. Aviador e médico foram barrados por provas; Getúlio Vargas teve de fugir da cidade, após morte de aluno rival de seus irmãos


Reprodução
Escola de Minas foi fundada em 1876, por D. Pedro II, em Ouro Preto
 

Fundada em 1876 pelo imperador D.Pedro II e terceira instituição de ensino superior do Brasil, a Escola de Minas, que hoje integra a universidade Federal de Ouro Preto, foi a primeira especializada em mineração e geologia no País. Com 137 anos, a serem completados em outubro e, em meio ao fenômeno do Pré-Sal, a escola ganha um livro comemorativo, em edição de luxo e capa dura, contando sua história. O lançamento será nesta quarta (24), no Clube de Engenharia, no Rio.
 
Reprodução
Maleta de campo do geólogo francês Gorceix, fundador da escola
 
A faculdade teve papel estratégico para o crescimento, a modernização e o desenvolvimento do Brasil, como pioneira na formação de uma elite intelectual em área onde o País não tinha escola até então. O realizador do projeto foi o cientista francês Claude-Henri Gorceix, fundador e diretor, trazido para o Brasil com este fim pelo imperador. É de Groceix o mote em latim da escola, “Cum Mente et Malleo” (“Com a mente e o martelo”). Para o francês, a mineralogia deveria ter a boa formação teórica aliada à prática da pesquisa, simbolizada pelo martelo, instrumento básico do geólogo no campo e no exame dos minerais.
Gorceix mantinha correspondência frequente com D. Pedro II e o mantinha informado sobre a organização e funcionamento da escola, que o imperador visitou em 1881. No encontro, assistiu a uma aula do acadêmico e fez um comentário peculiar em seu diário de viagem: “Gostei de ouvir a exposição de ideias tão civilizadas a 80 léguas do Rio de Janeiro, de onde, felizmente, já começou a irradiar-se o progresso para todo o Brasil.”
 
Reprodução
Biblioteca da escola tem livros raros
 
Fez ainda uma segunda visita oito anos depois, acompanhado da Princesa Isabel e D. Pedro Augusto, apenas cinco meses antes de ser destronado pela República.
A Escola de Minas formou muitos alunos que depois se tornaram políticos – como o senador Alfredo Baeta Neves (MG) e o prefeito de Belo Horizonte Américo Giannetti (51-54) –; matemáticos importantes, como Antônio Moreira Callaes; além de geólogos importantes, como Carlos Walter Marinho Campos – a quem a Petrobras aponta como estruturador da Bacia de Campos e formulador da política de exploração em águas profundas, embrião do Pré-Sal, e o ex-presidente da Petrobras Irnack Carvalho do Amaral. A empresa petrolífera é uma das patrocinadoras do livro.
A primeira aluna mulher a se formar foi Maria José de Oliveira Castro da turma de 1957, em Engenharia de Minas, Metalurgia e Civil.

Santos Dumont e Carlos Chagas foram barrados; Getúlio teve de ir embora
Reprodução
Santos Dumont foi reprovado e não conseguiu entrar na Escola de Minas

Curiosamente, a tradicional Escola de Minas também reprovou e rejeitou a entrada de dois dos maiores ícones históricos das ciências do Brasil: o inventor Alberto Santos Dumont e o pesquisador de doenças tropicais Carlos Chagas.
Santos Dumont matriculou-se no Curso Fundamental da escola, preparatório para as provas de acesso ao superior, em 3 de fevereiro de 1890, aos 16 anos. Seu pai, o engenheiro formado em Paris Henrique Dumont, tivera na cidade o primeiro emprego. O futuro pioneiro da aviação, porém, não foi aprovado nos exames e deixou a cidade em setembro, alegando não ter se adaptado à escola e ao seu “ensino rigoroso”.
Devia ser mesmo porque, cinco anos depois, o jovem Carlos Chagas, 17, também levaria pau na prova de admissão, após passar pelo Curso Preparatório da Escola da Minas. Como no caso do inventor, talvez tenha sido positivo para o País. Rejeitado em Ouro Preto, Chagas se matriculou na Escola de Medicina do Rio de Janeiro em 1897. Mais tarde, tornou-se grande pesquisador de doenças tropicais, estudioso da malária e revelou a enfermidade que levaria seu nome, doença de Chagas


Reprodução
Getúlio saiu fugido de Ouro Preto após morte de estudante rival de seus irmãos

Além deles, outro que pretendia passar pelo Curso Preparatório da Escola de Minas, mas não ficou por lá foi o presidente Getúlio Vargas, entretanto por outro motivo. O assassinato a tiros do estudante paulista Carlos de Almeida Prado, em rixa com os irmãos de Getúlio Viriato e Protásio, fez os gaúchos deixarem a cidade mineira.
O livro mostra que a biblioteca tem obras raras, fruto da concepção do criador, Gorceix, como "Arte de los Metales (1640)", de Álvaro Alonso Barba, "Traité de Mineralogie” (1822-23), de René-Just Hauy e a edição de luxo do conjunto de dez volumes da “Histoire Naturelle des Oiseaux” (1771-1786), de George Louis Leclerc e “Voyage dand les provinces de Rio de Janeiro et de Minas Geraes” (1830), de Auguste Sainte-Hilaire.
Atualmente, a Escola de Minas tem nove cursos, a maioria de Engenharia (entre os quais o de Minas), Geologia e Arquitetura e 612 alunos, entre graduação e pós-graduação.
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

"A ESCOLA ONDE OS ALUNOS FAZEM AS REGRAS"

Proposta inovadora de colégio estadual no Rio estimula o "aprender a fazer, a conhecer e a conviver". Escola é fruto de parceria com Instituto Ayrton Senna e faculdade Ibmec

Rayssa, Weverton e Isabell não entenderam nada no primeiro dia de aula. Como assim, escolher as normas da escola? “Nós criamos as regras! Fizemos os acordos. Aqui a escola nasceu junto com a gente. Mas não é escola bagunça, onde se pode fazer o que quiser”, contou Rayssa Furtado, 15 anos. “Todos ficamos surpresos, ninguém imaginava que isso fosse possível”, concordou Weverton, 15.
O Colégio Chico Anysio, no Andaraí (zona norte do Rio de Janeiro), é “experimental”. É um de nove da rede estadual fluminense no programa Dupla Escola, ou seja, em tempo integral, de 7h às 17h. A instituição também faz parte do programa Ensino Médio Inovador , do governo federal. Mas a principal diferença é que a unidade é um piloto de uma parceria do governo com o Instituto Ayrton Senna e a faculdade Ibmec.

Raphael Gomide
Weverton, Rayssa, Ana Luiza, Isabell e Elias são
alunos do Colégio Chico Anysio, inaugurado este
ano, e elogiam proposta

O projeto pedagógico para o ensino médio foi desenhado pelo Instituto Ayrton Senna e aplicado em parceria com o governo do Rio. O Ibmec dá aulas de introdução à economia, contabilidade, educação financeira, entre outras, que os adolescentes brasileiros normalmente só veem na faculdade. Eles também têm aulas de inglês e espanhol. “Quem está na Chico Anysio não precisa de curso”, disse Elias Fernandes, 15.
O projeto é baseado no aprender a “fazer”, a “conhecer” e a “conviver”. O objetivo é desenvolver nos alunos características que serão usadas por toda a vida, em qualquer atividade que escolham. São estimuladas a autonomia, o pensamento crítico, a curiosidade investigativa, a capacidade de colaboração e de comunicação, a criatividade e a liderança. Os adolescentes ficam dispostos em grupos de “times”, de seis mesas, e debatem os assuntos, fazendo trabalhos de grupo, na maioria. “O engraçado é que todo mundo tem opinião sobre tudo”, disse Isabell Pacheco, 14 anos.
Para estimular a criatividade e a capacidade de resolver problemas, os professores incentivam atividades como improvisos de teatro e jogos em grupo. Um exemplo foi um exercício em que eles simulavam ter de atravessar um rio, contando para isso apenas com um papelão. “O professor é o mediador do conhecimento, e o aluno é o protagonista juvenil”, explica o jovem Fábio Milioni, de apenas 27 anos, a quem os alunos chamam apenas de Fábio. Ele dirige apenas três turmas de 1º ano do ensino médio, com 80 alunos no total.

Raphael Gomide
Diretor da escola, Fábio Milioni, tem 27 anos e
defende a inovação

“Aqui é diferente, as aulas são mais legais”, disse Ana Carolina Mota, 15 anos. Elias Fernandes, 15, sempre foi um dos mais calados das escolas por onde passou. Mas na Chico Anysio ele conta que o método acaba forçando que ele fale mais e supere sua timidez. “Faz com que a gente seja mais sociável”, disse o menino.
No colégio, os meninos têm tempos para dedicar ao “estudo articulado” (quando podem fazer seus trabalhos); à autogestão (escolhem o que querem fazer, de exercícios, a tirar dúvidas com um professor ou até relaxar e ouvir música); e ao “projeto de vida”, quando um orientador os ajuda a escolher o caminho que pode seguir no futuro. “A proposta é inovadora”, afirma o empolgado diretor, que coordena uma equipe de 14 professores.
Inês Kisil Miskalo, coordenadora da área de Educação Formal do Instituto Ayrton Senna, explica que todas essas atividades desenvolvem conhecimento de forma integrada e não há uma divisão estanque de disciplinas. Os alunos são estimulados a fazer projetos, que utilizam conteúdos de várias áreas e muitas vezes exigem o envolvimento de mais de um professor.

Raphael Gomide
Luta olímpica é uma das modalidades esportivas praticadas no
Colégio Chico Anysio


Os docentes aproveitam a tecnologia disponível por doações de empresas. A maioria das aulas é com datashow, e é enviada em seguida para os alunos, por e-mail. Há uma lousa digital doada por uma multinacional de tecnologia, assim como 40 computadores. Para a representante do Ayrton Senna, não dá para pensar no jovem sem pensar em tecnologia, mas na escola ela deve ser usada como facilitadora do processo todo. “Não tem sentido ter uma sala de computadores, é importante que os alunos possam usá-los quando precisarem, até no pátio”, diz.
A Chico Anysio é distinta até nos esportes escolhidos; esgrima e luta olímpica, pouco comuns no País, quanto mais em uma escola estadual. Isabell sempre foi atlética. Completou os estudos de balé clássico e dança e adora esportes. No primeiro momento, achou esgrima meio esquisito. Mas hoje adora.
Há ainda outras vantagens, aos olhos adolescentes. “A comida é o melhor! Tem tutu, escondidinho de carne, estrogonofe, doce de banana com mel! E os sucos! Além disso, temos o uniforme mais bonitinho, não é aquela camisa do governo feia, horrorosa”, disse Isabell.
O projeto inovador atraiu gente de vários pontos do Rio e está empolgando os alunos, ao menos nas primeiras semanas. As gêmeas Luanne e Rayanne Oliveira da Cunha, 15 anos, levam quase 1 hora 30 minutos todos os dias de Olaria até o Andaraí. “A escola é muuuito boa! O ensino é diferente, em grupo, mais fácil de aprender, e ajuda a me preparar para uma boa faculdade”, disse Luanne.
“Minha mãe diz para eu parar de falar da escola, porque eu falo demais daqui”, contou Ana Luiza Ramos, 14 anos, que, junto com a irmã, Ana Beatriz, trocou a tradicional Fundação Osório, do Sistema Colégio Militar, pelo Chico Anysio.

*Colaborou Tatiana Klix

FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-04-11/a-escola-onde-os-alunos-fazem-as-regras.html